“Aqui o pessoal compra, leva e se pedir, eu tô autografando”. Eddy Antonini, head da linha Zeenix da TecToy, brinca ao revelar que a versão mais potente do PC portátil, a Pro, podia ser adquirida durante o evento Retrocon – anteriormente, foi anunciado que a nova máquina podia somente ser testada e encomendada durante o evento.
A TecToy levou um pequeno estoque de produtos da linha Zeenix ao seu estande no encontro de fãs de games retrô, que ocorreu de 25 a 27 de julho, em São Paulo. Isso incluiu, além do Zeenix Pro, vendido a R$ 4999, a versão Lite (lançada originalmente em dezembro) e acessórios customizados, como mouse e teclados. Ausente do line-up, apenas o Zeenix Pro Controller, um joystick Bluetooth prometido para “breve”.
Durante o segundo dia de Retrocon, Antonini falou ao The Gaming Era sobre os percalços enfrentados para introduzir no mercado uma versão mais cara, ainda que mais potente do Zeenix – entre eles, a influência da crise das tarifas, o “fogo amigo” de ex-funcionários da TecToy e repercussões nas redes sociais.
Confira a conversa a seguir.
The Gaming Era: Quando conversei com vocês sobre o Zeenix, em dezembro passado, a previsão seria a de lançar o modelo Pro em algum momento de 2025. Isso aconteceu de fato, mas somente sete meses após o lançamento da versão Lite. Vocês já sabiam que levaria tanto tempo?
Eddy Antonini: A gente já tinha a ideia de lançar primeiro o Lite, depois o Pro. Apesar de terem a mesma carcaça, por dentro são aparelhos bem diferentes, são outras regras e certificações, e por isso acabou levando mais tempo. Foi bem pouco mais tarde do que o esperado, mas ainda dentro das expectativas.
TGE: Você acha que houve quem já estivesse interessado no Zeenix, que viu o lançamento antecipado da versão Lite e pensasse: “Vou esperar o Pro”? Quais feedbacks receberam nesse sentido?
Eddy Antonini: Isso que você falou se concretizou de fato. As pessoas viram a disponibilização do Lite para comprar, e muitas falaram, inclusive no próprio canal de Discord do Zeenix: “Vou esperar o Pro”. Para não mentir, teve uma única pessoa que falou: “Comprei o Lite, mas vou acabar comprando [também] o Pro, porque vi que tem diferença”.
Mesmo na Retrocon, muitas pessoas me disseram: “Eu vi o Lite, mas estava aguardando o Pro sair” – e compraram aqui no evento, da minha mão.
TGE: A grande questão da atualidade é como tudo está caro e vai ficar ainda mais caro. Como a instabilidade econômica global dos últimos meses (e as tarifas) influenciaram não apenas o lançamento do Zeenix Pro, mas também seu preço? E quão próximo esse valor é do que vocês planejavam no ano passado?
Eddy Antonini: Quem está acostumado ao processo industrial sabe que preços são fechados em determinados momentos e isso acaba “ficando”. Sem entrar em muitos detalhes das negociações da TecToy, as últimas coisas que aconteceram no mundo inteiro não influenciaram nos valores do Zeenix, tanto do Lite quanto do Pro.
Quando falamos dessa tensão global de negócios, os ciclos de logística e de entregas mudam. Obviamente, tivemos de nos adaptar a isso, como qualquer outra empresa que trabalha com importação precisa fazer. Do ponto de vista de valores, nada mudou: nós continuamos com o planejamento original.
A gente sabe que todo mundo que produz eletrônicos terá dificuldades muito maiores, principalmente por causa dos preços de módulos de memória, tanto RAM quanto memória SSD de armazenamento flash, e [também da] a questão das terras raras. Mas, para nossa linha de produtos, o que aconteceu nas últimas semanas não teve influência no preço, nem no timing.

