No “país do futebol”, a tarde de domingo evoca a imagem de uma família reunida assistindo ao Campeonato Brasileiro, também conhecido como Brasileirão, na televisão aberta (ou no Première, para os mais abonados). Só que essa lógica se tornou algo do passado.
Uma revolução silenciosa no consumo de partidas e conteúdos de futebol está acontecendo nesse exato momento, e os games ajudam a explicar essa mudança.
Hoje, somos também o país dos games, da tecnologia, das redes sociais e do conteúdo. E uma pesquisa inédita realizada pela nossa equipe da GMD, com quase 900 jogadores de futebol digital, escancarou uma oportunidade que o tradicional (e analógico) mercado da bola ainda não se deu totalmente conta.
O comportamento do torcedor brasileiro no consumo da modalidade esportiva mudou drasticamente, acelerado pela Lei do Mandante, de 2021. Segunda ela, os clubes mandantes passaram a ter exclusividade para negociar os direitos de transmissão e reprodução dos próprios jogos.
Com isso, aquele monopólio da transmissão centralizada acabou, e deu lugar a um ecossistema fragmentado e com alta sinergia com uma linguagem mais dinâmica. O resultado? A audiência jovem, que compõe a massa crítica dos gamers (70% têm menos de 34 anos), migrou de tela.
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Entre o público que joga games de futebol, por exemplo, a CazéTV já é o canal preferido para assistir às partidas, com 35% da preferência, superando canais tradicionais como a ESPN (23%) e deixando a Globo (15%) em uma distante terceira posição neste recorte demográfico.
Mas isso não é apenas uma mera troca de canal, é uma troca de linguagem. O consumidor atual não quer apenas ver o gol: ele quer rir do meme, participar do debate e compartilhar da reação e da “zoeira” que acontece no YouTube, Instagram e TikTok. Não à toa, 88% desses brasileiros usam redes sociais todos os dias para consumir conteúdos de futebol, e também de games.
O gamer, como reforçamos sempre, representa um recorte da população com alta aceitação para novidades. Esse comportamento de vanguarda quase sempre é replicado, meses ou anos depois, em parcelas maiores do público.
Nossa tese é que observar o comportamento do gamer ajuda a antecipar tendências. E nessa pesquisa que fizemos fica claro que essa revolução só está começando.
A Lei do Mandante deu o pontapé inicial para que novos players de mídia aparecessem, e os antigos se movimentassem para não ficar para trás. O nascimento da GETV é um exemplo disso.
O que vai determinar o sucesso dos grandes grupos de mídia nesse novo cenário do consumo de futebol é entender que transmitir partidas e criar conteúdo de futebol precisa seguir outra tendência. Quem sabe como o mercado de games faz isso há anos, já começa o jogo em vantagem.



