Nintendo contra si mesma: Switch 2 chega em 5 de junho, inclusive no Brasil. Saiba tudo!

Console é versão ‘maior e melhor’ de plataforma familiar. Nos EUA, Switch 2 custará a partir de US$ 450 e terá jogos mais caros
nintendo, switch 2
Imagem: Reprodução

Há quem acredite que a Nintendo superou a necessidade de revelar especificações de seus próprios dispositivos para o público, uma vez que pelo menos desde o Wii a empresa japonesa aposta mais na diversão e na força da própria marca e propriedades intelectuais do que em “hardware porn”. E foi exatamente dessa maneira nessa quarta-feira (2), em transmissão exclusivamente dedicada ao Switch 2, seu console de próxima geração – se é que essa classificação se aplica.

O Switch 2 ficará disponível no mundo, inclusive no Brasil, no dia 5 de junho. Os preços por aqui ainda não foram relevados, mas nos EUA ele custará US$ 450, na edição simples, e US$ 500, no bundle com o recém-anunciado Mario Kart World. A pré-venda começa no dia 9 de abril em “varejistas selecionados”.

Dentro da caixa estarão os controles Joy-Con 2, o dock, um cabo HDMI, um cabo de carregamento USB-C e um adaptador AC. Os detalhes técnicos do hardware do console ficaram escondidos na apresentação de cerca de uma hora de duração (que você pode ver logo abaixo).

O Switch 2 tem tela uma tela LCD (e não OLED) de 1080p de 7,9 polegadas, 13,9 mm de espessura, capacidade de até 4K em 120Hz na tela e no dock conectado a uma TV, compatibilidade com VRR e 256 GB de armazenamento interno (bem mais que os 32 GB no Switch original). A Nintendo ressalva no vídeo, no entanto, que a capacidade de 120 fps vai depender de cada jogo – o que, sejamos justos, é o padrão em qualquer console.

O armazenamento é expansível por meio de cartões SD em um formato chamado MicroSD Express – que não são compatíveis com o formato usado pelo Switch 1. A maioria dos jogos será retrocompatível (com algumas ressalvas). Jogos físicos seguirão usando o mesmo tipo de mídia.

Os controles dos joy-cons agora são magnéticos, com promessa de mais aderência e facilidade para afixar e desafixar. Os botões SR e SL são maiores, com game sticks mais largos. A função de mouse foi confirmada, embora dependa de compatibilidade com os jogos, assim como o botão C, que aciona uma série de recursos de chat e compartilhamento de tela nativos – mas usar esse recurso vai depender de uma assinatura Switch Online a partir de março de 2026.

O sistema de som também promete melhor qualidade e capacidade de captação dos microfones, inclusive com cancelamento de ruído. O console terá duas portas USB-C no modo portátil, uma embaixo e outra em cima – ambas podem ser usadas para conectar a nova Nintendo Switch Camera (ou outra webcam compatível) ou para carregamento.

Um novo Pro Controller também foi anunciado, com botões extras na parte traseira (GR/GL) e uma saída de áudio P2.

Jogos revelados

Na tímida apresentação feita pela Nintendo em janeiro para mostrar o Switch 2 pela primeira vez, o único título mais ou menos confirmado pela empresa para a nova plataforma foi Mario Kart, agora mostrado em mais detalhes. O jogo se chama Mario Kart World, é exclusivo de Switch 2 e será um “system seller”, ou seja, razão para qualquer “nintendista” investir no novo console. Ele virá, aliás, no primeiro bundle anunciado para o console.

Além dos gráficos mais bonitos e cenários grandiosos, a promessa é de jogos online com muitos jogadores no grid ao mesmo tempo, customização de personagens e karts, mudanças de clima e hora do dia nos cenários e um elemento de exploração, além das corridas em diversas modalidades. Uma nova Nintendo Direct é prometida para o dia 17 de abril com mais detalhes do jogo.

Outra grande franquia que retorna pelas mãos da própria Nintendo é Donkey Kong – o game se chama Donkey Kong Bananza, é descrito como um “action plataformer 3D” exclusivo de Switch 2 e lançamento previsto para 17 de julho. Haverá ainda um Kirby AirRiders, outro jogo de plataforma 3D prometido para 2025 e estrelando o mascote rosa.

Outro game anunciado para o Switch 2 é o Nintendo Switch 2 Welcome Tour, que serve tanto como coletânea de minigames como de apresentação dos novos recursos do console. Ele será lançado no mesmo dia 5 de junho, mas o que gera estranheza é que ele será vendido separadamente, não incluído no console como espécie de “jogo tutorial”.

Outra novidade – que já havia sido vazada por diversos veículos, aliás – é que o Switch 2 ganhará versões “aprimoradas” de jogos do Switch 1. Serão as chamadas “Nintendo Switch 2 Editions”, que já tem games confirmados como Super Mario Party Jamboree, The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom, Kirby and the Forgotten Land e Metroid Prime 4, Pokémon Legends Z-A, entre outros. Quem já tem esses jogos para Switch 1 poderá comprar um “upgrade” por valor não divulgado.

A Nintendo Direct de hoje também fez uma rodada de jogos de publishers terceiras, incluindo Bandai Namco, Supergiant, Capcom, Activision Blizzard, Sega, Electronic Arts e Warner Bros, entre muitas outras. Títulos como Elden Ring, Hades 2, Street Fighter 6 e Split Fiction terão versões confirmadas no Switch 2. Entre os exclusivos estão um jogo de 007 feito pela I/O Interactive, um musou da Koei Tecmo no universo de Zelda e, surpreendendo a todos, um exclusivo da FromSoftware chamado The Duskbloods.

