Ameaça ao x86? Nvidia aposta no RTX Spark como novo padrão no PC, inclusive em jogos triplo A

Notebooks com chip ARM chegam aos EUA em 16/10 – e ao Brasil em novembro – com foco em IA e promessa de atender gamers exigentes, mesmo em momento de crise no mercado de hardware
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O RTX Spark em detalhes. Foto: Divulgação, Nvidia

A Nvidia anunciou essa semana uma série de novidades para sua plataforma RTX Spark, que inclui chips do tipo SoC (System on Chip) anunciados para dispositivos pessoais durante a Computex em junho com a promessa de “reinventar os PCs Windows”. Os primeiros equipamentos com a novidade, vindos de fabricantes diversos – incluindo Acer, Asus, Dell, HP, Lenovo, Microsoft, MSI e Gigabyte, com designs que vão de notebooks finos a desktops compactos – chegam ao mercado na sexta-feira (16) nos EUA.

(Nenhum fabricante confirmou modelos de equipamentos com o chip no Brasil até a data de publicação desse texto. Segundo a assessoria de imprensa da Nvidia, a previsão é que os primeiros cheguem ao País a partir de novembro, ainda esse ano.)

Trata-se de um processador pensado para rodar cargas de inteligência artificial e baseado em ARM, desenvolvido em parceria com a MediaTek. Ele conta com GPU integrada baseada em arquitetura Blackwell – na prática, trata-se de um concorrente dos chips Snapdragon X, da Qualcomm, anunciados em 2024. A arquitetura promete até 6.144 núcleos CUDA na versão mais potente (com variantes mais modestas) e desempenho gráfico equivalente a uma RTX 5070, com até 128 GB de RAM unificada (LPDDR5X) e largura de banda de até 300 Gbps.

Como tudo que a Nvidia toca já há muitos anos, o dispositivo tem foco em IA, e promete ter sido desenvolvido “especificamente para agentes pessoais” e buscando alta eficiência energética. Talvez por isso pouca gente envolvida com jogos digitais prestou atenção na proposta, considerando que a maioria absoluta dos jogos atuais (com exceção óbvia dos que rodam em dispositivos móveis) foi pensada para a arquitetura x86.

Isso significa que a transição dos games (e outros softwares, incluindo para design gráfico e outros trabalhos pesados) para equipamentos com processadores baseados em ARM exige um trabalho de compatibilidade – que pode ser bastante custoso no longo prazo. É interessante lembrar que a Nvidia é parceria da Nintendo no hardware do Switch 2, que tem arquitetura ARM e tem sido elogiado por sua performance com jogos mais exigentes graças a tecnologias como o DLSS.

No entanto, a Nvidia tem desde o início dito que a Spark é também uma plataforma para games. Prometeu, entre outras coisas, que a novidade conta com “todo o stack de IA e gráficos” para “desenvolvedores de IA e gamers”. A promessa é capacidade de renderizar cenas 3D “ultragrandes”, editar vídeo 12K, executar modelos de linguagem de 120 bilhões de parâmetros e “jogar títulos AAA em resolução 1440p acima de 100 quadros por segundo com ray tracing, DLSS e Reflex”.

Poucos dias antes da data de lançamento, a Nvidia divulgou que os notebooks com RTX Spark chegam ao mercado com “centenas” de jogos disponíveis, incluindo lançamentos como CONTROL Resonant, Gears of War: E-Day e NBA 2K27, além de jogos ainda tecnicamente desafiadores como Cyberpunk 2077, entre outros. A empresa diz que eles contarão com “o conjunto completo de tecnologias RTX”.

A empresa diz ter colaborado com desenvolvedores de jogos para habilitar o suporte a sistemas antitrapaça de títulos multiplayer populares, como Fortnite, Marvel Rivals, Genshin Impact e Naraka: Bladepoint. O DLSS 5, disponível desde o lançamento, promete facilitar o trabalho de renderização de jogos ao aprimorar iluminação e materiais em jogos usando IA, além de gerar quadros para mais fluidez. Além disso, jogos como Call of Duty: Modern Warfare 4 e outros devem receber suporte ao DLSS 5 na plataforma Spark nos próximos meses.

