O futebol passou por muitas fases, personagens e momentos. Do futebol de botão e das TVs de tubo, chegamos aos eSports, transmissões ao vivo no celular e jogos acompanhados em tempo real por milhões de pessoas ao redor do mundo. Essa transformação digital é um dos principais fatores que mantêm o futebol relevante entre gerações.
Você e seu avô talvez não tenham visto os mesmos jogadores em campo, mas provavelmente ainda gritam com o mesmo amor pelo time do coração em um domingo à noite.
Segundo dados divulgados pelo relatório 2025 Global Sports Report, da Nielsen, 51% da população mundial é fã de futebol. Indo ainda mais longe, o estudo mostra que 47% desses torcedores são mulheres, reforçando como o esporte continua atravessando diferentes públicos, idades e gerações.
Durante muito tempo, dizia-se que seria impossível reproduzir digitalmente a experiência de torcer ao vivo. A tecnologia, contudo, transformou a relação entre torcedores e atletas. Hoje, acompanhamos de perto a rotina, os bastidores e até os pensamentos de jogadores que, no passado, conhecíamos apenas por figurinhas, capas de jornal ou transmissões esporádicas na televisão.
A tecnologia se tornou a principal responsável por democratizar o acesso ao futebol, permitindo novas formas de acompanhar, consumir e viver o esporte.
Segundo a FIFA, a Copa do Mundo de 2022 alcançou cerca de cinco bilhões de pessoas em diferentes plataformas digitais e televisivas, mostrando como o esporte expandiu alcance graças às novas tecnologias e ao consumo digital. A plataforma CazéTV chegou a registrar mais de 5,3 milhões de espectadores simultâneos durante uma partida da Seleção Brasileira, ocupando as três primeiras posições do ranking de lives mais assistidas da história do YouTube.
Além disso, os avanços tecnológicos também mudaram a maneira como o jogo é entendido. Recursos de transmissão, análise de desempenho e arbitragem tornaram o futebol mais claro, estratégico e acessível para quem assiste.
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No Brasil, porém, o futebol ocupa um espaço ainda mais simbólico e funciona como memória coletiva. A digitalização permite revisitar partidas históricas, rever os maiores jogadores da história, estudar movimentos e entender como o esporte evoluiu ao longo das décadas. Desde 2018, a FIFA utiliza de sistemas como o VAR, para auxiliar na arbitragem do jogo e, agora em 2026, serão utilizadas bolas com sensores de movimento, além da criação de avatares digitais dos jogadores para a transmissão.
A tecnologia se tornou, portanto, um artefato histórico essencial para preservar o legado do futebol para as futuras gerações. Em um país onde o esporte faz parte da identidade nacional, manter viva essa memória também é uma forma de preservar cultura. Segundo o relatório da Nielsen já citado, o número de pessoas que assistem aos jogos por meio de streaming cresceu 21%, evidenciando como o consumo esportivo se tornou digital.
Anos de Copa do Mundo deixam a estatística ainda mais evidente. O futebol para o país, reúne famílias, movimenta discussões e cria lembranças que atravessam gerações. Graças à digitalização, esses momentos não ficam apenas na memória. Eles podem ser revistos, compartilhados e vividos novamente a qualquer momento. Hoje vemos como esse amor está unindo o público com o retorno do colecionismo de figurinhas.
O impacto do torneio vai além da cultura e da emoção, segundo projeções financeiras da FIFA, a Copa do Mundo de 2026 deve gerar cerca de US$ 8,9 bilhões em receitas totais, incluindo aproximadamente US$ 1,8 bilhão em direitos de marketing. No Brasil, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta uma movimentação de R$ 4,32 bilhões no varejo nacional durante o período da competição, o que abre oportunidade para o mercado nacional crescer exponencialmente.
O futebol não mudou muito em sua essência. Ainda temos o mesmo princípio de 22 jogadores em campo, uma bola e um sonho. O nervosismo de esperar o time entrar em campo ainda corre nas veias do torcedor brasileiro, seja pelo streaming, pela televisão ou no estádio. Em ano de Copa do Mundo, voltamos para aquele espaço onde tudo o que importa é o som da torcida e o grito de gol.



