Zelda Ocarina of Time: sucesso na divulgação, caos da pré-venda no Brasil

Após Direct que reacendeu empolgação pelo remake, estoques esgotados e pedidos cancelados deixam fãs brasileiros frustrados
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Edição especial de 40 anos do Switch 2. Imagem: Divulgação, Nintendo

E quando o marketing de um produto funciona tão bem a ponto de gerar interesse maior do que o previsto, e isso resultar em conversa negativa sobre o produto? É exatamente o que está acontecendo no Brasil com o remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time. A pré-venda do game e toda a linha de produtos especiais temáticos em celebração aos 40 anos da série estão marcados por comentários negativos.

O anúncio morno do projeto em junho foi sucedido por uma apresentação dedicada em setembro que mostrou muitos detalhes de jogabilidade, um trailer nostálgico e emocionante que conseguiu mudar a percepção pública e uma edição especial do game com capa ‘foil’ (tratamento texturizado de efeito metálico na arte). Foi o bastante para incendiar de vez a empolgação dos fãs em relação à aguardada e luxuosa releitura de um dos jogos mais importantes de toda a história, e peça tão querida de toda a mitologia da Nintendo.

Porém, fica a impressão de que tanto a Nintendo quanto as diferentes lojas no Brasil subestimaram muito a intenção de compra e engajamento do público brasileiro. A procura por itens foi imensa, muito acima de qualquer outro lançamento de games dos últimos anos, como relatam diversos gestores de grupos de ofertas em redes sociais.

Quem tentou comprar o jogo na pré-venda em mídia física se frustrou com as mensagens de erro e falta de estoque em todas as lojas (eu mesmo tentei e tive problemas na Kabum e na Shopee antes de dar sorte e conseguir comprar na Amazon). Em questão de poucos minutos os estoques estavam totalmente esgotados.

A situação aconteceu novamente e de forma ainda mais rápida poucos dias depois quando abriu a pré-venda dos acessórios temáticos: console, duas versões do Pro Controller e um case. Os itens simplesmente evaporaram em menos de 5 minutos. Por aqui, eu já tinha deixado links abertos um dia antes dos produtos que eu queria na Amazon e eles nunca apareceram em estoque para mim (as páginas foram direto do estado de ‘pré venda em breve’ para ‘estoque esgotado’).

Com alguma sorte e persistência, consegui comprar uma das edições do Pro Controller pela loja oficial da Nintendo no Mercado Livre e, ao menos até agora, a reserva segue valendo. Acho importante destacar o ‘até agora’ pois nos últimos dias têm surgido dezenas de relatos na internet de pessoas que tiveram pedidos de jogos, consoles e acessórios cancelados sem uma explicação convincente. Sim, da própria loja oficial da Nintendo no Mercado Livre.

A situação piora ao ver que, quando questionada por consumidores e creators, a plataforma dá diferentes respostas para o problema. Para algumas pessoas diz que é falta de estoque, para outras diz que o produto (ainda sequer lançado) estava com avaria e não poderia ser enviado naquelas condições.

Um clima de incerteza perdura entre os fãs mais fiéis e vocais da Nintendo e a falta de comunicação clara e objetiva por parte da empresa é um ponto negativo nessa história toda, na minha avaliação.

Há rumores confiáveis de que haverá reposição dos produtos especiais em 2027, mas não há um comunicado oficial sobre isso ainda. Situação parecida com a cobiçada capa ‘foil’, parte apenas do primeiro lote de cartuchos do remake de Ocarina, mas é difícil saber se lojistas no Brasil ainda conseguem encomendar mais do primeiro lote.

Neste ponto, quero aplaudir e destacar de forma positiva a atuação da Gamer Hut, uma loja especializada em mídia física que fez um ótimo gerenciamento de crise e ‘jogou junto’ com o público. A loja também vende produtos em marketplaces, mas fez questão de separar um grande lote de cartuchos e dividir em lotes menores com dias e horários diferentes de abertura de pré-venda para dar mais chances a diferentes públicos de conciliarem com suas rotinas diárias.

A ideia não resolve a situação, mas mitiga o problema e angaria boa vontade e confiança da galera em relação à loja.

Afinal, foi erro de previsão da Nintendo de não reservar cópias o bastante para o Brasil? Foram os lojistas que não pediram cópias o bastante do jogo? Digo mais: será que a Nintendo forneceu informações o bastante para os lojistas fazerem esse forecast de forma precisa?

Ou será que, mesmo se a previsão para o mercado nacional estivesse correta, haveria unidades o bastante da ‘fita’ para atender o suficiente o fã BR? Já ouvi de várias fontes que há fortes indícios que a maior parte da capacidade de produção de cartuchos da Nintendo está focada em produzir o novo Zelda, a ponto de isso atrapalhar pedidos de produção de outros títulos.

E isso que nem vou entrar aqui em toda o debate sobre o interesse da mídia física nos games de fato estar caindo ou se é mais um interesse que está partindo de algumas publishers… Seja como for, o fato é que, faltando menos de uma semana para a Nintendo marcar presença na Brasil Game Show e apenas cinco semanas para o lançamento do remake de Ocarina, a conversa geral sobre o game no Brasil é negativa.

É muito positivo e importante que esse tipo de lançamento aconteça no Brasil. Dez anos atrás a Nintendo não tinha presença oficial no País e era um sonho absolutamente distante ter capinhas especiais e itens temáticos por aqui. Ainda assim, nada justifica uma confusão tão grande e a falta de informações cristalinas para o consumidor.

Não se questiona mais a qualidade do game em si, mas o acesso a ele está difícil e confuso – e o fã merece muito mais do que isso, especialmente os tão engajados como os nintendistas.

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