Se há uma franquia infalível para a Ubisoft nos últimos anos, pelo menos no Brasil, esta é Rainbow Six. O jogo online de tiro tático e seu respectivo circuito competitivo caíram nas graças de organizações nacionais, que costumam obter bons resultados em torneios globais. No mais recente mundial, o Invitational 2025, em Boston, a equipe brasileira FaZe Clan foi a campeã. No ano interior, no campeonato sediado em São Paulo, a final foi disputada pela mesma FaZe e a também brasileira w7m – com vitória desta última.
Portanto, não é de se estranhar que a nova versão mobile ganhe lançamento antecipado no mercado brasileiro. Após um soft launch em poucos países (Polônia, França e Canadá, além de alguns da América Latina), Rainbow Six Mobile chegou em definitivo a todo continente sul-americano na última terça-feira (15), em formato gratuito para dispositivos Android e iOS.

Desenvolvido pelo estúdio de Montreal da Ubisoft, o mesmo responsável pelo game padrão, o app oferece experiências semelhantes, dadas as devidas proporções: basicamente, partidas que colocam equipes de cinco contra cinco nos tradicionais modos Ataque vs. Defesa, Bomba, Bomb Rudy e Team Deathmatch, em mapas antigos e alguns exclusivos da versão mobile.
O TGE conversou com a brasileira Mariana Boucault, diretora adjunta de Rainbow Six Mobile, que esclareceu quatro dúvidas essenciais sobre o novo game.
1. Rainbow Six Mobile passou por períodos de experimentação técnica antes de ser lançado no Brasil.
Mariana Boucault: Tivemos primeiro um período de testes técnicos, para ter a certeza de que as funcionalidades básicas rodavam bem, sem problemas críticos. Depois, passamos para a fase de engajamento, testando as features e modos de jogos, ajustando de acordo com o feedback da comunidade. Nessa parte, mudamos um pouco do sistema de progressão, a forma com que os personagens são adquiridos, um pouco dos modos de jogo e do tutorial.
Nessa fase em que entramos agora, com o lançamento da [nova temporada] “Operação Scorched Jungle” e a chegada do jogo à América Latina, a ideia é testar com uma população maior, pra ter certeza de que o matchmaking, a latência e toda essa parte técnica estão funcionando bem, para termos os algoritmos refinados antes de pensar nos próximos passos.
A gente tem uma comunidade altamente engajada – a brasileira, em especial, é super focada. Tivemos números impressionantes de pré-registro antes mesmo de o game ser lançado, então enxergamos o interesse e é por isso que estamos trazendo o jogo para o Brasil e a América Latina nesse momento.
Além disso, temos um conteúdo muito legal alinhado com a região, como o lançamento do Capitão, que é um personagem brasileiro que será o agente dessa temporada.
2. O Brasil é um mercado prioritário para a franquia Rainbow Six – e a Ubisoft quer reforçar isso na versão mobile
Mariana: Estamos tentando trazer conteúdos que sejam legais, não só para o Brasil, mas para o mundo. Temos essa visão global de lançamentos e criação de conteúdo, mas sempre queremos introduzir esse “sabor brasileiro” quando possível, por isso conseguimos alinhar o lançamento do Capitão com a chegada do game ao Brasil.
E além de eventos inspirados na região, temos coisas especiais para o público: por exemplo, traremos os atores André Ramiro e Tainá Müller como os dubladores oficiais dos anunciadores dentro do jogo.
[O fato de ser brasileira] é uma coincidência feliz, de eu estar aqui, de ter trabalhado até agora na minha carreira e poder representar nossa região nesse ponto da minha vida. Por mais que esteja muito feliz em trazer o jogo ao Brasil, eu sou apenas uma pessoa em uma equipe muito grande. Claro, tem algumas coisas que eu tento ter certeza de que estão bem adaptadas. O foco de trazer o jogo [antes para o País] é uma decisão da equipe da Ubisoft que faz sentido com nosso road map.
3. Rainbow Six recebeu adaptações no mobile em relação à versão para PC – algumas mais perceptíveis do que as outras
Mariana: Ao adaptar o jogo para o mobile, procuramos manter alguns pilares de Rainbow Six Siege, como toda parte competitiva e tática, as habilidades únicas dos agentes e a destruição do mapa. Mas temos de ter certeza de que tudo vai rodar bem nos dispositivos móveis. Fizemos adaptações para dar uma oferta que possa ser mais rápida, pensando em fatores como consumo da bateria e tempo de jogo que os jogadores têm on the go.

Também adaptamos os tamanhos de partes do mapa –os exteriores são um pouco menores do que no Siege, para ter certeza que a renderização rodará bem no celular. Mesmo algumas partes de destruição são menores. Os operadores têm algumas habilidades um pouco diferentes, mas tentando manter a essência do original.
A parte de controles também é bem diferente. O game tem suporte para joystick, mas temos de garantir que sua jogabilidade rode bem em uma tela pequena. E existem recursos exclusivos do mobile, como o giro: conforme você mexe o celular, consegue controlar a mira. Esse é um negócio legal que só existe nessa versão.
4. Os planos para levar Rainbow Six Mobile ao circuito de eSports ainda não estão definidos (ou não podem ser revelados)
Mariana: A gente sabe que eSports é algo bem forte no Brasil e na América Latina – o povo brasileiro especialmente é bem apaixonado, temos grandes talentos. O foco agora é ter uma experiência de usuário que seja bem “fechadinha”.
Teremos um Discord exclusivo para a região, localizado, para facilitar a conexão entre os jogadores, para que joguem juntos, façam partidas e até mesmo pequenos torneios entre si, para [só então] conseguirmos investir nessa área. Nosso objetivo, no momento, é expandir a comunidade ao redor do game.
Eu só espero que os jogadores brasileiros tragam essa paixão por Rainbow Six e mostrem o que a região tem de melhor – e que ofereçam a maior quantidade de feedback possível, para conseguirmos melhorar o jogo e levá-lo para mais regiões no futuro.



