Começaram nessa sexta-feira (14) em Boston, nos EUA, as finais do Six Invitational de Rainbow Six Siege, jogo de tiro em primeira pessoa que é o principal live service da francesa Ubisoft. Nesse momento as atenções estão divididas entre os resultados das competições, inclusive os obtidos pelos três times brasileiros que alcançaram essa fase (FaZe Clan, FURIA e Razah Company), e os rumores a respeito do que a publisher reserva para o próximo ciclo de R6S.
A expectativa é grande, considerando que 2025 marca o 10º ano do circuito competitivo do jogo. Rumores apontam que a empresa vai anunciar finalmente um sucessor para Rainbow Six Siege, considerando que tanto tempo com a mesma engine e mecânicas tem um custo, seja em termos técnicos, de potencial de atração de jogadores e mesmo de enfrentamento da concorrência.
Em entrevista exclusiva ao The Gaming Era, Leandro ‘Montoya’ Estevam, diretor de eSports da Ubisoft para a América Latina, garante que serão “grandes novidades”, embora não diga exatamente quais. Os anúncios serão feitos no domingo (16), quando o campeão do Six Invitational também será conhecido.
“No domingo vamos anunciar uma nova temporada, que vai ser muito mais importante do que as anteriores. E o melhor mercado possível para isso é os EUA, devido ao potencial de receita e de interação com a comunidade”, explica Montoya. “Não deixa de ser uma ação de publicidade para o jogo em um mercado que queremos fomentar para o próximo ano competitivo.”
O Six Invitational do ano passado aconteceu em São Paulo, capital, e teve uma final totalmente brasileira (FaZe Clan vs w7m, com vitória dessa segunda). Na conversa, o executivo garantiu que a importância do mercado brasileiro continua, inclusive porque a Ubisoft escolheu o País para inaugurar a próxima temporada com o Reload em maio em cidade ainda desconhecida.
O executivo também ressaltou que a intenção da publisher francesa é continuar expandindo programas de apoio às organizações no circuito de Rainbow Six Siege, inclusive aumentando as possibilidades de divisão de receita. E que a empresa vai “apoiar muito os campeonatos de comunidade” no próximo ano. O objetivo é aumentar a possibilidade de qualquer jogador alcançar os grandes palcos mundiais da modalidade.
Leia a entrevista a seguir:
The Gaming Era: Qual sua expectativa para a grande final do Six Invitational desse ano? É difícil superar o resultado obtido no ano passado?
Leandro ‘Montoya’ Estevam: Em 2024 tivemos o privilégio de ter um Six Invitational no Brasil. Foi a primeira vez que tivemos as grandes finais do ano competitivo mais próximo de comunidades além da de Montreal. Até então ele era uma grande celebração do estúdio [o Ubisoft Montreal, responsável por Rainbow Six Siege].
A partir de 2024 o evento passa a ser itinerante. Trouxemos o primeiro para o Brasil pelo entusiasmo muito forte. E foi uma experiência de grande sucesso. O segundo foi para os EUA por conta da força da liga norte-americana, da importância daquele mercado para a indústria de jogos em geral, e para aumentar nossa presença por lá.
A expectativa é ter uma competição supera acirrada de novo. E com uma proposta estética muito americana, um estilo meio Oscar, meio Broadway, um evento de gala.
TGE: E os times brasileiros? O que você destacaria?
Montoya: Eu daria destaque para a Razah Company, um time que concentrou parte da comunidade do RazaH, que é um grande influenciador. Um time ainda procurando uma organização, eles estão abertos para o mercado. Um grupo de jogadores que vinha da E1 Esports, mas que buscaram ser os “underdogs” [expressão em inglês para “azarão”].
Quero muito que tenha um time brasileiro nas finais contra, quem sabe, um norte-americano.
TGE: Você foi bem diplomático na resposta. Por que não dois brasileiros na final?
Montoya: (Risos) Eu tenho meus colegas nos outros países e fico imaginando como eu iria me sentir se fossem dois times americanos fazendo uma final aqui no Brasil. (Risos.) Mas a verdade é que não temos nenhum controle sobre isso, nessa hora viramos torcedores também.

TGE: E para a Ubisoft como um todo? Qual a importância da franquia e que resultados vocês esperam em termos de audiência e resultados de negócio?
Montoya: Rainbow Siex Siege é uma das principais franquias da Ubisoft, ao lado da Assassin’s Creed e Far Cry. E o mercado norte-americano é sem dúvida um dos maiores para os games globalmente.
Existem vários critérios para decidir que lugares vão hospedar o Six Invitational, um deles a atividade da comunidade naquele ano competitivo. É uma forma de retribuição pela dedicação da comunidade.
