Série Radeon 9000 alavanca GPUs da AMD no Brasil – e empresa quer mais

Falamos com Patrícia Lenny e Artur Oliveira sobre amadurecimento do gamer brasileiro e a estratégia para ampliar participação dos componentes do ‘lado vermelho’ em 2026
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Patrícia Lenny e Artur Oliveira, da AMD Brasil. Fotos: Divulgação

A AMD está satisfeita com o crescimento obtido no mercado brasileiro ao longo de 2025 quando se trata de componentes voltados para o público gamer. A empresa credita o desempenho não só a um esforço de branding e varejo feito ao longo dos últimos anos para conquistar o consumidor local, mas também a um portfólio forte de CPUs (no qual a marca já é líder) e, especialmente no último ano, de GPUs, que passaram a ser mais reconhecidas no mercado local por conta dos avanços tecnológicos.

Essa é a avaliação feita, em entrevista exclusiva ao The Gaming Era, por Patrícia Lenny, gerente de vendas e distribuição de placas de vídeo, e Artur Oliveira, gerente de distribuição de processadores, ambos na AMD Brasil. Os dois são os principais executivos locais quando se trata de componentes de PC, atualmente a maior fatia do mercado brasileiro para a fabricante de chips – liderada globalmente pela emblemática Lisa Su.

“2025 foi incrível para a gente na área de GPUs. Conseguimos alavancar muito a nossa marca, caímos no gosto do consumidor com a série 9000. Vínhamos com uma tendência de melhora desde a série 6000, atingindo um ‘price point’ muito importante para a nossa região.  Sabemos que nosso mercado é muito orientado a preço”, explica Patrícia.

A executiva se refere às placas de vídeo Radeon para desktops lançadas esse ano no mundo, as primeiras baseadas na arquitetura Zen 5 fabricada em 4 nanômetros, e que chegaram ao Brasil com bastante destaque – a RX 9070 e a RX 9070 XT, em março desse ano, e a RX 9060, em agosto. A série 9000 foi bem nas análises de sites especializados brasileiros. No mês do lançamento dos modelos 9070, chegou a haver falta do produto no varejo brasileiro – “mas logo na sequência conseguimos normalizar”, assegura a executiva.

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Nela, a AMD escolheu bater de frente contra os chips intermediários da principal concorrente Nvidia, que domina o mercado de GPUs no Brasil e no mundo com bastante vantagem. A estratégia adotada pela marca é a do custo-benefício, se eximindo de competir contra as placas mais caras da concorrente – as poderosas (e caras) GeForce RTX 5080 e 5090. A estratégia deu certo no País, garante a executiva, sem revelar números concretos.

“Ambas vendendo bem: a série 9000 e a 7000 por ser produto de preço [mais baixo] tem um ótimo volume. Ganhamos muito espaço de mercado, não só em marca, mas nos e-commerces também. Temos um market share bem elevado”, garante ela. “No lançamento da série 6000, começamos a entregar produtos que eram de fato desejo de um gamer. Antes disso vendíamos GPUs, simplesmente. E agora estamos nesse patamar diferenciado.”

No terreno das CPUs, a empresa identificou uma mudança no perfil: os chips com componente de vídeo integrado deixaram aos poucos de ser prioridade para os consumidores locais, o que denota um amadurecimento, com os gamers preferindo investir em um chip gráfico dedicado. “Mais de 60% da venda esse ano se concentrou em seis modelos, e deles só dois são APUs, que vem com GPUs integradas”, conta Oliveira.

Confira a seguir os principais momentos da entrevista com os dois executivos:

The Gaming Era: Eu gostaria que vocês começassem fazendo um balanço desse ano de 2025 tanto para a área de GPUs como de CPUs.

Patrícia Lenny: 2025 foi incrível para a gente na área de GPUs. Conseguimos alavancar muito a nossa marca, caímos no gosto do consumidor com a série 9000. Vínhamos com uma tendência de melhora desde a série 6000 [de 2020], atingindo um ‘price point’ muito importante para a nossa região. Sabemos que nosso mercado é muito orientado a preço. E começamos a alavancar o volume de Redeon [no mercado].

