Brasil e Índia: dois gigantes no mesmo squad

Com trajetórias diferentes, mas muito a aprender um com o outro, países podem transformar o BRICS em palco da jogabilidade multipolar
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Imagem: Reprodução, Shoaib Hassan, Vecteezy

Índia e Brasil compartilham características típicas do Sul Global. São democracias jovens, marcadas pela diversidade cultural, pela desigualdade social e por uma forte religiosidade popular. Ambos integram um bloco econômico multipolar que vem alterando a lógica da geopolítica mundial.

Tanto a Índia quanto o Brasil estão descobrindo seu potencial nos games, organizando políticas públicas e criando condições para o avanço da indústria em seus territórios.

O Brasil vive um momento inédito. Nunca teve tantos jogadores. É recorde. De acordo com a PGB 2025, 82,8% da população consome jogos digitais. Um dado que mostra como os games se tornaram parte do cotidiano brasileiro.

A Índia também impressiona. O país já soma 488 milhões de jogadores online. Em 2025, o número deve chegar a 517 milhões, quase 11% de crescimento ao ano, segundo o relatório FICCI-EY. É praticamente um universo paralelo de novos gamers.

A principal semelhança entre os dois países está na porta de entrada para os jogos: o celular. Smartphones acessíveis e internet móvel popularizaram o hábito. Mas há diferenças importantes.

A Índia avança em escala e estratégia. Tem sido mais ágil na organização da indústria de games. Criou uma lei para regulamentar o setor, proteger jogadores e reconhecer os eSports como modalidade esportiva. O mercado já movimenta mais de US$ 4,3 bilhões e cresce acima de 14% ao ano.

O Brasil, por sua vez, tem uma cena criativa consolidada. Indies como Celeste, Dandara e Horizon Chase conquistaram o mundo. Além disso, o gamer brasileiro se engaja com marcas: 80,6% aprovam quando empresas entram no universo gamer.

Apesar de ser um público ativo, engajado, exigente e apaixonado, o País ainda precisa avançar em um plano industrial para o setor.

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O Marco Legal dos Games foi um passo importante, mas apenas um Plano Nacional de Desenvolvimento poderá, de fato, projetar a indústria brasileira no cenário global.

O Brasil pode aprender com a Índia a estruturar políticas públicas e ganhar escala. A Índia, por sua vez, pode olhar para o Brasil e enxergar como a criatividade cultural pode se tornar diferencial competitivo.

O BRICS aparece nesse tabuleiro como oportunidade.

Imagine um circuito de eSports entre os países do bloco. Fundos conjuntos para startups de games. Ou ainda jogos com narrativas multipolares, unindo mitologias indianas, lendas brasileiras, histórias africanas e tradições chinesas.

Em 2021, sob a presidência da Índia, o BRICS criou o Startup Forum, voltado à colaboração entre os ecossistemas de inovação dos países do grupo. Em janeiro de 2025, foi lançado o BRICS Startup Knowledge Hub, plataforma que conecta informações, oportunidades, investidores e startups dos países membros.

Há iniciativas prontas para serem ativadas a partir do movimento diplomático entre Índia e Brasil. Hoje, o bloco já reúne um ecossistema de games com potencial para disputar espaço com polos tradicionais. Cabe ao Brasil se inserir nesse cenário com governança e criatividade.

Se a Índia mostra como transformar escala em estratégia, o Brasil ensina a usar a criatividade como ativo global.

Juntos, podem fortalecer o BRICS como um novo polo gamer mundial. Um polo multipolar. Um polo que joga para o futuro e que pode colocar o Brasil onde merece estar: no lugar de potência global.

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