Mercado em expansão: o potencial do gaming para idosos no Brasil

Aumento da expectativa de vida no Brasil e envelhecimento populacional traz oportunidades inclusive para estúdios
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Foto: Canva

A indústria global de games é um mercado bilionário, e o Brasil se destaca como um dos maiores do mundo. No entanto, a maior parte dos produtos ainda é voltada para o público jovem. É neste cenário que a crescente longevidade da população cria uma demanda não atendida: idosos que buscam novas formas de lazer, interação social e estímulo mental.

De acordo com o Censo Demográfico de 2022, publicado em 2023 pelo IBGE, o número de idosos no Brasil cresceu 57,4% em 12 anos. Esse aumento da população de 65 anos ou mais, em conjunto com a diminuição da parcela da população de até 14 anos no mesmo período (que passou de 24,1% para 19,8%), evidencia o franco envelhecimento da população brasileira.

A transição para a terceira idade, aliada ao aumento da expectativa de vida, está gerando um novo e promissor nicho de mercado: o de jogos eletrônicos para idosos.

Longe de ser um segmento momentâneo, trata-se de um mercado em ascensão, com oportunidades significativas para empresas que souberem combinar entretenimento, acessibilidade e bem-estar.

As empresas que têm como objetivo alcançar esse público focam em diferentes modelos de negócio e produtos. Jogos de “brain training“, por exemplo, são aplicativos e plataformas desenvolvidos para o treinamento cognitivo da memória, do raciocínio e da atenção, podendo ser comercializados diretamente para o consumidor ou por meio de parcerias com clínicas de geriatria, planos de saúde e casas de repouso.

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Já uma outra vertente consiste na adaptação de jogos de tabuleiro e de cartas tradicionais (como bingo, dominó e quebra-cabeças) para plataformas digitais com o objetivo de promover socialização e a interação entre idosos e pessoas de outras idades. O foco é combater o isolamento social, oferecendo ambientes virtuais seguros onde eles possam se conectar, competir e interagir.

Essa é uma oportunidade de rejuvenescer e convidar o público mais velho para o universo online.

Por fim, para empresas que produzem games, oferecer serviços de consultoria em acessibilidade digital carregam oportunidades. Fornecer workshops e treinamentos em plataformas digitais para instituições de cuidado com idosos possibilitam uma capacitação para a utilização da tecnologia de forma eficaz.

Embora promissor, esse mercado apresenta desafios que precisam ser superados. Além de estabelecer um design inclusivo, é importante estabelecer parcerias com entidades de saúde, instituições de longa permanência, universidades e até mesmo empresas de tecnologia assistiva para acelerar o desenvolvimento e a adoção de novos produtos.

O mercado de gaming para a terceira idade está em estágio inicial, mas de acordo com a Global Web Index, já houve um crescimento de 32% no número de jogadores de videogame entre 55 e 64 anos nos últimos três anos. O potencial é inegável.

Com a população idosa crescendo e buscando mais qualidade de vida, empresas que investirem em produtos e serviços adaptados, com foco na acessibilidade e no bem-estar, estarão na vanguarda de um negócio que não apenas gera lucro, mas também impacta positivamente a vida de milhões de brasileiros.

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