Marcas olham para games e creators, mas ainda enfrentam resistências

Tema foi debatido durante o CEEX 2025. Creator Lactea e Luciana Bülau, ex-Sadia, falaram dos desafios de colocar gigante alimentícia no universo gamer
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Imagem: Bruna Damin

Poucos painéis discutiram diretamente o mercado gamer durante o primeiro dia do Creator Economy Experience, o CEEX, voltado para a chamada “creator economy”. O tema, no entanto, não ficou totalmente ausente do evento, que aconteceu entre quarta (26) e quinta (27) no São Paulo Expo, zona sul da capital.

No palco ESPM, um painel – chamado Minisséries e Narrativas Transmídias com Creators –, mediado por Renata Alcaide, reuniu o influenciador Stenio Girardelli, o Lactea, o cofundador da agência Roda Digital, Pedro Gazzola, e Luciana Bülau, ex-diretora de marketing da Sadia. Os profissionais debateram estratégias de narrativas e conexões entre marcas, creators e comunidades culturais.

Um dos casos mais emblemáticos citados no painel foi o da aproximação entre Sadia e Kings League Brazil — competição de futebol de sete com elementos de games idealizada pelo ex-jogador espanhol Piqué. A campanha da marca para o Dia do Gamer foi realizada com Girardelli, o famigerado Lactea. 

Historicamente associada a um público mais amplo e tradicional, a Sadia buscou com essa iniciativa alcançar audiências jovens e digitalizadas. Bülau afirmou que a aposta não foi imediata – “sofri uma repressão interna, ninguém nem conhecia Kings League” – e o processo de convencimento dentro da empresa levou cerca de um ano. 

A relação com Lactea foi apresentada pela executiva como um “match perfeito”. Ele teria recebido uma certa liberdade criativa para construir sua narrativa. O influenciador reforçou que os games fazem parte de sua rotina, apesar de ser conhecido pelos conteúdos humorísticos, e destacou que a internet foi o caminho para construir sua voz e público. “A internet foi esse meio para conseguir tudo que tenho hoje”, disse.

Meta: autenticidade 

Bülau, que coordenou diversas iniciativas de inovação da Sadia nos últimos anos, explicou que a principal preocupação na campanha para o Dia do Gamer era garantir autenticidade. Segundo ela, era essencial que os produtos e a comunicação dialogassem genuinamente com o público gamer e com os creators envolvidos, sem soar forçado ou desconectado da cultura. 

A estratégia pretendia integrar o portfólio da marca a contextos contemporâneos — no universo dos games e com foco na Gen Z e Millennials.

A aproximação da Sadia com a cultura gamer reflete a transição de marcas de consumo de massa rumo a territórios culturais antes negligenciados. Para a Sadia, isso significa dialogar com diferentes gerações: atingir consumidores tradicionais em um dia e falar com a comunidade jovem da Kings League ainda no mesmo. 

O movimento sinaliza como o marketing de influência e o engajamento com nichos e subnichos se consolidam como estratégias relevantes para marcas que querem acompanhar as transformações de comportamento e consumo.

No entanto, há um novo desdobramento importante nessa narrativa: em 4 de novembro de 2025 Luciana deixou a holding MBRF — controladora da Sadia — após sete anos e meio, os últimos quatro como gerente executiva de marketing. A saída foi anunciada em um post no LinkedIn, no qual a executiva agradeceu à equipe e às conexões formadas, dizendo que “quem planta conexões não fecha portas… abre janelas”. 

Com essa mudança, não se sabe o futuro das iniciativas da Sadia voltadas ao universo gamer e o rumo que será dado às parcerias com creators ou ligas como a Kings League.

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