A KGeN, empresa de origem indiana e sede nos EUA – e cujo nome é um acrônimo de “Kratos Gamer Network” –, anunciou essa semana uma ampliação de presença no Brasil, que prevê crescimento da equipe e a inauguração de um escritório local. Wilson Neto, o Xadz, ex-COO da agência Pool e ex-diretor de inovação da Mutala, assume a diretoria de novos negócios e será responsável pela operação no País.
No cargo, o executivo terá que estreitar relacionamento e buscar oportunidades com publishers, estúdios e empresas de tecnologia. O movimento ocorre quase um ano após a KGeN receber um aporte de R$ 55 milhões em rodada de investimento liderada pela Aptos Labs.
Xadz tem longa experiência no mercado de games brasileiro. Começou a carreira na Level Up Brasil, passou pela alemã ESL – onde foi gerente de transmissão e operações sênior – e pela Webedia. Foi ainda produtor para as Américas da PUBG Corporation antes de assumir o cargo de CPO da 3C Gaming.
A expansão do time da KGeN no Brasil deve continuar nos próximas semanas e meses. Há previsão de contratação em áreas como operações, novos negócios, comunidade, talentos e tecnologia. Um novo escritório deve ser inaugurado em São Paulo, capital, “em breve”.
“O crescimento da base de usuários verificados segue sendo a prioridade número um [da KGeN] para o Brasil em 2025”, explica Xadz, em entrevista exclusiva ao The Gaming Eraconcedida por e-mail. “Nosso foco está em manter a operação saudável e acelerar o crescimento, principalmente no pilar de comunidade. Queremos aumentar nossa base de usuários verificados em 30% até dezembro.”
LEIA TAMBÉM: Com aporte da Square, Nuuvem quer ajudar devs com mais visibilidade para os jogos
A empresa se vende como uma “plataforma global de tecnologia especializada em conectar empresas a usuários reais”, o que na prática significa usar um protocolo de autenticação de identidade baseado em blockchain – a mesma tecnologia que dá vida às criptomoedas e aos criptoativos de forma geral, e que promete registrar transações de forma imutável em múltiplos computadores e servidores.
É o caso da $KGEN, criptomoeda emitida pela empresa e responsável pela sustentação de suas soluções. Blockchain é a base da chamada “Web3 Gaming”, tendência que resume a capacidade de “tokenizar” itens e atividades em jogos, geralmente comercializados usando valores digitais que podem – ou não – ser trocados por dinheiro real.
No caso específico da KGeN, os protocolos de autenticação usados na solução chamada VeriFi buscam principalmente checar se os usuários de determinado jogo ou experiência web3 são pessoas de verdade. Isso é importante não só para que publishers e desenvolvedores nesse segmento saibam que seus jogos e experiências estão realmente sendo usados por seres humanos, não bots, mas também para remunerar esse tempo de engajamento e, claro, por razões de segurança.
“Os protocolos POG (Proof of Gamer) e POG:E (Proof of Gamified Experience) são os pilares da KGeN. Nossa solução proprietária, o VeriFi, garante que cada perfil corresponde a um jogador real, protegendo contra bots e agentes artificiais que prejudicam a experiência, a economia e a comunidade dos games”, explica em o diretor de operações da KGeN, Mark Ducasble.
A KGeN diz deter atualmente cerca de 38,9 milhões de usuários distribuídos em 60 países, com mais de 200 parcerias globais e receita anualizada de US$ 48,3 milhões. Embora não revele o tamanho desse bolo vindo do Brasil e da América Latina, o mercado local é visto como um “polo estratégico” para o crescimento.
Atualmente a empresa contabiliza aproximadamente 100 mil usuários diretos latino-americanos. O objetivo, segundo Xadz, é aumentar a base de usuários verificados na região em 30% até o fim de 2025.
Confira a seguir a entrevista que fizemos com Wilson Neto e Mark Ducasble sobre os planos da KGeN no Brasil:
The Gaming Era: Qual a missão do Wilson Neto como novo diretor de novos negócios da KGeN no Brasil?
Mark Ducasble: A chegada do Wilson tem como principal objetivo fortalecer a presença da KGeN no Brasil, aproximando ainda mais a empresa de grandes marcas e publicadoras que já atuam no mercado nacional. Como já contamos com uma rede sólida de parceiros em outros países, fazia todo sentido termos uma liderança de BizDev robusta e estratégica também no mercado local.
