O sonho do “videogame brasileiro” é uma dessas ideias recorrentes que volta de tempos em tempos, e o Lupi é um dos projetos mais inovadores que já vi. Tive o prazer de conhecer e testar pessoalmente o console e o criador dele durante a Retrocon 2026.
Concebido pelo programador e educador Luiz Gustavo Lino, o Lupi se apresenta como um “projeto social misturando videogames e educação, focado em criar um console acessível e promover a soberania digital”.
O conceito de um console brasileiro já habita o imaginário coletivo há décadas e sempre ganha diferentes versões de acordo com a atual realidade socioeconômica do País. Nos anos 1980, tivemos a importante saga dos clones, nos 1990 e 2010 vimos um investimento forte em fabricação nacional na Zona Franca de Manaus e, no início do século XX, o bem-intencionado Zeebo. Mas o Lupi vai por um caminho diferente e original.
Ele usa Lua, linguagem de programação criada no Brasil nos anos 1990 e conhecida por ser rápida, leve e flexível (inclusive, utilizada em partes da programação de títulos para consoles e mobile ao longo das últimas décadas).
Fiquei encantado com o carisma do Lupi e mais ainda com os games que joguei, que têm os nomes todos criados por crianças, segundo a equipe de desenvolvimento. O maior destaque é Caio Pernocas, uma aventura 2D em pixel art bem ao estilo Super Mario estrelada por um lobo-guará que deve coletar frutas pelas fases.
Gostei também de Balão Gatinho, em que você controla um balão em formato cabeça de gato que deve navegar por um castelo cheio de espetos e coletar estrelas até chegar ao fim do nível. Fiquei feliz também em ver a versatilidade do aparelho rodando ali no evento, capaz também de rodar títulos projetados originalmente para Game Boy e equipado até com um editor para criar pixel art e outros desenhos.
Equipado com três entradas para controles de Super Nintendo – uma escolha decidida por conta do quão baratas essas peças são hoje em dia para colocar no console -, o Lupi também pretende trazer títulos multiplayer, como um de esconde-esconde que estava disponível na Retrocon.
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Em desenvolvimento há alguns anos, o Lupi chega com uma proposta intensamente inovadora e democrática. A ideia é vender a preços bem acessíveis o kit para que a pessoa monte o videogame em casa, fácil o bastante para até uma criança montar o aparelho se quiser.
Fico curioso ainda para ver como será a loja online para baixar e comprar novos jogos. O aparelho ainda está em estágio conceitual, sem nada concreto para mostrar, mas a ideia é que seja um sistema fácil o bastante para desenvolvedores indies conseguirem colocar games no aparelho a preços bem acessíveis.
No momento, pelo tanto que entendi da parte técnica, me parece já de fato simples o bastante para desenvolvedores de variadas experiências conseguirem colocar o jogo para rodar no Lupi. Falta só trabalhar a outra ponta agora e fazer isso chegar de forma lisa e suave para o público final.
A linha de chegada me parece distante, porém mais próxima do que o ponto de partida deste bonito sonho. O Lupi é ambicioso, mas também carismático e muito consciente de onde quer chegar e quais limites abraçar para alcançar o sucesso.



