Ecossistema gamer: a nova fronteira de conexão entre marcas e consumidores 

Do entretenimento à construção de identidade digital, universo gamer se consolidou como espaço de conexão autêntica entre marcas e audiência
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Foto: Canva

O ecossistema gamer deixou de ser apenas uma plataforma de entretenimento para se tornar um território estratégico de construção de marca. Durante muito tempo, o mercado enxergou os games apenas pelo viés da audiência: quantos jogadores existem, quantas horas passam jogando ou qual o tamanho da indústria. 

Porém, a transformação mais relevante acontece em outro lugar: na formação de comunidades altamente engajadas, culturalmente influentes e cada vez mais conectadas com comportamento, consumo e identidade. 

O Brasil representa um dos exemplos mais relevantes desse movimento. O País já ultrapassa a marca de 100 milhões de jogadores e segue entre os maiores mercados consumidores de games do mundo. Estudos recentes da All Correct Games indicam que a receita do setor no Brasil deve ultrapassar US$ 5 bilhões nos próximos anos, impulsionada principalmente pelo mobile, streaming e crescimento do consumo digital.  

Mas o dado mais importante talvez não seja econômico. O verdadeiro valor do ecossistema gamer está no nível de pertencimento que ele gera. Games deixaram de ser apenas produtos para se tornarem ambientes sociais. Jogar hoje significa participar de uma comunidade, acompanhar criadores, compartilhar repertório cultural e construir identidade digital. 

É exatamente por isso que marcas tradicionais têm encontrado dificuldade em dialogar com esse universo. Ainda existe uma visão excessivamente publicitária sobre games, baseada em interrupção e exposição. Só que comunidades gamers funcionam de maneira diferente. Elas valorizam autenticidade, participação e legitimidade cultural. Nesse ambiente, relevância pesa mais do que alcance. 

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Um relatório da Dentsu de 2025 reforça essa mudança ao defender que as empresas precisam abandonar o “moment marketing” para adotar uma lógica de “fandom-first”.  

Os exemplos mais bem-sucedidos do mercado seguem justamente essa lógica. Não se trata apenas de inserir publicidade dentro dos jogos, mas de entender como as dinâmicas culturais do ecossistema gamer influenciam música, moda, entretenimento e comportamento digital. 

Atualmente, organizações de esports operam como hubs de influência cultural. Streamers funcionam como formadores de opinião com níveis de confiança muitas vezes superiores aos de celebridades tradicionais. Plataformas como RobloxFortnite e Minecraft se consolidaram como ambientes de convivência social e expressão criativa. 

A própria concentração de atenção ajuda a explicar esse fenômeno. Dados da Newzoo mostram que 80% do tempo gasto pelos jogadores está concentrado em um grupo relativamente pequeno de games, o que fortalece ainda mais o poder das comunidades estabelecidas em torno desses ecossistemas. Isso muda completamente a lógica de atuação das marcas.

O desafio deixa de ser “como anunciar para gamers” e passa a ser “como gerar valor dentro de comunidades que já possuem códigos, linguagem e cultura próprios”. 

Nesse contexto, as iniciativas mais relevantes são aquelas que conseguem participar organicamente da conversa. Seja apoiando creators, investindo em experiências, cocriando produtos ou ajudando comunidades a crescerem. Não é coincidência que muitas organizações gamers tenham expandido suas operações para moda, música, lifestyle e entretenimento. O ecossistema gamer se tornou transversal.  

Outro ponto importante é entender que gaming não é mais nicho. O comportamento gamer influencia gerações inteiras de consumidores digitais. Especialmente entre Gen Z e Gen Alpha, a lógica de comunidade, interação constante e construção coletiva de identidade se tornou padrão. Em muitos casos, os games funcionam hoje como a principal porta de entrada para socialização digital. 

O ecossistema gamer representa talvez uma das maiores mudanças na relação entre marcas e audiência nos últimos anos. Porque ele exige algo que o consumidor atual valoriza cada vez mais: presença legítima dentro das comunidades, e não apenas comunicação voltada para elas.

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