Bruno Niro: Gamers Brawl quer ter mais 10 títulos no ecossistema até 2027

Plataforma afasta comparações com bets e fala ao TGE, durante a Brasil Game Show de 2026, sobre a parceria com a paiN Gaming
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Bruno Niro, CEO da Gamers Brawl. Foto: Divulgação

A Brasil Game Show de 2026 aconteceu entre 9 e 12 de outubro no Distrito Anhembi, em São Paulo. Apesar de algumas críticas pelo que foi considerada uma ausência de atrações e redução do número de estandes, o evento ainda carrega a fama de ser a maior feira de games da América Latina. O The Gaming Era teve a oportunidade de conversar com alguns expositores e, entre eles, esteve o CEO da Gamers Brawl, Bruno Niro, que visa premiar jogadores por suas habilidades em jogos competitivos.

A iniciativa nasceu em março de 2025 e busca unificar jogos competitivos, especificamente League of Legends, Counter-Strike 2, Valorant e PUBG. A empresa pretende ter pelo menos mais 10 títulos competitivos na plataforma até o próximo ano. Além da presença no universo online, a Gamers Brawl também é uma das principais patrocinadoras da paiN Gaming, tradicional organização de eSports presente em alguns dos jogos na Gamers Brawl.

Outra estratégia adotada pela marca é a parceria com influenciadores digitais, entre eles, o criador de conteúdo gORDOx, que é o embaixador master da Gamers Brawl.

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Durante a entrevista, Bruno destacou a principal diferença entre a Gamers Brawl e as casas de apostas esportivas que, antes da proibição por meio de medida provisória, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro de 2026, também patrocinavam equipes de esporte eletrônico. Segundo ele, diferentemente de Gamers Brawl, esses espaços digitais consideravam muito mais os acontecimentos decorrentes de ações de terceiros do que aspectos específicos de cada jogador.

Niro conversou com o The Gaming Era sobre o projeto, em entrevista concedida na Brasil Game Show 2026. Confira:

The Gaming Era: É a primeira participação de vocês em um evento grande como a BGS ou já tiveram experiência anterior? Como é esse processo para a Gamers Brawl?

Bruno Niro: Na verdade, a BGS é o segundo evento de grande porte que realizamos. Em julho, participamos do Sana, em Fortaleza, que é o maior evento gamer do Nordeste. Foi a nossa primeira experiência em grande escala, onde fomos muito bem acolhidos pelo público nordestino. A excelente energia do evento motivou a decisão de participar também da BGS no mesmo ano.

TGE: Como a paiN Gaming se beneficia da parceria com a Gamers Brawl e como começou a construção dessa aliança?

Niro: A paiN Gaming é uma das maiores e mais referenciadas organizações do Brasil no cenário competitivo, acumulando 15 anos de trajetória. Estruturamos toda a nossa estratégia de marketing e imagem ao redor do cenário de eSports. A negociação foi estratégica para demonstrar ao público da paiN e ao mercado a real intenção da Gamers Brawl.

A paiN se beneficia da parceria não só pela questão financeira, mas pelo alinhamento cultural de paixão pelos games. Como ambas as marcas buscam crescer no setor, nossos objetivos se uniram.

TGE: Por que a escolha específica pela paiN Gaming para essa parceria institucional?

Niro: A aliança com a paiN Gaming uniu estratégia comercial e paixão pessoal. Acompanho há anos o cenário competitivo, especialmente a equipe de Counter-Strike da paiN. A torcida da paiN é extremamente apaixonada e engajada, abraçando ativamente as iniciativas do clube. Unimos essa forte presença de comunidade ao carinho pela história da organização.

TGE: Como você avalia a relação da paiN Gaming com a sua comunidade e de que forma isso reflete na Gamers Brawl?

Bruno: A paiN mantém um relacionamento muito próximo com seus torcedores, e a comunidade retribui essa atenção de forma intensa e positiva. Esse engajamento orgânico reflete diretamente nos parceiros da organização, trazendo forte visibilidade tanto no ambiente digital quanto em ativações presenciais em eventos.

