Brasil Game Show se transforma em evento de games globalizado

Games fazem a indústria ser cativante, mas foram coadjuvantes da maior feira do Brasil, escreve Lucas Patricio
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Garotas se divertem em estande da BGS de 2025. Foto: Reprodução, Instagram @brasilgameshow

O maior evento de games do Brasil – a Brasil Game Show – se adequou às regras do mercado global, com distâncias cada vez maiores entre os jogos mobile e os “tradicionais”. Sim, a competição é desleal, e o resultado é um contraste cada vez mais aparente entre o que se joga e o que o mercado quer que seja jogado.

Enquanto a Supercell engoliu o evento com centenas de metros quadrados de “real estate”, marcas endêmicas ficaram relegadas a uma ou duas estações de jogos cedidas quase que por dó por empresas mundialmente multibilionárias como Samsung e TCL, que sabem que precisam da autoridade de games tradicionais para não serem as estranhas da festa.

Mas, serei justo: em comparação com edições anteriores houve melhoras na qualidade de atrações. SEGA, Konami, Tencent e, especialmente, Nintendo, trouxeram o longínquo brilho das marcas endêmicas para o evento – mesmo que sem trazer nenhuma novidade. Não ter a presença massiva de PlayStation, Xbox, Warner, Ubisoft, EA, Activision Blizzard, por exemplo, demonstra que o mercado “tradicional” de games já não é suficiente para um evento do tamanho da BGS. 

A queda vertiginosa do mercado de eSports também foi refletida com a ausência dos torneios relevantes, presença das “ORGs” de esports (que, assim como as marcas endêmicas, se tornaram coadjuvantes para autoridade de não-endêmicas) e empresas de periféricos. Os buffs da pandemia realmente acabaram.

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Mas não tem como falar da BGS de 2025 sem falar de Hideo Kojima. E não só porque a presença do lendário e excêntrico produtor japonês quase fez o evento parar, mas porque reforça a desconexão sobre a qual comentei aqui.

A maior atração do evento é conhecida por, há décadas, lançar jogos que aqui classifico como “tradicionais”. Ainda assim, os maiores patrocinadores da BGS são do outro espectro da indústria, tornando esse protagonismo do Kojima um contraste com o evento em si.

A Nintendo, Hideo Kojima e as orquestras de Final Fantasy e PlayStation estão para a BGS assim como as estações de EA Sports FC estão para a Samsung; coadjuvantes necessários para a terem relevância.

Não quero demonizar os jogos como serviços e as empresas não endêmicas porque sei que eles dominam a indústria, são mais lucrativos e, com isso, elevam a barra mínima de investimento para se participar de um evento como esse. Acredite, entendo bem como essa banda toca.

E isso tudo não é culpa da BGS – pelo contrário -, o evento deu um passo importante na mudança para o Distrito Anhembi e abraçou o momento do mercado para oferecer uma boa experiência para as centenas de milhares de visitantes. 

Pode ser que eu esteja desejando um evento para mim e que não necessariamente reflita o estado atual da indústria. Ou talvez exista alguma verdade sobre a percepção de que cada vez mais os jogos que fazem a indústria de games ser cativante, brilhante e sinônimo de arte estão sendo colocados como coadjuvante para o que globalmente é mais relevante para o capital.

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