A Nvidia anunciou nessa segunda-feira (16), durante a convenção anual da marca (GTC), a nova versão da tecnologia de renderização com a IA, a Deep Learning Super Sampling, ou DLSS. A versão 5.0 do modelo ainda está em fase de testes e otimização, mas deve estar disponível nos primeiros jogos já no outono – que começa no hemisfério norte em setembro.
A Nvidia promete que o modelo é capaz de adicionar iluminação e materiais aos pixels em tempo real, aproximando “ainda mais a renderização digital da realidade” e de efeitos cinematográficos pós-renderizados. Os primeiros vídeos de demonstração, publicados no canal do YouTube da empresa, de fato mostram gráficos fotorrealistas de jogos já lançados, incluindo Resident Evil Requiem, Hogwarts Legacy, Starfield e o remake de Elder Scrolls IV: Oblivion.
O DLSS foi lançado originalmente em 2018, e utiliza o hardware das próprias GPUs para rodar modelos de IA capazes de “compensar” a qualidade da imagem gerada em baixa resolução. Na prática, a IA “preenche” os pixels faltantes, liberando capacidade do hardware – as gerações mais recentes das placas da fabricante também ganharam recursos de geração por IA de frames inteiros, recurso apelidado jocosamente de “fake frames” pelos jogadores.
“Vinte e cinco anos após a Nvidia inventar o shader programável, estamos reinventando os gráficos computacionais mais uma vez”, diz em comunicado Jensen Huang, fundador e CEO da empresa, sem apelar para a modéstia. “O DLSS 5 é o momento GPT dos gráficos, combinando renderização artesanal com IA generativa para proporcionar um salto dramático no realismo visual, ao mesmo tempo em que preserva o controle que os artistas precisam para a expressão criativa.”
Segundo a empresa, a tecnologia está integrada a mais de 750 jogos, e a versão 5.0 receberá suporte de estúdios e publishers de peso, incluindo Bethesda, Capcom, NetEase, Ncsoft, Tencent, Ubisoft e Warner, entre outras. A lista de jogos que receberá suporte ao recurso já inclui AION 2, Assassin’s Creed Shadows, Delta Force, Phantom Blade Zero e Where Winds Meet, entre alguns outros.
Arte ameaçada?
Apesar da promessa de “controle que os artistas precisam”, o anúncio da nova tecnologia já gera certa polêmica entre os jogadores. Embora os recursos de iluminação estejam sendo elogiados, a inserção de materiais, especialmente no rosto das personagens dos jogos, tem sido criticada por parecer alterar a arte original.
Nvidia’s new DLSS 5 upscaling technology looks exactly like the AI generated slop you see people posting of GTA 6.
— GTA 6 Countdown ⏳ (@GTAVI_Countdown) March 16, 2026
Glad Rockstar hasn’t participated in this. pic.twitter.com/vCsORZaSQ7
A Nvidia, no entanto, garante que essas texturas geradas por IA são “ancorados ao conteúdo 3D original e consistentes de um quadro para outro”. A empresa também promete que a tecnologia opera em tempo real em resoluções de até 4K, “garantindo uma jogabilidade fluida e interativa”.
A empresa explica que o modelo é treinado para entender a “semântica complexa da cena”, incluindo personagens, cabelo, tecido e pele translúcida, além das condições de iluminação do ambiente, como luz frontal, de fundo ou céu nublado, tudo isso quadro por quadro. A Nvidia diz que os desenvolvedores de jogos terão “controle detalhado” de intensidade, gradação de cores e mascaramento, “permitindo que os artistas determinem onde e como os aprimoramentos serão aplicados para manter a estética única de cada jogo”.



