Documentário da paiN Gaming acerta pela nostalgia em momento agridoce para cenário de LoL

Longa que conta a trajetória de uma das mais tradicionais organizações de eSports do Brasil ganhou premiere em São Paulo
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Imagem: Reprodução, paiN Gaming

A premiere do documentário PAIN Glory, ocorrida na última sexta-feira (28) em São Paulo, se propõe a ser um mergulho na história de uma das maiores e mais tradicionais organizações do eSports brasileiras, a paiN Gaming – mas também deixa um sabor agridoce ao coincidir não só com o encerramento da controversa LTA Sul, mas com o que parece ser também o fim da “fase áurea” de todo um cenário. 

Apesar disso, o longa consegue emocionar ao destacar as jornadas pessoais de alguns jogadores emblemáticos para a organização. São especialmente tocantes as passagens que retratam lendas como brTT e Kami (ambos estavam no evento), igualmente importantes para a narrativa de fundação da “dinastia”. 

A exibição para convidados aconteceu no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. O evento teve um coquetel pré-exibição e duas sessões simultâneas para contar a história da organização durante um Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLOL). Em 2025 a competição sofreu reformulações circunstanciais e passou a se chamar LTA Sul. 

A ideia deu tão errado que o CBLOL retorna no ano que vem com foco principal do cenário competitivo nacional. A reformulação do campeonato nacional de League of Legends em 2025 foi um ponto de inflexão negativo para a comunidade do jogo competitivo da Riot Games. O terceiro split da LTA Sul registrou a menor audiência de todo o ano, evidenciando uma queda brusca no engajamento da comunidade após a saída do nome e formato tradicionais do CBLOL. 

O retorno é visto por muitos como um reconhecimento tácito do fracasso da LTA Sul em manter a paixão e a tradição que cercam a liga.

Nostalgia e tradição

O documentário produzido por Matheus Miguel, production manager da organização, não se propõea ser uma análise cinematográfica, e acerta ao narrar com entrevistas e recortes a história e os bastidores da organização. 

O público se conecta profundamente com as passagens sobre o ex-pro-player brTT e o pro-player Cariok. A menção remete aos contextos difíceis, incluindo o período em que a paiN não obtinha bons resultados e Cariok sofreu críticas intensas – episódio que incluiu racismo, marcando o CBLOL de 2021.

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Outro ponto a ser levantado é a falta de aprofundamento em figuras do “staff” e dos técnicos (os “coaches”). Vemos Xero na tela com frequência, mas a abordagem sobre o suporte psicológico, um tema crucial no cenário de eSports, é superficial. 

A ausência de menção à psicologia esportiva na paiN é particularmente sentida, visto que o aspecto é frequentemente mencionado como fator nas derrotas para a LOUD nos splits de 2023 e 2024. O apoio psicológico é um debate constante no CBLOL, e sua relevância só cresce em um cenário de alta pressão competitiva.

Pioneirismo 

O lançamento do filme não foi apenas um evento interno, mas uma tentativa de demonstrar a força da marca paiN Gaming e do próprio cenário, que atravessa um momento de mudança profunda pós-pandemia de covid-19. A organização, fundada em 2010 por Arthur ‘PAADA’ Zarzur, foi a primeira da América Latina a implementar uma gaming house — movimento que ajudou a moldar o mercado competitivo no país. 

Além disso, suas equipes se expandiram ao longo dos anos para modalidades como Free Fire e Counter-Strike: Global Offensive, enquanto o time de League of Legends conquistou quatro títulos do CBLOL e oito vice-campeonatos. É o maior recorde de segundos lugares da liga.

O evento contou com a participação de nomes que fizeram história dentro e fora da organização, como Kami, brTT, Baiano e Mylon. O prestígio também se estendeu a personalidades de outras áreas que são assumidamente fãs da organização e de sua torcida gigantesca e barulhenta, como o comunicador Casimiro Miguel (Cazé) e o criador de conteúdo Lucas Inutilismo.

Outro highlight trazido para as telonas foi o pioneirismo da paiN em desbravar o território dos patrocínios ainda incomuns nos eSports na época, conquistando marcas não endêmicas como BMW e Coca-Cola. No evento, a força dessas parcerias foi celebrada, com destaque para a Melitta, uma das principais parceiras atuais da paiN, que ofereceu aos convidados frappuccinos e cafés personalizados. 

A presença de tantos nomes reforça sua relevância como organização bem estruturada e sua importância na construção da rivalidade histórica que move o cenário.

O documentário PAIN Glory está disponível gratuitamente no canal oficial da paiN Gaming no YouTube.

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