A relação entre inteligência artificial generativa e a indústria de games continua a provocar debates e a despertar ceticismo. Segundo um levantamento do Game Developer Collective, publicado pelo site Game Developer, quase metade dos profissionais de desenvolvimento (47%) acredita que a tecnologia terá impacto negativo nos games, aumento de 13 pontos percentuais em relação a 2024.
Já os que veem a tecnologia de forma positiva caíram de 17% para 11%. Entre as principais preocupações está a tendência da IA de reproduzir padrões já existentes, o que pode resultar em jogos genéricos e com menos identidade criativa.
Em entrevista ao site, Brandon Sheffield, diretor do estúdio Necrosoft Games, foi direto: “a IA tende a “alisar as arestas” da produção, prejudicando até aspectos básicos da jogabilidade, como a física de um salto ou a sensação de usar uma arma”.
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Outros especialistas também apontam riscos, como a pressão econômica para acelerar lançamentos, o uso pouco criterioso das ferramentas e a possibilidade de que grandes empresas imponham o uso aos times de desenvolvimento. Para o pesquisador Mike Cook, do King’s College, o cenário pode levar profissionais a aceitarem resultados “bons o suficiente”, mesmo que isso comprometa o produto final.
Também há quem veja oportunidades. Para Ilia Eremeev, do fundo de investimento The Games Fund, a IA pode trazer ganhos reais em tarefas repetitivas, como variações de assets, rigging ou localização, liberando criadores para se concentrarem em aspectos mais artísticos.
Já Hilary Mason, da Hidden Door, acredita que a tecnologia tem potencial em nichos criativos, como jogos narrativos de RPG interativo. Ela e Eremeev sugeriram que as ferramentas de descoberta nas plataformas de jogos terão um papel importante em moldar a forma como os jogadores veem a IA nos games.
* com informações do portal Game Developer
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