Pense na situação: você está jogando no PC com uma colega, irmã, namorada ou amiga, e alguém comenta: “Nossa, mas é uma mulher jogando?”. Por mais absurdo que pareça, isso acontece de verdade.
O mundo dos games cresceu muito nos últimos anos. Torneios enchem arenas, contratos milionários são fechados e os eSports criaram várias profissões “de verdade”. Mas, mesmo com todo esse avanço, a participação feminina no competitivo ainda é pequena e não é por falta de interesse.
Quase metade das mulheres gamers brasileiras (49,9%) acompanha campeonatos com frequência, segundo a Pesquisa Game Brasil (PGB). Mesmo assim, apenas cerca de 29% das vagas em times de elite são ocupadas por mulheres em todo o mundo. Isso não faz sentido, e o motivo não é falta de talento.
O problema está no ambiente.
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Usar um nome masculino no jogo não é uma questão de estilo, mas sim uma estratégia de proteção. Muitas mulheres fazem isso para evitar assédio, comentários e aquela pergunta do começo do texto. É triste, preocupante e acontece de verdade.
O problema não está só nos jogos. Em esportes e tecnologia, que têm tudo a ver com eSports, a situação é parecida. Mulheres que se interessam por essas áreas ainda precisam se esforçar mais, explicar mais e resistir mais.
A boa notícia é que isso está mudando, mesmo que aos poucos. Projetos como Mulheres no e-Sports, ReveLAH Caster e Lótus HUB estão criando comunidades acolhedoras, e começam a conectar oportunidades de trabalho a quem sempre foi deixada de lado.
Mas só as comunidades não resolvem tudo. As marcas precisam reconhecer o tamanho desse público. As organizações devem abrir espaço. E o cenário competitivo tem que deixar de ver a presença feminina como algo novo.
Não se trata de pedir espaço, e sim de ocupar também o que sempre foi nosso. E contamos com cada um de vocês para, literalmente, espalhar a palavra.