TGE: Qual o tamanho do time da KGeN no Brasil atualmente? Qual a estratégia para o crescimento local?
Ducasble: Hoje temos um time com mais de dez profissionais e, com a expansão, abriremos novas vagas em áreas como operações, bizdev [novos negócios], comunidade, talentos e tecnologia. Também teremos um escritório em São Paulo, reforçando nossa presença local.
O crescimento segue dois focos principais: ampliar a base de usuários verificados e desenvolver projetos comerciais personalizados para parceiros por meio do protocolo VeriFi, nossa solução proprietária.

TGE: Dos quase 39 milhões de usuários da empresa, quantos estão no Brasil e/ou América Latina?
Ducasble: Na América Latina já temos aproximadamente 100 mil usuários diretos dentro do nosso ecossistema, além de mais de 400 mil em comunidades parceiras com as quais trabalhamos em colaboração. Nossa meta é ampliar significativamente esses números em 2026, especialmente através do VeriFi.
TGE: Qual o valor aportado no País para essa expansão? Em que mais o dinheiro será aplicado?
Ducasble: Ainda não podemos compartilhar todos os detalhes, mas o investimento está próximo da casa dos sete dígitos em dólares. A ideia é consolidar estes investimentos até dezembro, para executarmos um planejamento sólido em 2026.
TGE: Qual a importância da tecnologia de vocês? Por que é importante ter verificação sobre a base de jogadores para empresas atuando com games?
Ducasble: A tecnologia é o coração do nosso negócio. Os protocolos POG (Proof of Gamer) e POG:E (Proof of Gamified Experience) são os pilares da KGeN. Nossa solução proprietária, o VeriFi, garante que cada perfil corresponde a um jogador real, protegendo contra bots e agentes artificiais que prejudicam a experiência, a economia e a comunidade dos games.
Esse processo é realizado por meio de cinco camadas de validação, que asseguram a autenticidade e a relevância de cada usuário: Proof of Human, que valida cadastros, documentos e biometria; Proof of Play, que analisa o histórico de jogos e diversidade de gêneros; Proof of Skill, que avalia o desempenho dentro dos jogos; Proof of Commerce, que considera hábitos de consumo no ecossistema e em plataformas parceiras; e Proof of Social, que mede a presença do jogador em grupos e redes sociais.
Além disso, o VeriFi também permite alinhar o perfil do jogador com o gênero do jogo do parceiro, otimizando de forma expressiva tanto orçamento quanto estratégias de aquisição de usuários.
TGE: Tecnologias relacionadas à Web3 ou associadas a ela ainda são vistas com desconfiança no Brasil? Se sim, como vencer essa barreira, seja com as publishers ou com os usuários finais?
Wilson Neto: A desconfiança em torno de novas tecnologias sempre vai existir, e geralmente nasce mais do desconhecimento do que de problemas reais de segurança ou desempenho. Paralelamente, o mercado de blockchain vem crescendo justamente como solução para questões que sofriam com a falta de transparência.
Esse paradoxo faz parte do nosso dia a dia. Na prática, usamos a tecnologia blockchain como uma ferramenta para entregar nossa principal promessa: dar ao jogador controle e acesso claro às suas próprias informações. Nosso papel é mostrar às publicadoras que a KGeN é, antes de tudo, um protocolo de distribuição de usuários reais que utiliza blockchain para conectar jogadores e marcas em um ecossistema estruturado, ativo e transparente.
TGE: Qual a meta de crescimento para o Brasil ainda em 2025? Pode abrir faturamento ou número de usuários?
Neto: Para este restinho de ano, estamos concentrados em fortalecer parcerias com comunidades, expandir a equipe e avançar na regionalização do ecossistema da KGeN. O crescimento da base de usuários verificados segue sendo a prioridade número um para o Brasil em 2025.
O ano foi de aprendizado para a empresa, que reestruturou e adaptou diversas frentes, especialmente diante da ascensão das tecnologias de inteligência artificial. Nosso foco está em manter a operação saudável e acelerar o crescimento, principalmente no pilar de comunidade.
Queremos aumentar nossa base de usuários verificados em 30% até dezembro.