Durante a Gamescom de Colônia, na Alemanha, em agosto, a Nvidia havia anunciado uma parceria com diversas grandes publishers em torno da tecnologia RTX Spark. Estão na lista Electronic Arts, Embark e Ubisoft, somando-se a uma lista que já contava com Krafton, NetEase, Riot Games e Xbox.

Lista de publishers com apoio declarado ao RTX Spark. Imagem: Reprodução, Nvidia

Em outro comunicado, a Nvidia também disse que parceiros de software estão disponibilizando atualizações para a plataforma, incluindo novos modelos de inteligência artificial, ferramentas para agentes e outros recursos e aplicativos compatíveis com RTX. As atualizações começaram na terça-feira (13) e serão disponibilizadas ao longo das próximas semanas.

A lista pode ser consultada nesse link, e inclui motores gráficos para jogos (como Unity e Unreal) e ferramentas para criadores, como Blender, OBS Studio, Canva e Figma, entre vários outros.

Apesar de ainda tímido, o segmento de notebooks com processador ARM tem conquistado espaço no mercado dos EUA, segundo consultorias especializadas, e já contam com ampla disponibilidade nos varejistas do Brasil. O foco em IA os coloca na categoria “AI PC”, que também inclui equipamentos com processadores x86. No entanto, seja qual for a arquitetura do processamento, a categoria vinha atraindo poucos gamers, segundo muitos dos executivos do setor já ouvidos pelo The Gaming Era ao longo dos últimos anos.

Resta saber se a Nvidia conseguirá mudar esse cenário com a Spark.

Crise e GPUs

Outra pergunta inevitável com o lançamento da RTX Spark é se, no futuro, chips SoC dessa categoria ocuparão parte do espaço hoje das grandes placas gráficas. Não é o que a Nvidia promete oficialmente, claro, mas o questionamento se junta aos rumores dessa semana que apontam que a empresa teria interrompido a fabricação de sua placa mais potente, a caríssima RTX 5090, incluindo variantes destinadas ao mercado chinês, para dedicar linhas de produção à equipamentos para data centers.

A informação foi publicada pelo site Tom’s Hardware essa semana, citando um leaker chinês que diz ter informações de uma fábrica não identificada. Um segundo leaker teria confirmado a afirmação, dizendo que o chip GB202, que equipa a RTX 5090, será utilizado exclusivamente em placas voltadas para data centers e uso profissional de agora em diante. Procurada pelo The Gaming Era, a Nvidia disse não ter posicionamento oficial sobre o tema.

Além disso, uma atualização da linha RTX 50 para a série “Super” — que, segundo rumores, seria uma RTX 5080 de 24 GB — teria sido adiada devido a restrições no fornecimento de memória. Para ampliar o cenário de crise, rumores indicam que a futura série RTX 60 da Nvidia, baseada em arquitetura Rubin, ocorreria apenas no fim de 2027, ou mesmo no começo de 2028.

Nesse contexto, é possível supor que a Nvidia esteja ela própria criando alternativas que não exijam as caras e gastadoras de energia placas gráficas dedicadas, tão queridas por gamers e profissionais gráficos diversos. Resta saber se esse tipo de solução será de fato adotada por quem gosta de jogar no PC.

Para sermos justos, a escassez de memória é um problema que afeta toda a indústria de hardware e já ampliou preços também de consoles. Há rumores de que uma nova versão do PlayStation só chegaria ao mercado em 2028 ou 2029, e a Microsoft também segue silenciosa sobre o próximo Xbox, por enquanto chamado de Project Helix. A Valve, que lançou recentemente uma nova versão da Steam Machine, também admitiu ter tido seus planos afetados pela falta de memória no mercado.

* com informações dos sites Adrenaline, Tom’s Hardware e GamesIndustry.biz

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