A divisão de jogos eletrônicos da Microsoft, a Xbox, foi a única que experimentou queda substancial de receita anual gerada entre os anos fiscais de 2025 e 2026 – saindo de US$ 23,4 bilhões no ano anterior para US$ 21,7 bilhões agora (cerca de -8%). Apenas no último trimestre a queda foi de 10%. Os dados representam todos os negócios feitos com a marca Xbox, incluindo serviços, dispositivos, estúdios e jogos, e fazem parte do último demonstrativo de resultados fiscais apresentados na quarta-feira (29).
O crescimento do Game Pass compensou parcialmente as quedas anuais, mas a receita com hardware (os consoles e acessórios) caiu 29% devido à redução nas vendas.
Segundo a planilha, que faz uma discriminação de receita obtida pelos principais produtos da empresa, o Xbox foi o único com queda elevada. Os produtos de nuvem e servidores são responsáveis pela maior parcela do faturamento da Big Tech (US$ 129,4 bilhões em 2026, crescimento de 25% na comparação anual), seguida pelo Microsoft 365 (antigo Office, que compreende softwares de produtividade) com US$ 101,9 bilhões (+14%) e então o Xbox.
A rede social LinkedIn aparece em quarto lugar (US$ 19,8 bilhões, +10,1%) e o sistema operacional Windows e seus dispositivos em quinto (US$ 17 bilhões, -1,7%).
No geral, a receita da Microsoft subiu no ano fiscal passado, alcançando US$ 331,8 bilhões (+15,1%). O lucro operacional anual foi de US$ 155,2 bilhões, aumento de 21% (19% se considerada a inflação).
A CEO do Xbox, Asha Sharma, após a divulgação dos resultados, se limitou a dizer em uma rede social que “mais de 200 milhões de novos jogadores chegaram ao Xbox e aos nossos jogos” no ano fiscal de 2026, mas que “o negócio não cresceu na mesma proporção que a base de jogadores”. E que por isso será necessário investir “naquilo que os jogadores valorizam”. No entanto, ressalta, isso “levará tempo”.
A queda de receita da divisão de jogos digitais acontece cerca de três anos após a compra bilionária da Activision Blizzard King, aprovada em 2023 e anunciada um ano antes. Desde então, a Microsoft promoveu demissões em massa, fechamentos de estúdios e medidas de redução de estrutura. Recentemente, com a substituição de Phil Spencer pela atual CEO de Xbox, Asha Sharma, a empresa tem prometido um “reboot” da operação.
“No que diz respeito ao Xbox, estamos tomando as decisões necessárias em nosso portfólio de conteúdo, plataforma e operações para reestruturar o negócio visando ao crescimento a longo prazo”, disse na reunião de acionistas o CEO da Microsoft, Satya Nadella. “Contamos com as melhores propriedades intelectuais do setor e estúdios talentosos (…); acreditamos que podemos unir esses pontos fortes e retomar o crescimento do negócio no ano fiscal de 2027.”
Apesar do aparente otimismo, Nadella acha que a crise de preços atualmente em curso no mercado de componentes de eletrônicos por conta da inteligência artificial trará uma queda na receita com conteúdo e serviços Xbox nos próximos meses, assim como na receita de hardware. Recentemente a empresa anunciou um aumento no preço sugerido dos consoles Xbox a partir de agosto, e há rumores de que outro aumento deva acontecer até o fim do ano.
Além disso, o Projeto Helix, console de nova geração da marca revelado oficialmente em março desse ano, até agora não ganhou novos detalhes.



