De novo: Xbox demite 268 pessoas e muda estrutura de estúdios

Blizzard e Halo Studios são os mais afetados. Turn 10 e Playground vão se fundir, assim como Bethesda e Obsidian, enquanto o Ninja Theory pode fechar
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Pouco mais de dois meses após anunciar a demissão de 1.600 pessoas, e prometer mais 1.600 dispensas no ano fiscal atual, a divisão de games da Microsoft anunciou uma segunda rodada de lay-off. Dessa vez, foram demitidos nos estúdios de Xbox (principalmente Blizzard e Halo Studios), além de áreas corporativas, exatas 268 pessoas. O movimento foi confirmado por Matt Booty em comunicado aos funcionários.

“As ações concluídas desde julho, incluindo os desinvestimentos de estúdios, fazem com que tenhamos percorrido cerca de três quartos do caminho da reestruturação anunciada anteriormente. Sou profundamente grato pelo que nossos colegas construíram e sei o quão difícil o dia de hoje será para aqueles que estão de saída e para as equipes ao seu redor”, escreveu o vice-presidente executivo e diretor de conteúdo (CCO) do Xbox.

O lay-off faz parte de um movimento mais amplo de reinício (“reset”) do Xbox após a entrada da CEO Asha Sharma, em fevereiro, e inclui ainda mudanças na estrutura dos estúdios da empresa. O objetivo da consolidação, segundo Booty, é “fortalecer nossas franquias e jogos operando menos unidades de negócios, alinhando grupos que já trabalham em estreita colaboração e concentrando nossa expertise em publicação”.

Na prática, isso significa que a Activision, de Call of Duty, vai absorver em sua estrutura a World’s Edge (de Age of Empires) e a Rare (de Sea of Thieves), além de ficar responsável pelo próximo título de Halo, junto com parte da equipe que sobrou do Halo Studios após a demissão. O novo título da série estrelada por Master Chief ficará sob responsabilidade de “uma nova equipe dedicada a esse fim, separada do desenvolvimento e dos planos em andamento para Call of Duty”.

Já a Bethesda vai absorver a Obsidian (de Avowed), que “dará continuidade aos projetos atuais”, incluindo Grounded e um novo projeto de Fallout já desenvolvido em colaboração com a Bethesda, segundo o executivo. A King, de Candy Crush, vai receber a estrutura do Microsoft Casual Games, hoje responsável por jogos nativos de Windows, “unindo líderes de design de jogos casuais e operações de serviço contínuo [live services]”.

Outra mudança importante é que a Playground (de Fable) e a Turn 10 (de Forza) se unirão em um único estúdio focado nas duas franquias. Os dois estúdios já são parceiros de longa data, mas agora estarão juntos estruturalmente.

Booty também confirmou o “desinvestimento” na Compulsion Games e na Double Fine, que voltaram a ser independentes após acordos de separação. Propriedades intelectuais (IPs) e catálogos ficaram com seus donos originais. A Undead Labs, de State of Decay 3, também obteve independência, mas segue com acordo de publicação para o seu próximo jogo no Game Pass.

No entanto, segundo o executivo, a Ninja Theory não teve o mesmo sucesso nas negociações para se separar. A empresa tem sede em Londres, no Reino Unido, e os funcionários não podem ser demitidos pelas leis locais sem uma negociação. Segundo Booty, os trabalhadores serão consultados sobre o possível fechamento “ao mesmo tempo em que exploramos outras alternativas”.

É o mesmo caminho que a Arkane Lyon, na França, já segue. Até o fim do ano deve ser decidido o futuro da empresa.

Fases de reestruturação

O novo movimento de demissões no Xbox começou no dia 6 de julho, quando a Microsoft anunciou a demissão de 3.200 funcionários (cerca de 20% do total) até o fim do ano fiscal de 2027, sendo 1.600 naquele dia e outros potenciais 1.600 em rodadas posteriores. O movimento é mencionado como um esforço de enxugamento da operação em busca de mais eficiência e privilegiando publicação e franquias mais rentáveis.

Segundo e-mail interno enviada por Asha Sharma naquele dia, trata-se da “mais significativa reestruturação da história do Xbox”. “Nosso negócio, hoje, não é saudável. Operamos com margens de 3 a 10 vezes inferiores às de empresas comparáveis dos setores de plataformas e publicação de jogos”, escreveu ela. Disse ainda que a indústria “enfrenta a crise de hardware mais grave de sua história”, e que é necessário “redefinir o Xbox”, começando pelo portfólio de estúdios e jogos.

Em julho de 2025, antes da entrada de Sharma, a empresa já havia feito uma grande demissão em massa que afetou 4% da força global de trabalho, ou cerca de 9 mil pessoas à época. Além de demissões, jogos foram cancelados e estúdios fechados, incluindo o The Initiative.

* com informações dos portais Insider Gaming e GamesIndustry

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