A novidade amarga é que os jogos da Nintendo vão ficar mais caros com a nova geração. Os jogos digitais serão vendidos por US$ 80, e os físicos por US$ 90, ao menos os exclusivos. Não se sabe se os preços dos jogos já lançados serão afetados – muito embora no Brasil eles já tenham ficado mais caros em fevereiro.

Switch 2 no Brasil

A Nintendo do Brasil parece ter confirmado, por meio de uma postagem na rede social X e em seu site oficial, o lançamento do console no País no mesmo dia do lançamento global, ou seja, 5 de junho. O preço e a data da pré-venda (se é que haverá uma) não foram divulgadas. O TGE já entrou em contato com a assessoria da Nintendo e espera uma confirmação literal – e essa matéria será atualizada assim que recebermos respostas.

Fontes citadas pelo portal Combo Infinito disseram, em matéria publicada na terça-feira (1º), que o Switch 2 já está em homologação pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) – processo exigido de todo eletroeletrônico que usa redes sem fio para que seja vendido no Brasil. Esse é, em tese, o último passo regulatório antes de lançar um console no País.

No entanto, o TGE não conseguiu confirmar essa informação com fontes na Anatel, e também não encontrou menção ao Switch 2 no portal público de processos da agência reguladora.

As fontes do Combo Infinito dizem ainda que os trâmites para o lançamento no Brasil estão adiantados, e um “estoque robusto” está sendo preparado para o lançamento nacional. No entanto, efetivamente trazê-lo para o mercado brasileiro é uma decisão de negócios da própria Nintendo.

Em entrevista concedida ao The Gaming Era durante a Brasil Game Show de 2024, o holandês Bill Van Zyll, vice-presidente e gerente geral para a América Latina da Nintendo, disse que a expectativa da marca era trazer o Switch 2 para o Brasil sem “o mesmo nível de atraso” do Switch 1 – que levou quatro anos para chegar oficialmente por aqui. “… eu diria que vamos fazer ainda melhor”, disse ele, sobre o suporte à nova plataforma no País.

Nos últimos anos, a Nintendo tem crescido fora dos territórios em que opera tradicionalmente. Em novembro do ano passado, a empresa revelou que suas vendas fora do Japão, EUA e Europa cresceram 6,4 vezes desde 2017, ano de lançamento do Switch, o que justifica a estratégia reforçada em mercados emergentes, inclusive na América Latina.

Uma série de eventos abertos ao público para demonstração do Switch 2 começa na sexta-feira (4) em cidades do Canadá, da Ásia e da Europa, além dos EUA – nesse último começando por Nova Iorque. Ainda há vagas para a lista de espera em alguns desses eventos, que podem ser vistos nessa página. O Brasil não foi abarcado nessa “tour”– ao menos não por enquanto.

Concorrência e sucessão

O hardware do sucessor do Switch talvez sequer se equipare ao do PlayStation 5 ou dos Xbox Series, ambos lançados em novembro de 2020, em plena pandemia de COVID-19, muito menos aos dos PCs mais modernos. A própria Nintendo, em diversas ocasiões, já disse que sua proposta é a de uma plataforma complementar, dispensando competição direta contra Sony ou Microsoft – que devem inaugurar a próxima geração apenas em 2026 ou 2027.

A Nintendo tem diante de si portanto a difícil tarefa de competir contra si mesma, e para isso optou por jogar seguro com o Switch 2, essencialmente o mesmo videogame ao qual os seus consumidores se acostumaram, embora mais potente. Se por um lado talvez falte a inovação na jogabilidade (um mouse? sério?), aguardada por quem sempre espera disrupção da Big N, por outro lado há o familiar (um mouse! viva!) e o saudoso (Mario Kart!).

O que se sabe é que o Switch 2 é baseado em arquitetura ARM, com chip gráfico provido pela gigante Nvidia, parceria antiga da Nintendo. Os recursos relevados na Direct contrariam e confirmam rumores dos últimos dias. De um lado, fontes de veículos internacionais dizendo que os kits de desenvolvimento do Switch 2 não contavam com saída 4K, ou seja, os gráficos do console já estariam ultrapassado de partida; e de outro lado, rumores assegurando que o 4K iria sim existir no modo dock, ou seja, conectado a uma TV (esses últimos acabaram confirmados).

Competindo ou não contra outros players, a verdade é que o Switch unificou os mercados de consoles portáteis e híbridos e se tornou um sucesso estrondoso para a Nintendo. Vendeu 150 milhões de unidades ao longo do seu ciclo de vida, iniciado já oito anos atrás, em março de 2017.

É o terceiro console mais vendido de todos os tempos, atrás do PlayStation 2 e do Nintendo DS – ao menos por enquanto, já que o Switch deve continuar no mercado por mais alguns anos.

O console híbrido também se aproximou de outro recorde: foi a segunda plataforma mais longeva da Nintendo, com oito anos, isso considerado o tempo entre o seu lançamento e o da próxima geração. Só o Game Boy, lançado em 1989, ficou mais tempo sozinho no mercado (levando em conta também o tempo do Game Boy Color, lançado em 1998).

Se contamos somente os consoles “de mesa”, o Switch é o mais longevo.

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