Foi um produto muito reconhecido pelo custo-benefício. Ano passado começamos a fazer uma parte da transição para a série 7000. E esse ano efetivamente ‘matamos’ a série 6000 e a 7000 entrou nessa faixa de preços. Foi uma substituição natural. Conseguimos acompanhar o preço, não ainda no mesmo patamar, mas muito próximo.

A série 9000 foi a mais vendida da história da AMD globalmente. A que mais vendemos em lançamento. Tivemos disponibilidade massiva no mundo inteiro, e ela foi destaque pelo preço e pela performance. Na sequência veio a 9060 XT, também um sucesso de vendas. Pelas mesmas características, um preço muito bom, performance amplamente elogiada, e conseguimos atacar uma faixa de preços que não estava sendo ocupada.

Ambas estão vendendo bem: a série 9000 e a 7000 por ser produto de preço [mais baixo] tem um ótimo volume. Ganhamos muito espaço de mercado, não só em marca, mas nos e-commerces também. Temos um market share bem elevado.

Apresentação da série 9000 de GPUs da AMD. Fonte: Canal da AMD no YouTube

Artur Oliveira: Começamos o ano com muitos desafios. Depois de muito tempo, foi a primeira vez que começamos com um portfólio bastante amplo. Temos agora no mercado mais de 50 modelos diferentes de CPUs, das séries 5000, 7000 e 9000, opções de Ryzen 5, 7 e assim por diante.

Mais de 60% da venda esse ano se concentrou em seis modelos, e deles só dois são APUs, que vem com GPUs integradas. Há três anos sempre era uma APU o nosso [processador] campeão de vendas. E o número 5 em unidades vendidas é o 9800X3D, um processador de quase R$ 3 mil. O usuário entende o que a tecnologia X3D faz pelo gamer.

Em termos de evolução de mercado, tivemos um crescimento, não tão grande quanto o da Pati [em GPUs], porque já temos uma participação significativa no mercado de componentes. Os números mostram que mantivemos a participação [market share] do ano passado. A única mudança é que vendemos mais CPUs que APUs e o público entendeu o que é a tecnologia X3D.

TGE: Vocês diriam que o público brasileiro consumidor de componentes está mais maduro? Ou se trata de outro fator?

Artur: Eu acredito que sim. Os especialistas vivem tentando marcar ondas: um “refresh” após a pandemia etc. Mas essa troca [de computadores] acontece de forma orgânica, não é um movimento de massa. E quando o consumidor vai comprar um PC, ele já fez pesquisas em fóruns e sites. Ele sabe que vai ter que rodar aplicativos de IA, de produtividade etc. Se trabalha com criação de conteúdo, aplicações pesadas. Se você tem uma máquina melhor, vai conseguir ter desempenho melhor não só jogando.

Patrícia: Quando o consumidor vai montar uma máquina, diferente do passado, em que ele pensava em uma só tarefa, agora são múltiplas tarefas no PC. Ele pode estudar, fazer streaming, assistir, desenvolver. Isso com ferramentas de consumo. Não precisa ter nada muito profissional.

Batemos muito nessa questão do ecossistema completo porque temos trabalhado muito forte no software. No passado sabíamos que essa não era a nossa melhor parte. Tínhamos um hardware muito bom, mas o software não estava no mesmo padrão do hardware. E temos trabalhado mais nessa integração entre CPU e GPU, para entregar uma experiência muito melhor para o cliente.

TGE: Aproveitando sua deixa, a AMD já foi muito criticada no passado por conta de problemas de drivers das placas de vídeo. Isso não é mais um problema? Como convencer o consumidor disso?

Patrícia: Evoluímos muito. De um ano para cá não tivemos mais reclamação sobre drivers. Temos apostado muito na evolução do software. Temos batido muito nessa tecla do ecossistema. E tem melhorado muito. Não é mais uma preocupação e estamos atentos a qualquer desvio.

TGE: Um dos principais argumentos de venda atuais para computadores é a inteligência artificial. Os AI PCs, na sigla em inglês. Vocês tem ofertas de GPUs com tecnologia de IA embarcada, e NPUs nos processadores. Para o público gamer, esse argumento começou a fazer algum sentido? Ou ainda não?

