Criada exatos 20 anos atrás pela fabricante taiwanesa Asus para atender entusiastas – leia-se donos de PCs gamers fanáticos por overclock –, a marca ROG (acrônimo para Republic of Gamers) começou em 2026 fabricando placas mãe que facilitavam a operação de processadores e memórias acima das especificações recomendas. Com o tempo, estampou outros componentes, como placas de vídeo, e depois monitores, notebooks, celulares high end (como a série ROG Phone, de 2018) e PCs gamers portáteis (ROG Ally, de 2023). Tornou-se uma das líderes desse mercado.
Mas como a crise global dos componentes não tem dado folga e tornou a agora caríssima tarefa de montar um PC cada vez mais complicada, a empresa aposta em outras inovações, incluindo em imagem, software e versões de equipamentos consagrados. É o caso do ROG XBOX Ally X20, edição especial limitada do portátil feita para celebrar os 20 anos da marca – e que chega ao Brasil essa semana.

A marca convidou a imprensa e criadores de conteúdo para testar o equipamento e celebrar seu aniversário nessa quarta-feira (4) em São Paulo, na Galeria Magalu. Por tempo limitado, será possível experimentar o produto no espaço do Kabum (parceiro exclusivo de varejo do equipamento) na loja conceito, que fica dentro do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. A loja da Asus também fará essas vendas online.
O modelo comemorativo com tela OLED será vendido por aqui sozinho e em um bundle que conta com outra inovação: os óculos de realidade aumentada XREAL R1 e acessórios específicos para a edição comemorativa. O equipamento foi apresentado pela Asus durante a última CES, e permite jogar com o Ally em uma tela virtual gigante de 171 polegadas que só o usuário pode enxergar.
Por dentro, o Ally X20 é bem parecido com a versão anterior do equipamento, lançado em conjunto com a marca Xbox e processador AMD Ryzen AI Z2 Extreme. No visual, além da tela OLED, adota uma estética de consoles com carcaça transparente dos anos 2000. No software, promete integração com o ecossistema do console da Microsoft, sistema operacional Windows e capacidade de acessar as principais lojas de games do mercado – além de vir com três meses grátis de assinatura do Game Pass.
Os preços, claro, são salgados: R$ 15.999 na versão standalone e R$ 28.999 no bundle com o XREAL R1 e outros acessórios.
“A ideia de ter um ROG é ser diferente, ousar, como diz o slogan da marca. Ele é um produto acima da média, com design muito melhor, configurações melhores, e com essa mudança no mercado de componentes estamos apostando em produtos premium porque não vai mais haver tanta diferença de preço. Então vale levar para casa um ROG ao invés de um computador de entrada”, pondera em entrevista ao The Gaming Era o porta-voz técnico da Asus no Brasil, Murilo Tonholi.
A tese do executivo é que um investimento em equipamentos mais parrudos agora garante uma sobrevida maior aos equipamentos para os usuários. Segundo ele, com o mercado de hardware travado em termos de inovação e novos componentes, equipamentos como o Xbox Ally X20 rodam os jogos mais novos com bom desempenho e assim deve continuar por mais algum tempo. Além disso, o brasileiro tem aceitado pagar mais para ter mais inovação em mãos, um cenário diferente de quando a empresa lançou a ROG no Brasil.
“A ideia é ter cada vez mais produtos premium. O consumidor brasileiro está mudando. Mesmo nas linhas de consumo da Asus, a Vivo Book, por exemplo, o público está querendo metal. Os de plástico já não são mais tão interessantes”, pondera Tonholi. “Ele [o usuário] já vai ter que investir uma quantia considerável, então que ele invista no melhor produto, com melhor suporte e configurações.”

Confira a seguir os melhores momentos da conversa com o executivo:
The Gaming Era: A ROG começou como fabricante de placas mãe, passou a outros componentes e hoje fabrica muita coisa gamer com rótulo “premium”. O que vai a seguir?
Murilo Tonholi: Estamos entrando no mundo da realidade aumentada. Nosso objetivo ao trazer os óculos [XREAL R1] para cá com o ROG Xbox Ally X20 é entender a aceitação do público. Quando anunciamos os óculos na CES a galera ficou ensandecida. Os consumidores pediram muito. E vimos a oportunidade de entrar no mercado brasileiro.
As decisões de ROG para o mercado brasileiro não estão mais tão ligadas às pesquisas de mercado e ao que vai vender muito necessariamente. Estamos vendo cada vez mais pessoas querendo produtos top de linha, limitados, e o que tiver para trazer eles compram.
