Os produtos ditos “gamers” estão cada vez mais no gosto e nas compras do público médio, ou seja, se tornaram objetos de desejo mesmo para quem não utiliza esses equipamentos exatamente para jogar. Não por acaso, a linha G, da marca suíça de periféricos Logitech, já reponde por parte expressiva do faturamento da empresa no País, muito próxima da linha para escritórios (PWS) – mesmo que essa última tenha um volume de produtos “muito maior” no mercado.
“A linha gamer está com crescimento mais acelerado, de dois dígitos. Ano após ano, vem ganhando representatividade dentro do portfólio da Logitech”, diz Ricardo Filó, diretor de marketing e operações da marca no Brasil, em entrevista ao colunista Pablo Miyazawa. “No Brasil, a porcentagem da linha G é até um pouquinho maior do que a global.”
O papo ocorreu durante coletiva nessa quarta-feira (17) em São Paulo. O evento serviu para antecipar os anúncios do Logitech G PLAY, evento ao vivo realizado em Madri, na Espanha, e transmitido nos canais da empresa. O objetivo foi mostrar os lançamentos para os próximos meses de 2025 e 2026 e que devem chegar em breve ao Brasil.
Entre os produtos anunciados para esse ano estão o discreto mouse Pro X Superlight 2c, de design compacto, mas configurações robustas, pesando apenas 51 gramas e incluindo sensor capaz de até 44.000 DPI.
Para o ano que vem, o G Pro X2 Superstrike, de visual mais “agressivo”, é o primeiro com a tecnologia proprietária Superstrike, que promete combinar “sensores analógicos indutivos e feedback háptico em tempo real”. O mouse “high end” foi desenvolvido a partir dos feedbacks de equipes profissionais de esportes eletrônicos – inclusive a brasileira FURIA, a G2 Esports, a NAVI e a BLG.

Outros equipamentos com cara de gamer profissional anunciados incluem volantes – o Logitech G RS50 System (conjunto de periféricos para jogos de corrida) e o Logitech G RS Formula Wheel McLaren Racing Edition (volante com características de carro de corrida), desenvolvido com a escuderia inglesa. Também há uma série de adições às linhas de fone de ouvido, especialmente os da marca Astro – o A20 X Lightspeed e o A50 X Lightspeed Edição McLaren Racing –, mas também da linha G.
Todos itens prometem desempenho e tecnologias topo de linha, o que ajuda a explicar o desejo gerado por consumidores não-gamers.
“Hoje, ser gamer é ‘cool’, e antigamente não [era] tanto. Existe um aumento de pessoas comprando o produto gamer não só para o momento de jogo, mas também para estudar, trabalhar, utilizar em casa – não necessariamente jogando, mas produzindo alguma coisa. E existe uma geração nova já conectada com games desde os três anos de idade, e essa criança vai virar adolescente, jovem adulto”, pondera Filó.

Segundo o executivo, outros mercados também observam esse movimento. Na China, por exemplo, um dos maiores mercados atuais para a Logitech, o teclado mecânico já é o mais vendido, com 90% do mercado – ou seja, vende mesmo para quem não é gamer.
Juntos, mas separados
Miyazawa questiona Filó se, um dia, a diferenciação entre linhas gamers e “comuns” se tornará irrelevante ao ponto de elas se unificarem. Para o executivo da marca suíça, a resposta é não.
“Eu acredito que as marcas Logitech G e Logitech ainda vão ser separadas. Tecnologias novas do mundo de games são replicadas para a linha office ao longo do tempo. É como pegar a Fórmula 1 e os carros de rua: tecnologias que surgem na Fórmula 1 acabam chegando à ‘rua’. Acho que vai ser isso: sempre vai ter um ‘step up’ [passo acima] para a linha gamer, um algo a mais que depois chega à linha office”, explica.

Segundo ele, a Logitech também tem linhas diferentes dentro do portfólio gamer, ou seja, produtos mais acessíveis e outros “high end” – caso do mouse Superstrike, com tecnologias (e preços) que poucos precisam (e podem). Mas que, com o tempo, tecnologias como essa se tornam mais acessíveis.
“A tecnologia sem fio era cara no passado, sem contar a bateria, que reclamavam que não durava, as questões de resposta, lag etc. Mas tudo isso foi melhorando, a tecnologia foi barateando, e hoje um headset sem fio, de entrada, é extremamente acessível”, avalia Filó. “Queremos explicar os benefícios do produto intermediário e do high end, para mostrar a esse gamer iniciante tudo o que ele poderia fazer com as nossas tecnologias.”
* Com apuração de Pablo Miyazawa