Claro que não deixa de ser uma ação de publicidade para o jogo, é um mercado que queremos fomentar para o próximo ano competitivo. Por isso queremos aumentar presença nos EUA, e a nossa penetração frente a outros FPS.
No domingo vamos anunciar uma nova temporada, que vai ser muito mais importante do que os anteriores. E o melhor mercado possível para isso é os EUA, devido ao potencial de receita e de interação com a comunidade.
TGE: R6S é uma franquia lucrativa, apesar do momento difícil para a Ubisoft como um todo. O que explica a longevidade do título, que vai fazer 10 anos de mercado e compete com títulos gigantes como Call of Duty, por exemplo?
Montoya: É uma ótima pergunta. Dá para falar muita coisa, mas a primeira é que é difícil, quando se lança um jogo, mesmo com tantos estudos de mercado e análises de marketing, se vai dar certo ou não. No fim a escolha é dos jogadores.
Pelo nosso lado, é uma junção de fatores que explicam por que a comunidade escolheu o Siege. Primeiro porque ele tem um gameplay muito específico. A franquia já era famosa antes pelo single player tático de resgate de reféns, mas era tudo roteirizado, com bots do lado dos bandidos, e ele (o R6S) ficou mais perto de ser esse simulador de invasão e polícias especiais.
Segundo por estar vinculado a um storytelling maior. Não foi um universo que surgiu nesse jogo, a franquia já existia, já existiam os livros do Tom Clancy. Não precisou começar tudo do zero.
Terceiro pela receptividade muito positiva da comunidade, os jogadores abraçaram. E quarto o fomento dos eSports que fizemos desde o princípio. Resolvemos no Siege muitos problemas que havia nos FPS na época. Havia espaço para um jogo tático mais inteligente do que só baseado na habilidade do jogador.
TGE: Um aspecto importante do ecossistema são as organizações. Recentemente vocês anunciaram mudanças no programa de compartilhamento de receitas R6 Share. De que forma isso é positivo para as orgs, especialmente as brasileiras?
Montoya: As organizações são um componente do ecossistema que é fundamental. Sem elas estaríamos ainda nos campeonatos de comunidade, que tem seu valor, mas não conseguem construir todo o castelo para o ecossistema. Elas assumem parte do risco ao investir nos jogadores, nas gaming houses, buscando retorno com premiação, patrocínio e divisão de receitas.
As publishers tem modelos diferentes [em diferentes jogos]. O da Ubisoft fica no meio entre as competições fechadas ou totalmente abertas. Temos um modelo híbrido, de proximidade com as organizações parcerias, mas mantendo um componente aberto para que novos times possam entrar.
O novo R6 Share vai colocar em cada uma das ligas cinco organizações parceiras que terão itens, skins ou roupas, com o logo ou o design que a organização decidiu. As que performam melhor nas vendas são as que criam designs de skins mais criativos, não necessariamente ligadas a organização. Que vão agradar até quem não é torcedor. E essa receita é dividida.
As outras cinco, que vão ser afiliadas, também recebem ajuda na venda de itens dentro da loja, mas o design é da Ubisoft. A receita delas é um pouco menor. As organizações que contam com esse modelo de divisão de receita têm uma vantagem competitiva, por que contam com uma receita mais certa em momentos de vacas magras, vamos dizer assim.
Temos a intenção de sempre expandir o programa para dar suporte a mais organizações. A participação delas é fundamental, e o componente aberto também é fundamental.
TGE: Vocês também anunciaram a abertura da temporada de 2025 com um evento no Brasil, o Reload, que ainda não tem um lugar confirmado. O que mais você pode contar?
Montoya: Sim, o Reload está confirmado. Vamos ter grandes anúncios no domingo sobre o Siege, inclusive mais informações sobre o que estamos fazendo para o ano 10, a comemoração do 10º ano do jogo. Com relação aos rumores vai dar para saber o que é verdade ou não (risos).
O país escolhido para abrir as competições foi o Brasil em maio. A cidade vamos revelar no domingo. Mas o evento vai ter formatos diferentes, com mais entretenimento e os principais times do circuito. Estamos muito contentes de a comunidade do Brasil ser tão forte que fomos escolhidos de novo para o evento de abertura, anunciando um novo formato competitivo e o novo R6 Share. Serão grandes novidades. Vão ser muitos anúncios.
Queria deixar a mensagem de que nós na América Latina, globalmente também, vamos apoiar muito os campeonatos de comunidade. Não é só o Tier 1 que vai ter novidade. Vamos gastar bastante tempo, energia e fazer investimento em competições para semiprofissionais, ou casuais sérios, digamos assim, para que eles tenham a chance de competir também, ganhar um prêmio, jogar no palco, receber um troféu.