Trouxemos o ROG Flow com a Kojima Productions e vendeu tudo em duas semanas. Depois o ROG Zephyrus Duo, com preço elevado e tecnologia de ponta, e também vendeu. A galera quer essa tecnologia. Quanto ao Ally X20, estamos vendo a demanda. O público gamer que está atrás desses produtos não quer saber quanto custa, mas ter o mais rápido possível com garantia nacional.
TGE: Você citou os preços elevados. Essa é uma estratégia da Asus já há alguns anos no Brasil. Você diria que foi uma aposta acertada?
Tonholi: Sim. A gente começou com a ROG no Brasil apostando em custo-benefício. Trazíamos as máquinas com configurações defasadas para vender mais barato. Com o tempo começamos a trabalhar como uma marca premium mesmo.
A ideia de ter um ROG é ser diferente, ousar, como diz o slogan da marca. Ele é um produto acima da média, um design muito melhor, configurações melhores. E com essa mudança no mercado de componentes estamos investindo em produtos premium porque não vai fazer mais tanta diferença de preço entre um básico e um premium. Então vale levar para casa um ROG ao invés de um computador de entrada.
TGE: No fundo você quer dizer que o high end virou um investimento de mais longo prazo por parte do consumidor?
Tonholi: Mais tempo e de maior retorno. Ele dura cinco ou seis anos, e é muito diferente ter um notebook ou console de metal todo produzido do que um de plástico que em dois ou três anos já não vai estar mais tão legal. A ideia é ter cada vez mais produtos premium.
O consumidor brasileiro está mudando. Mesmo nas linhas mais de consumo da Asus, a Vivo Book, por exemplo, o público está querendo metal. Os notebooks de plástico já não são mais tão interessantes. Ele [o consumidor] já vai ter que investir uma quantia considerável, então que invista no melhor produto, com melhor suporte e configurações.
TGE: Vocês estão trazendo para o Brasil óculos de realidade aumentada, o que não são um hardware tão sujeito a aumento de preços. Essa é uma forma de contornar o problema?
Tonholi: Não é a nossa estratégia mãe, porque a gente continua com notebooks e outros componentes. A própria [marca] ROG vai além das coisas que temos no Brasil: vendemos [em outros mercados] roteadores, teclados e mouses. Nosso lema é expandir portfólio. Sempre que tem CES e ou Computex gostamos de mostrar coisas diferentes.
TGE: Falando no Ally, qual foi o desempenho dele no mercado brasileiro. Vendeu bem?
Tonholi: O “normal” branquinho, o ROG Ally, versão mais custo-benefício, foi [vendida] toda nos primeiros meses. O estoque esgotou. Vendemos tudo na loja Asus e varejos. Vendemos tudo que trouxemos. O Xbox Ally X ainda tem unidades disponíveis, é o que falta para acabar o estoque. A partir de agora só teremos a edição de 20 anos.
TGE: Você acredita que esse nicho dos PCs gamers portáteis vai seguir avançando? Qual o futuro desses dispositivos?
Tonholi: Eu acho que ele vai mudar muito a partir do ano que vem. Chegamos em um ponto em que o hardware não tem mais para onde ir em termos de processador. Ele já roda tudo que você quiser. O que tem melhorado são tecnologias de IA do processador: upscalling, geração de quadros etc. Isso melhorou muito o desempenho [do ROG Ally] do ano passado para cá.
Acho que agora o foco é muito mais no software, em como os aparelhos usam chips que já estão ali, do que necessariamente em chips novos.
TGE: Voltando à crise de componentes. Quanto tempo você acha que essa crise ainda dura? E como isso afeta os planos da Asus para marca ROG nos próximos 20 anos?
Tonholi: Temos um plano bem estruturado para passar por essa situação da melhor forma possível. Estamos conseguindo. Nunca ficamos sem estoque, por exemplo, embora o preço ainda flutue com todas essas questões. Mas temos uma estratégia legal para passar pelo ano que vem, porque expectativa de melhora mesmo, segundo os institutos de pesquisa, é 2028 e olhe lá. As fabricantes de RAM estão fazendo o possível pelo lado delas.
Nos próximos 20 anos, queremos continuar a trazer equipamento topo de linha, o melhor de tecnologia, inovar em produtos. Sem preocupação com custos muito altos. Queremos continuar reforçando ROG como uma marca premium para games.



