Estive, em março de 2026, no Startup Day, 12ª edição, com cerca de 300 pessoas. Diante da plateia lotada no Inova USP, o evento organizado pelo Sebrae-SP discutiu o ecossistema de games e o Marco Legal dos Games, incluindo meu livro Videogame Crash. Palestrei ao lado de Luiz Piccini (Wildlife Studios), Dhara Luna (Saturno Software) e o pessoal da HUG. E falamos, sim, sobre internacionalização de games, e também sobre regionalização.

O encontro do Sebrae aconteceu no dia 21 de março. Três dias depois, no dia 24 do mesmo mês, a Epic Games demitiu cerca de mil trabalhadores em nível global. Proprietária da empresa brasileira Aquiris, do Rio Grande do Sul, a Epic vai tirar de circulação o game Horizon Chase (2015) e sua versão para consoles, Horizon Chase Turbo, desenvolvidos inicialmente como um protótipo chamado RETRO-RACERS.
O título de corrida ganhou fama internacional, com trilha de Barry Leitch, de Top Gear (clássico do SNES), e sairá das lojas em primeiro de junho. Horizon Chase 2, desenvolvido em parceria com a Epic, será preservado.
A Epic Games já havia tirado das lojas o título Wonderbox. A empresa americana opera na lógica de manter sua propriedade intelectual mais rentável, Fortnite, e jura que os cortes não têm relação com a inteligência artificial.
Tim Sweeney, o CEO da Epic Games, diz o seguinte em nota oficial: “Já que o assunto está em discussão, devo esclarecer que as demissões não estão relacionadas à IA. Na medida em que ela melhora a produtividade, queremos ter o máximo possível de desenvolvedores incríveis criando conteúdo e tecnologia de ponta.”
O alto escalão da Epic só reagiu depois da imprensa revelar que seu ex-colaborador, Mike Prinke, sofria de câncer cerebral terminal no momento dos cortes. Sua esposa denunciou o caso no Facebook, o site Kotaku cobriu e Sweeney só buscou se explicar depois.
O caso Horizon Chase se conecta com minha palestra no Sebrae. Lá defendi que, além dos interesses da Abragames e da Brazil Games em exportar games brasileiros, que a gente observe e busque preservar o ecossistema nacional de jogos.
Caso contrário, se valer apenas internacionalização a qualquer custo, sofreremos as consequências de ser um país colonizado por grandes potências.
Para além da necessidade de incentivos governamentais por editais, o Estado brasileiro precisa preservar seus games. Em 2017, os jornalistas Pedro Falcão, Fábio Santana e Gus Lanzetta lançaram na Brasil Game Show a Sociedade Histórica de Videogames do Brasil (SHVB), um projeto sem fins lucrativos.
No Drops de Jogos, também mantive a iniciativa Indie BR em 5, uma série de 366 vídeos de jogos indie brasileiros, gravados durante um ano bissexto. Mas essas iniciativas ainda são poucas.
E o Brasil tem que interiorizar seus próprios games, vendê-los melhor em território nacional. Não deixar que o discurso “game é cultura” seja apenas discurso superficial de governos, autoridades ou porta-vozes do setor.



