Enquanto todas as publishers fugiram do mês de novembro para não bater de frente com o lançamento do tsunami Grand Theft Auto VI, a Nintendo foi para briga: o remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time chega em 5 de novembro, exatamente duas semanas antes do título da Rockstar.
O terreno árido de novembro de 2026 aumenta o destaque desse duelo que considero emblemático. Na minha opinião, Ocarina of Time é o game mais importante do século XX, um título que representa tudo de melhor da evolução dos jogos eletrônicos até então.
Por sua vez, GTA VI é o novo representante da dinastia estabelecida desde GTA 3, de 2001, que considero o jogo mais influente da indústria no século XXI – é só ver como “ação de mundo aberto” ainda é a norma nos jogos de maior sucesso comercial. Muito disso também vem de Ocarina.
Apesar da proximidade dos lançamentos dos games originais décadas atrás, hoje eles se encontram em cantos opostos da arena.
O remake de OoT é a epítome da onda de nostalgia que assola a indústria cultural, não só em games, mas também filmes, séries, livros e muito mais. Investir em uma releitura caprichada de uma obra de sucesso inspira certa segurança e conforto, um retorno mais garantido da grana investida.
Já GTA VI simboliza a indústria hipotética de games. É um jogo que promete gráficos absurdamente realistas e impressionantes, de narrativa cinematográfica e subversiva, ampla variedade de atividades, promessa de um modo online e muito mais. Tenho confiança de que vai entregar isso tudo muito bem, mas é tal qual a aparição de um cometa: raro de se ver.
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Não dá para considerar seriamente que todo jogo deve entregar o que GTA VI pretende, especialmente levando em conta o tanto de investimento de tempo e dinheiro que isso exige.
Seja como for, é uma batalha com resultado já decidido. Não importa qual dos dois vença mais ou tenha a maior nota, é fato que vão vender muitíssimo bem e gerar elogios muito efusivos dos fãs.
O aspecto mais importante, na minha visão, é que eles indicam os caminhos que a indústria vai trilhar nos próximos anos. No fim, e até me contradizendo, é diferente de uma disputa: são dois jogos que lideram uma comunidade ainda perdida, depois de não ter se preparado bem para os inesperados efeitos dos anos de pandemia global.
De um lado nostalgia no capricho e de outro o potencial hipotético materializado. No meio disso tudo? Uma lacuna enorme para jogos indie e títulos de médio orçamento atacarem forte com inovação e ajudar a preencher esse meio de campo bagunçado da indústria de games.
Para encerrar, deixo também um merecidíssimo destaque para a Devolver: a publisher também vai cair para dentro e lançar em novembro o Volvy’s Adventure: Reslimed, jogo de aventura 2D estrelado pelo mascote satírico da empresa. E que parece muito divertido. Além disso, o preço será super acessível para o Brasil, menos de R$ 20 – e, veja só você, aposta forte na nostalgia do início dos anos 1990.



