Encontro em Goiás debate diversidade e acessibilidade na criação de jogos

9º Mulheres nos Jogos reuniu criadoras e desenvolvedoras e ajudou a reforçar presença feminina no setor
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Foto: Divulgação

Quem trabalha com jogos eletrônicos sabe que boa parte das oportunidades começa de um jeito pouco glamoroso: alguém apresenta uma ferramenta, outra pessoa compartilha uma experiência… No meio da conversa surge uma parceria que dificilmente aconteceria em um processo seletivo tradicional. Foi com essa proposta que o 9º Encontro Mulheres nos Jogos Goiás aconteceu no domingo (26) na Imageria Criativa, em Goiânia.

Gratuito e aberto ao público, o evento reuniu pessoas interessadas em jogar, criar e trabalhar com games, com atenção especial às mulheres e a outros grupos que ainda encontram pouco espaço na indústria.

A programação combinou conversas sobre desenvolvimento, diversidade e acessibilidade com uma atividade prática de criação de jogos. A ideia era aproximar pessoas que já trabalham no setor de quem ainda procura uma maneira de entrar nele, seja como artista, programadora, roteirista, game designer, jornalista ou desenvolvedora.

Criar jogos e contar a própria história

Um dos pontos centrais da edição foi a oficina ministrada por Michelle Santos, criadora do jogo NEVE. A atividade apresentou o Construct 3, uma ferramenta de desenvolvimento que permite criar jogos sem exigir conhecimentos avançados de programação.

Durante a oficina, as participantes trabalharam na criação de um jogo experimental, combinando recursos digitais e técnicas artesanais.

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“Quando dominamos ferramentas acessíveis como o Construct, deixamos de ser apenas consumidoras e passamos a projetar nossas próprias cosmovisões, estéticas e mecânicas. Fazer um jogo é um ato de independência criativa”, explicou Michelle na divulgação do encontro.

Existe algo especialmente importante em colocar ferramentas de criação nas mãos de pessoas que, por muito tempo, foram tratadas pela indústria apenas como público consumidor.

Mulheres jogam, acompanham lançamentos e movimentam comunidades há décadas. Ainda assim, quando a conversa chega a quem desenvolve, dirige ou decide quais histórias serão contadas, a presença feminina continua recebendo um tratamento quase excepcional.

Saber usar uma ferramenta não resolve, por si só, as desigualdades do mercado. Mas pode ser o começo de um portfólio, de uma colaboração ou simplesmente da percepção de que criar um jogo também é uma possibilidade real.

Acessibilidade no desenvolvimento

O encontro também contou com a participação de Mika Fran, fundadora da Purãga Estúdio e diretora de Diversidade e Acessibilidade da Gameco, Associação dos Criadores de Jogos de Goiás. Mulher trans, intérprete de libras, pixel artist e game designer, Mika compartilhou sua trajetória profissional e falou sobre a relação entre criação, identidade e acessibilidade.

“O videogame é uma das mídias mais potentes do nosso tempo, mas o seu potencial pleno só é alcançado quando democratizamos quem o constrói”, afirmou.

Para ela, aproximar game design, pixel art e acessibilidade também é uma escolha política. Isso significa pensar em quem consegue jogar, em quais corpos aparecem nas narrativas e em quem participa das decisões criativas desde o início do projeto.

A acessibilidade ainda costuma entrar nas discussões como um recurso adicional, considerado quando o jogo já está praticamente pronto. Na prática, essa lógica limita as soluções possíveis e mantém parte do público do lado de fora. Quando pessoas com diferentes experiências participam da criação, o próprio desenvolvimento passa a fazer perguntas melhores.

Encontros locais importam

O Encontro Mulheres nos Jogos Goiás faz parte de um movimento maior de comunidades que buscam reduzir a distância entre querer trabalhar com games e saber por onde começar.

Também sou embaixadora individual da Women in Games, organização internacional dedicada à construção de um ambiente mais justo, seguro e igualitário para mulheres e meninas na indústria. Entre as funções de quem integra o programa está justamente ampliar essas discussões e fortalecer iniciativas nas próprias comunidades.

É fácil tratar a presença feminina nos games como uma pauta abstrata ou restrita às grandes empresas. Encontros como o realizado em Goiânia mostram outra parte dessa história. A mudança também acontece em oficinas, associações locais, pequenos estúdios e conversas entre pessoas que ainda estão descobrindo qual lugar podem ocupar nesse mercado.

A nona edição foi organizada por Angra Caroline, Anna Toledo, Glaupe Cabral, Isabela Canêdo, Larissa R. C. Borges, Michelle Santos e Mika Fran. A iniciativa faz parte da Gameco e contou com o apoio da Imageria Criativa, da InvictusRPG, da Interativa Comunicação e da InterCena.

A página oficial do evento continua disponível na Sympla. Mais informações sobre o programa internacional de embaixadores podem ser encontradas no site da Women in Games.

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