Patrícia: Ainda não há conteúdo [games] para isso. AIA está no dia a dia, a gente usa o ChatGPT e há ferramentas sendo lançadas semanalmente. Mas, para o gamer, não tem conteúdo que faça essa diferença. Então ainda não é um apelo.

Artur: Comprando AMD você já estará preparado para a IA. Esse é o ponto. A nossa plataforma está em um servidor [com CPU] Epyc, em uma [GPU] Radeon, em um Ryzen etc. Dizemos que temos a melhor solução para a inteligência artificial porque estamos de ponta a ponta. Também quando se fala de performance dos jogos e uma série de coisas. Tudo isso leva à essa preparação para a IA. Já está embarcado.

TGE: Quais vocês diriam que são os principais desafios para crescer mais no mercado brasileiro em 2026? Especialmente para a AMD, que promove uma transição de arquitetura depois de tanto tempo, da AM4 para AM5?

Artur: Nosso grande desafio para o mercado brasileiro em específico é fazer a transição de tecnologia. Ela ocorre não só por causa da AMD. Quando se fala de mudança de memória, por exemplo. Todo mundo ainda é DDR4. A mudança para DDR5 é mais significativa do que da DDR3 para a DDR4.

Qual o nosso desafio? Atender o público no “price point” [ponto ideal de preço]. Estamos trazendo tecnologia que não depende só da AMD, mas é o nosso desafio. Queremos terminar 2026 com 80% da base na plataforma AM5 [compatível com DDR5]. A AM4 está aqui desde 2017. Nunca houve uma plataforma tão estável. Nosso trabalho é que a AM5 tenha a mesma longevidade e suporte.

TGE: Mas enquanto houver demanda, por conta do preço, vocês manterão a AM4 no mercado? Estamos nesse momento passando por uma crise de preços no mercado de memória. Qual o plano de vocês?

Artur: Posso afirmar categoricamente que toda demanda que houver de AM4 será atendida. Não faz parte da nossa estratégia simplesmente obrigar a transição. A única coisa é que no primeiro e no segundo semestres de 2026 há planos para alguns “fase outs” [retirada do mercado de alguns produtos no padrão antigo]. Mas desde já estamos sentados fazendo contas sobre como fazer essa transição.

Há três meses houve um susto no mercado [de memórias] a ponto de quase igualar o preço da DDR4 e DDR5. Meus clientes ficaram desesperados. Mas há um esforço dos fabricantes para equalizar os preços. Vemos essa questão como não tão tranquila até o fim do ano que vem. Talvez a demora da transição seja mais por conta da memória do que dos processadores.

O que estamos fazendo? Indicando para o revendedor o produto que entrega melhor tecnologia, melhor oferta de memória, de placa mãe etc.

TGE: Segundo os estudos de mercado mais recentes vocês avançaram bastante sobre a concorrência no mercado de CPUs, especialmente quando vendidos como componentes. No de GPUs, no entanto, a Nvidia ainda é líder absoluta. Como reduzir essa diferença? O que ainda falta?

Patrícia: Eu não acho que falta, é questão de reconhecimento de marca. Eles estão aqui há mais tempo que a AMD, como marca propriamente dita, fazendo um trabalho com os gamers. Assim como nós fizemos com [a marca] Ryzen, é um trabalho de formiguinha. Tem que ir mostrando o valor para o consumidor.

Falando de forma muito honesta, começamos a executar uma estratégia diferente há dois anos, três no máximo. No lançamento da série 6000, começamos a entregar produtos que eram de fato desejo de um gamer. Antes disso vendíamos GPUs, simplesmente. Não produtos de desejo.

E agora estamos nesse patamar diferenciado. Vendemos produtos de desejo. Nossos produtos estão muito bem posicionados comercial e tecnicamente.

Podemos dizer que sim, uma Radeon bate placas do “lado verde”. Não acho que que falta alguma coisa. O mercado ainda não enxergou esse valor. Mas estamos caminhando. É continuar esse trabalho que temos feito, lançar produtos com linearidade e consistência. Que o resultado virá.

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