TGE: Falando sobre eSports e o mercado competitivo no Brasil, recentemente o setor sentiu a proibição dos patrocínios das casas de apostas online. Como a Gamers Brawl se difere dessas plataformas de apostas virtuais e como vocês apresentam essa proposta aos jogadores?

Niro: A principal diferença em relação às apostas de cotas fixas (bets e jogos de azar) está na essência do modelo de negócio. As plataformas de apostas são baseadas em sorte ou azar, onde o usuário aposta no resultado de um terceiro. Na Gamers Brawl, o resultado de qualquer disputa depende única e exclusivamente da habilidade e performance do próprio jogador na partida.

O usuário compete com base em sua própria capacidade, em um formato similar a um campeonato. Além disso, o jogador sempre compete contra outra pessoa, nunca contra a banca ou a casa. A Gamers Brawl não se beneficia financeiramente da derrota do usuário: nosso modelo é baseado em “take rate” (taxa percentual sobre a participação nas disputas), garantindo total isenção sobre quem vence ou perde.

TGE: Como você avalia a concorrência nesse mercado? Existem plataformas brasileiras semelhantes ou cases internacionais que serviram de inspiração?

Niro: Existem plataformas brasileiras no mercado, mas com modelos voltados a cumprir desafios diretamente contra a própria casa. A Gamers Brawl inspirou-se em modelos internacionais (como plataformas dos Estados Unidos) baseados em ligas.

Sendo jogador de CS e fã de competição, percebia que muitas plataformas pecavam pela falta de automação e rapidez. Construímos a Gamers Brawl para ser dinâmica, rápida e automatizada. No formato 1×1, assim que a partida é concluída, a plataforma lê os dados automaticamente e indica o vencedor instantaneamente.

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Representação das “batalhas” na gamers brawl. Imagem: Divulgação

TGE: Quais modalidades e jogos já estão disponíveis na plataforma atualmente e qual é o plano de expansão para novos títulos de esports?

Niro: Atualmente, a Gamers Brawl conta com três dinâmicas de disputa e integração com dois grandes títulos: League of Legends (LoL) e Counter-Strike (CS). Nosso plano de expansão prevê a inclusão de pelo menos 10 títulos competitivos principais na plataforma até o próximo ano.

TGE: Como vocês faturam? Qual o modelo de negócios da Gamers Brawl?

Niro: O modelo de negócios é simples e sustentado pelo take rate. Em qualquer modalidade disponível (ligas, campeonatos ou partidas 1×1), a plataforma retém uma taxa percentual sobre os valores envolvidos na disputa. No futuro, pretendemos expandir para novos formatos de monetização, como parcerias com publishers e organizações para criar campeonatos customizados, mas hoje a operação é mantida unicamente pelo take rate.

TGE: Vocês trouxeram o influenciador Gordox para o estande na BGS. Como enxergam o mercado de criadores de conteúdo e o potencial do marketing de influência para expandir a marca?

Niro: O Gordox é o embaixador oficial da Gamers Brawl desde o início do projeto e é um dos pilares históricos do cenário de eSports no Brasil. Como atuo no mercado de marketing de influência há quase 13 anos, vejo na prática a importância dos criadores para construir credibilidade, atrair novos usuários e, principalmente, explicar o produto.

No nosso caso, os influenciadores ajudam na comunicação pedagógica ao explicar para o público que a Gamers Brawl não é uma bet. Também trabalhamos com criadores focados em nichos específicos como Valorant, Free Fire e PUBG.

TGE: Como a plataforma realiza a verificação de idade para garantir que apenas maiores de 18 anos participem das disputas?

Niro: A entrada de menores de 18 anos é proibida na Gamers Brawl por questões legais, éticas e de direcionamento de público. Para garantir esse cumprimento, adotamos o processo de KYC (Know Your Customer), similar ao procedimento utilizado por bancos para abertura de contas.

O usuário deve enviar documento oficial e realizar reconhecimento facial por meio de um sistema terceiro homologado. Somente cadastros aprovados no KYC recebem permissão para participar das disputas na plataforma.

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