TGE: O valor de lançamento pode determinar o sucesso de qualquer empreitada no mercado de games. O preço torna-se um assunto quente entre os consumidores, muito mais do que exatamente uma barreira para se comprar ou não – vide o que aconteceu com o Nintendo Switch 2. A TecToy está cobrando R$ 4999 pelo Zeenix Pro. Imagino que o processo de chegar a esse valor envolveu a preocupação sobre o quanto falariam sobre isso nas redes sociais…
Eddy Antonini: A discussão de preço é contínua, porque nesse 2025 em que estamos vivendo, tudo muda a cada dia. E seria irresponsável de nossa parte dizer que o preço não é uma preocupação, porque sempre é – exatamente pelos motivos que você falou. Uma coisa muito interessante da globalização e da internet é que todo mundo tem voz. Todos podem falar e opinar, o que é muito interessante, e por causa disso entra a preocupação nessa discussão.
Obviamente, as pessoas já sabem muito bem que o Switch 2, que você citou, não é um ponto de comparação, porque são hardwares diferentes, de propósitos diferentes. De um lado, há um produto que é exclusivamente um console; do outro lado, temos o Zeenix Pro, que é um PC em formato de console, com funções de console, mas que é multifuncional – inclusive pode ser usado como um desktop.
E quando nos comparamos a outros players – temos um preço de R$ 4.999, que pode ser parcelado em 12 vezes sem acréscimos, e isso é importante em um país como o nosso –, a gente sabe que oferece uma vantagem de valor sobre qualquer produto da mesma categoria. Com isso, nós mantemos uma tranquilidade que foi refletida em tudo o que vimos desde ontem, tanto na internet quanto aqui [na Retrocon], com o público falando cara a cara conosco.
E o pessoal ficou feliz, muito contente. Estamos no Brasil em 2025, ou seja, um país com condições muito extremas no que diz respeito a poder gastar dinheiro ou não. E mesmo assim, o público falou: “Eddy, esse preço tá legal, tá compatível”.

TGE: Quando conversamos em dezembro, vocês não estavam preparados para a tempestade que viria acontecer depois, ou seja, assuntos internos que vazaram nas redes sociais e saíram na imprensa. Além do desafio de introduzir produtos novos que recebem críticas por seus preços, vocês ainda tiveram esse “fogo amigo” – a saída do ex-gerente de marketing e as repercussões que vieram a seguir. Como lidar com tudo isso e ainda conseguir sorrir nas entrevistas?
Eddy Antonini: Você está falando isso porque estou sempre sorrindo, né? [risos] Eu estou sempre sorrindo porque, primeiro, é a TecToy. É um prazer, uma honra e um privilégio estar trabalhando em um projeto como esse.
Todo projeto tem dificuldades e envolve muitas pessoas, e não existe um pensamento único entre todas elas. Cada um tem a sua individualidade. E isso gera acontecimentos.
Como você falou, na realidade atual, esses são produtos custosos. Eu não falo “caro”, porque caro é algo que não tem benefício pelo valor. É custoso, porque é de alto valor, mas vale muito a pena. E transmitir essa comunicação é um desafio.
Nossa missão aqui sempre é lembrar que estamos lançando não só uma dupla de produtos, o Lite e o Pro, mas também uma linha de produtos. A estratégia é perceber o que está acontecendo hoje, aprender um pouquinho, corrigir o curso e focar no aprendizado.
Vamos para frente, porque amanhã é mais um dia de aprender. Qualquer um que não esteja fazendo isso, eu não sei como sobrevive em 2025.
TGE: A TecToy não divulgou resultados da primeira leva de Zeenix Lite vendida desde o ano passado. De maneira geral, o Lite cumpriu as expectativas? E com o Pro, esperam evoluir, numericamente falando? Até porque houve especulação de que o Lite não havia ido tão bem e que vocês “puxariam o freio” com o Pro.
Eddy Antonini: Não é [costume] da gente divulgar esse tipo de número, mas com relação a expectativas, o Lite as atendeu e continua as atendendo. Tanto que, como você mesmo disse, andaram falando “eles vão parar” e tudo mais. Os rumores, como se viu, eram falsos. Afinal, estamos aqui lançando o Pro.
Obviamente, estamos só no segundo dia [de Retrocon], mas estou com medo de não ter unidades para amanhã, porque está todo mundo querendo levar agora. Eu ainda não puxei relatório do site, mas a gente estava com expectativas altas para o Pro, e elas foram superadas, tanto dentro da feira quanto fora. E estamos muito ansiosos para ver como vão ser esses próximos dias, semanas, meses.



