Muita gente ainda olha torto quando a gente fala que videogame pode ensinar. Como se jogar fosse só “perda de tempo”. Mas, quanto mais vivo esse universo, mais vejo o quanto os games são ferramentas poderosas de aprendizagem – e não estou falando só de reflexo rápido ou coordenação motora.
Para quem não sabe, eu sou pedagoga de formação e tenho especialização em ensino de matemática. Então, além da paixão por jogos, também carrego comigo um olhar acadêmico e profissional sobre o processo de aprendizagem.
E é por isso que afirmo com tranquilidade: os games podem ser grandes aliados da educação.
O que aprendi jogando
Eu mesma aprendi inglês jogando. Antes de curso, antes de dicionário. Era na base da curiosidade: “o que essa palavra quer dizer?”, “como eu passo essa fase?”. Games como World of Warcraft e League of Legends me ensinaram mais do que eu imaginava – desde o vocabulário até como trabalhar em equipe com gente do mundo inteiro.
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E isso não é só sobre mim. Pesquisas já mostraram que jogos digitais desenvolvem resolução de problemas, criatividade, colaboração e até habilidades socioemocionais. Tem jogo que te ensina matemática na prática, outro que te coloca dentro de contextos históricos reais.
Jogos como aliados dos professores
Eu sei que muitos professores ainda têm receio de trazer jogos para a sala de aula. Mas já existem várias experiências incríveis:
- Professores usando Minecraft pra ensinar geometria e história;
- Alunos aprendendo programação criando mods;
- Jogos de simulação ajudando a entender economia ou ecologia.
O game não substitui o professor, mas pode ser um aliado poderoso para tornar a aula mais envolvente. Afinal, se o aluno passa horas focado em terminar uma missão, por que não usar essa mesma energia a favor do aprendizado?
E os pais, onde entram?
Eu também entendo o medo de muitos pais: “meu filho só quer saber de videogame”. Mas o segredo não é proibir – é mediar. Mostrar que o game pode ser lazer, sim, mas também conhecimento.
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É conversar sobre o que ele aprendeu jogando, propor limites e até jogar junto.
Como vejo o futuro
Imagine um Brasil em que escolas usam games para ensinar, em que jovens descobrem cedo que podem ser criadores, não só consumidores de tecnologia. Um país que não só consome, mas também produz jogos educativos que refletem nossa cultura e nossos desafios.
A verdade é que os games já fazem parte da vida dos jovens. Fingir que não existe não resolve. O que resolve é abraçar esse universo e transformá-lo em oportunidade.
Resumindo…
Para mim, game não é só entretenimento. É cultura, é linguagem, é aprendizado.
Como pedagoga e especialista em ensino de matemática, enxergo nos jogos um potencial imenso de motivar, engajar e ensinar. Se bem usados, podem ser um dos maiores aliados da educação no século XXI.
E você, já parou para pensar no que aprendeu jogando?



