Os gamers brasileiros são os que mais praticam o chamado “rage quit”, termo em inglês para designar a desistência de uma sessão de jogo online antes que ela acabe, dando a vitória para o adversário. Por aqui, 77% admitem já ter tomado essa atitude, com o México sendo o país em que os jogadores menos admitem essas ocorrências, com 59%.
No caso específico dos brasileiros, os principais “gatilhos” para dar um rage quit são perda de conexão ou baixa qualidade do Wi-Fi, ou lag durante o jogo (39%), a perda de uma partida de alto risco (28%), quando o jogo parece difícil demais ou injusto (27%) e cometer um erro (25%). Um terço (34%) dos brasileiros que já deram rage quit em público, sendo 39% no ônibus, 37% na escola ou universidade e 31% enquanto estavam em uma fila.
O dado especialmente importante para quem produz jogos é que 21% dos brasileiros dizem que desinstalam um jogo depois do rage quit, ou seja, a frustração excessiva prejudica diretamente o modelo de negócios de um jogo online. Além disso, 29% dizem que precisam sair do ambiente em que estão jogando para evitar ficar ainda mais frustrados, e 18% saem de casa ou vão caminhar. Apesar de parecer tão expansiva, apenas 17% compartilham frustração no chat do jogo.
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No mundo, a razão mais alegada para essa prática é, na ordem, achar que não está jogando bem (31,3%), se importar demais com o resultado do jogo (22,1%) e proteger uma sequência de vitórias (21,9%). Os dados fazem parte de um levantamento divulgado recentemente pela publisher finlandesa Supercell, dona de títulos mobile famosos como Clash Royale e Brawl Stars. O estudo foi encomendado à OnePoll.
Foram ouvidos em agosto desse ano nove mil gamersem sete mercados – Reino Unido (1 mil jogadores), EUA (2 mil), França (1 mil), Alemanha (1 mil), Brasil (1 mil), Australia (1 mil) e México (2 mil). O objetivo foi analisar as emoções dos jogadores em diferentes territórios durante jogos online.
Segundo os autores, apenas 2% dos franceses dizem que se sentem frequentemente irritados quando jogam, o que os coloca na posição de gamers “mais serenos” na pesquisa. Outro dado curioso: só 19% dos jogadores alemães se dizem competitivos quando jogam online, a menor taxa entre os países pesquisados.
Quase quatro em dez jogadores que deram um rage quit o fizeram em lugar público. Nos EUA, 55,6% dizem que publicariam um vídeo com o momento, ou seja, não tem exatamente vergonha da prática. Enquanto isso, no Reino Unido, 31,5% o fizeram enquanto jogavam em um pub. Os britânicos dizem que preferem contar para alguém do que mostrar o rage quit publicamente.
O estudo também aborda aspectos geracionais. A geração Z considera a prática natural, inclusive vista em influenciadores. IShowSpeed é citado como “o rei do rage quit” por 32,3% dessa audiência. Para 40,7% dos ouvidos da geração Z, criadores de conteúdo os influenciam a desistir das partidas antes da derrota.



