Microsoft vai demitir 9 mil, inclusive em games; Everwild e Perfect Dark são cancelados

Layoff afeta Microsoft Gaming e estúdios Xbox. Na King, 200 são demitidos. Na Zenimax, MMORPG também foi cancelado
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Imagem: Reprodução, Microsoft

A Microsoft vai demitir cerca de 4% de sua força global de trabalho, o que corresponde a mais ou menos 9 mil pessoas em um universo de 228 mil empregados. A divisão de jogos eletrônicos da empresa, chamada Microsoft Gaming e detentora dos estúdios e da marca Xbox, será diretamente afetada, mas ainda não se sabe em que proporção.

A informação, que vinha sendo alvo de rumores nas últimas semanas, foi confirmada nessa quarta-feira (2) pelo site da Variety. Em comunicado enviado ao veículo de mídia americano, a empresa diz que continua a “implementar mudanças organizacionais e na força de trabalho (…) necessárias para posicionar a empresa e as equipes para o sucesso em um mercado dinâmico”.

Quais funcionários serão afetados e em quais divisões eles trabalham ainda não se sabe totalmente. Os cortes devem impactar equipes em todas as regiões e níveis de gestão, e visam otimizar processos e “reduzir níveis de gestão”.

Segundo o chefe da divisão de jogos da Microsoft, Phil Spencer, em carta interna enviada aos funcionários da Microsoft e obtida pelo Insider Gaming, o objetivo da nova rodada de demissões é “posicionar a [unidade de] Gaming para um sucesso duradouro e nos permitir focar em áreas de crescimento estratégico”, seguindo o exemplo da própria Microsoft “na remoção de camadas de gestão para aumentar a agilidade e a eficácia”.

Curiosa e contraditoriamente, Spencer na carta reconhecer que as demissões ocorrem “em um momento em que temos mais jogadores, jogos e horas de jogo do que nunca”, e no qual os projetos para a plataforma Xbox “nunca pareceram tão fortes”. Produtos e serviços com a marca Xbox cresceram 9% em receita no terceiro trimestre fiscal de 2025, segundo a própria Microsoft. Mas Spencer atribui o suposto sucesso a “decisões difíceis que tomamos anteriormente”.

“Precisamos fazer escolhas agora para manter o sucesso nos próximos anos, e uma parte fundamental dessa estratégia é a disciplina para priorizar as oportunidades mais fortes”, escreve ele. “O RH está trabalhando diretamente com os funcionários afetados para fornecer benefícios do plano de rescisão (…). Funcionários cujas funções foram eliminadas são incentivados a explorar vagas em aberto na Microsoft Gaming, onde suas candidaturas serão analisadas com prioridade.”

Nesse exato momento, a Microsoft segue dando uma guinada profunda no próprio modelo de negócios em games, sob o mote de que qualquer dispositivo pode ser um Xbox. Recentemente a empresa anunciou uma renovação de parceria com a AMD para a próxima geração de consoles, e ao mesmo tempo firmou parcerias de licenciamento de marca com a Asus para um PC portátil de jogos (o ROG Xbox Ally) e com a Meta em um dispositivo de VR.

Divisões e projetos afetados

Segundo o jornalista Jason Schreier, da Bloomberg, citando fontes próximas ao assunto, a sueca King – empresa de games mobile parte da Activision Blizzard King e dona da franquia Candy Crush – terá pelo menos 200 pessoas demitidas, ou cerca de 10% de todos os funcionários.

Escritórios da ZeniMax, que também faz parte dos Xbox Game Studios e é “dona” da Bethesda, também já estariam informando funcionários sobre os desligamentos. Nos EUA, os comunicados de demissão também seriam enviados ao longo da manhã de hoje. Não se sabe se a operação brasileira da empresa será afetada.

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Everwild, da Rare. Imagem: Divulgação

Segundo Schreier, pelo menos dois grandes projetos dos estúdios da Microsoft foram cancelados junto com a rodada de demissões. Na Rare, o aguardado action-adverture Everwild, anunciado em 2018, foi cancelado, mas não se sabe exatamente quantas pessoas no estúdio foram mandadas embora. O Insider Gaming diz ter confirmado a informação.

Já na Zenimax, um RPG online não revelado de codinome “Project Blackbird” também teria sido cancelado. O jogo estaria em desenvolvimento desde 2018.

No total, a divisão de games da Microsoft empregava cerca de 20 mil pessoas em janeiro de 2024, segundo Schreier. Mas não é a primeira demissão em massa promovida pela companhia. A última ocorreu em maio desse ano e afetou cerca de 6 mil pessoas, atingindo especialmente cargos ligados a produto e engenharia.

Em maio do ano passado, outra grande rodada de demissões afetou inclusive estúdios: foram fechados a Arkane Austin, nos EUA, e o japonês Tango Gameworks, depois comprado pela sul-coreana Krafton.

UPDATE: 02/07, 14h30

Além dos cortes previamente citados nessa matéria, a Microsoft também teria fechado o estúdio The Initiative e cancelado o reboot de Perfect Dark. A informação foi publicada pelo Windows Central, que compartilhou um e-mail enviado pelo líder do Xbox Game Studio, Matt Booty, em mensagem depois confirmada por Jason Schreier.

O Raven Software, estúdio auxiliar da Activision e atuante na franquia Call of Duty, também teria sido afetado. O Turn 10, desenvolvedor de Forza Motorsport, teria tido 50% do time cortado.

Apesar disso, segundo o executivo, 40 projetos seguem em desenvolvimento pelos estúdios internos da Microsoft.

UPDATE: 02/07, 16h40

O The Gaming Era procurou a assessoria de imprensa da Microsoft no Brasil para obter um posicionamento sobre as demissões, e para saber se elas ofertaram a operação brasileira da companhia de alguma forma. A resposta que obtivemos se limitou a dizer a empresa “continua a implementar mudanças organizacionais e na força de trabalho necessárias para posicionar a companhia e seus times para o sucesso em um mercado dinâmico”.

* com informações da Variety, Bloomberg, Insider Gaming, GamesIndustry e Windows Central

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