Se um dos objetivos de Roblox durante a Roblox Creator Series América Latina (RCS Latam), realizada durante a semana passada em São Paulo, capital, era atrair mais desenvolvedores da região para seu ecossistema, nada mais natural que colocar alguns criadores bem-sucedidos na plataforma para falar. Ao longo do dia, painéis e apresentações abordaram temas caros para esses profissionais – que em alguns casos já se tornaram donos de estúdios especializados.
No Brasil, segunda própria Roblox, o número de desenvolvedores com renda gerada na plataforma cresceu 61% no último ano, e o País conta com mais de 1.650 jogos criados localmente que ultrapassaram a marca de um milhão de visitas acumuladas. O próprio The Gaming Era, ao longo dos últimos anos, tem verificado o aumento de empresas e equipes dedicadas, mesmo que em parte, a criar experiências para o jogo.
O movimento não é por acaso, claro. Games como Roblox remuneram criadores com fatias das vendas feitas na plataforma e pelo engajamento que geram, seja em experiências ou na transação de itens dentro dos jogos. Segundo a própria Roblox, os 10 maiores criadores faturaram uma média de US$ 65,7 milhões de dólares no último ano, enquanto o “top 100” conseguiu US$ 10,8 milhões. (Mas nem todos conseguem esse sucesso, é claro: no mundo são mais de 42 mil criadores com ganho médio de US$ 1.500).
“Queremos que vocês continuem se conectando para criarem cada vez mais”, convidou no palco a gestora de desenvolvimento de comunidades para Roblox no Brasil, Isabela Rizzo. “Quem quer estar por dentro dos eventos de Roblox pode entrar para o fórum de criadores em português para se conectar com outras comunidades em outros idiomas.”

O convite não é fortuito. Os organizadores do evento convidaram criadores de outros países (EUA e Argentina) e do Brasil para falar das próprias experiências ao criar jogos de sucesso global dentro de Roblox. O argentino Roytt é o criador do popular jogo de terror e sobrevivência Animal Hospital e deu seu depoimento, e ressaltou que apoio da comunidade e a colaboração com outros criadores foram importantes para o jogo.
“(…) consegui encontrar na minha comunidade próxima, na Argentina, amigos que compartilhassem os mesmos interesses e conhecimentos parecidos para poder debater ideias. Nem sequer trabalhávamos juntos – eu continuava trabalhando sozinho -, mas para debater problemas, ou quando eu estava projetando algo e precisava de uma segunda opinião. Isso foi o que mais me ajudou: poder compartilhar com alguém, ter esse debate e outro ponto de vista tentando me ajudar a buscar uma solução”, contou ele, no palco.
O brasileiro Leonardo Vasques, engenheiro de software na Voldex e desenvolvedor do jogo Brookhaven, também falou com os criadores na plateia. Contou que começou a carreira no mundo corporativo, como especialista em TI, longe do mundo dos jogos que ele tanto amava (especialmente RPGs japoneses). Começou a criar em Minecraft, em 2020, e entrou na Roblox pouco depois. Em 2022, participou da primeira Roblox Developers Conference (RDC), conferência nos EUA que anuncia as principais novidades para criadores. O sucesso na plataforma permitiu a ele mudar de carreira de vez.
“Lá, por meio da conexão com as pessoas, comecei a ter mais oportunidades, conversar com pessoas diferentes. Esses eventos são muito importantes porque, mesmo no mundo digital, nada substitui a interação humana pessoal”, explicou Vasques. “Esse engajamento fomenta muito e traz mais visibilidade para a Roblox e para o desenvolvimento de jogos no Brasil como um todo.”
Para o criador brasileiro, é fundamental para quem queira seguir seus passos que aprenda o idioma inglês, porque “é um mercado global, é preciso ir às conferências e conhecer gente de estúdios de todo mundo”. Também recomendou que os criadores arrisquem, comecem projetos e “tentem terminar, ou pelo menos aprender alguma coisa com aquilo”.
“Mesmo veteranos também sofrem em projetos novos, não existe fórmula mágica. Não se sabe como os jogadores vão se comportar ou a próxima tendências. É preciso aprender com o que foi feito, encontrar os erros, partir para a próxima e continuar se esforçando”, disse o criador da Voldex.



