Final Fantasy Resonance encanta, mas repete velho erro da Square Enix no Brasil

Inspirado em FFs clássicos, Resonance resgata essência dos JRPGs, mas frustra pela ausência de português brasileiro
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Imagem: Divulgação, Square Enix

Fiquei apaixonado pela demonstração de Final Fantasy Resonance. Baixei em um domingo frio e fiquei mais de quatro horas direto jogando, mas pareceu muito menos tempo de tão gostosa que foi a experiência.

O jogo sai em outubro para PC, Nintendo Switch 1 e 2, PlayStation 5 e Xbox Series X|S e traz uma versão refinada da história de Brave Exvius, um game de celular que joguei MUITOS anos atrás. Ele traz de volta elementos marcantes dos RPGs japoneses (JRPGs) de antigamente, como visual em pixel art belíssimo, cristais mágicos, um mapa-múndi que parece uma maquete e combates por turnos bem estratégicos.

A demo já faz um trabalho magnífico de resgatar e renovar a essência retrô da série, mas entre tanta nostalgia acaba revisitando também um ponto negativo marcante dos antigos Final Fantasy: a ausência de português do Brasil como opção de idioma.

Até o site oficial do jogo está em português, mas o game não. E isso é especialmente mais difícil de entender e aceitar por conta do ótimo momento atual da Square Enix em relação ao Brasil e em um jogo como FF Resonance, que parece justamente tentar apresentar o que a franquia tem de melhor para novos públicos e fisgar fãs fiéis.

Na última década, desde Final Fantasy XV, a Square Enix tem pouco a pouco dado mais suporte ao nosso idioma. FF XV marcou essa estreia nos episódios principais da saga, FF XVI já foi lançado com PT-BR e é extremamente gratificante ver a trilogia remake de Final Fantasy VII apresentar legendas em português brasileiro.

Enquanto Dragon Quest ainda teima em não dar a mínima para a gente, chegou com doce gosto de justiça tardia o anúncio de que Kingdom Hearts 4 vai ser o primeiro da franquia com PT-BR – acho bizarro a Disney ter deixado isso demorar para acontecer, mas isso é papo para outro momento.

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Por sua vez, FF Resonance puxa muitas inspirações dos seis primeiros episódios de Final Fantasy, clássicos imortais do universo dos games que não tinham português em seus respectivos lançamentos, mas ganharam suporte ao idioma na coleção Pixel Remaster. Ou seja, temos as produções de ponta mais recentes de Final Fantasy em PT-BR, os clássicos pixel art também com essa funcionalidade, mas o game que busca convergir fãs de todas essas obras… simplesmente não consegue conversar com a gente.

Minha impressão é de que os projetos principais ‘Triple A’ de Final Fantasy já justificam suporte ao idioma, mas títulos de médio ou pequeno escopo ainda não chegaram lá. Confesso que acho difícil entender.

Claro, é melhor ter títulos em PT-BR, mesmo que alguns fiquem de fora, do que não ter nenhum, como acontece com Dragon Quest. Mas é complicado ver alguma lógica nessa decisão e isso abala muito a confiança entre os fãs e a Square Enix.

Seja como for, felizmente fico feliz de ver a empresa cada vez mais presente no Brasil, e isso certamente aumenta as chances de os executivos responsáveis pelas decisões ouvirem nossos comentários. Só em 2026 a Square Enix marcou presença com estações de jogo na Gamescom Latam e vai participar também do Imagineland, agora em setembro em Campina Grande (PB). Também da Brasil Game Show, em outubro em São Paulo – nestes dois últimos, já com divulgação intensa de Final Fantasy VII Revelation.

Quem sabe o contato com o típico calor do fã brasileiro não sensibilize a Square Enix a disponibilizar uma atualização com PT-BR em Final Fantasy Resonance. Não seria a primeira vez: em 2015, com Final Fantasy XV, o apelo dos fãs e a recepção calorosa na BGS ajudou a convencer a Square Enix a colocar legendas em nosso idioma no lançamento do game, em 2016.

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