A organização do The Game Awards revelou publicamente o júri da edição 2026 da premiação. E ele reflete o espaço cada vez maior que a América Latina ocupa na indústria global de games.
Com um total de 34 veículos dentre os 160 que compõem o júri, nossa região representa 21,2% do total de representantes, e pela primeira vez supera um quinto do total de votos do prêmio, como mostra análise feita pelo jornalista de dados Lucas Arraz.
Estes números e outras análises a seguir levam em conta apenas o júri principal, não são levados em consideração os júris de eSports e acessibilidade, que são diferentes.
O Brasil é o maior representante latino, com 14 veículos, o que se traduz também em 8,8% do total, a terceira maior “bancada” do TGA e a maior participação brasileira no evento desde que estreou em 2015, com o então solitário UOL Jogos.
Em contrapartida, a participação dos Estados Unidos diminuiu consideravelmente. Saíram nove veículos e entraram três, colocando os EUA com 10,6% do júri, a menor participação estadunidense da série. Na primeira edição, em 2014, eram quase dois terços da lista (64,3%).
Na minha opinião, o júri do TGA 2026 concretiza um movimento visível e cada vez mais forte desde o fim da pandemia.
Com mercados desenvolvidos saturados e diversos indicadores endêmicos em queda, especialmente os financeiros, as produtoras de jogos cada vez mais buscam outros mercados para explorar e a América Latina desponta claramente como o de maior potencial.
Por exemplo, nos últimos três anos temos visto o Brasil consolidar dois grandes eventos gerais de games com repercussão nacional no calendário com Gamescom Latam no 1º semestre e Brasil Game Show no 2º semestre – sem contar eventos mais nichados, como Retrocon e C3 Expo, que também atraem atrações internacionais para cá.
Abrindo o escopo, é notável também a variedade de diferentes eventos pela América Latina, especialmente Argentina, Chile e México.
O holofote se aplica igualmente à produção latino-americana, que ainda briga para conquistar espaço de forma recorrente nos principais prêmios do TGA, mas já movimenta o mercado de forma notável. Duas iniciativas tornam isso mais do que evidente: primeiro o BIG Festival, que acontece desde 2012 e é hoje em dia o maior festival de jogos indie do mundo em termo de jogos inscritos, e em seguida o Latin American Games Showcase, iniciativa linda capitaneada pelo cineasta David Lucio que destaca títulos produzidos na região e é parceiro recorrente do The Game Awards, Summer Game Fest e outros eventos internacionais mundo afora.
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É de se notar também o aumento perceptível de jogos recebendo português do Brasil e espanhol específico da América Latina como opções de idioma em seus principais títulos. Até mesmo desenvolvedoras japonesas notórias por essa deficiência melhoraram muito, como ATLUS e Nintendo. Não é exagero algum dizer que hoje em dia é uma falha grande não lançar um jogo que ofereça ao menos legendas e menus em português brasileiro.
Por fim, quero destacar também a regulamentação do Marco Legal dos Games. Na minha visão, o Marco estabelece uma estrutura mais sólida e transparente para investir no desenvolvimento de jogos eletrônicos no Brasil.
Acho compreensível existir discussão se as medidas de fato são as mais urgentes ou efetivas, mas a simples existência desse tipo de arcabouço é importante e reforça não só a indústria brasileira como também a América Latina, visto que o Brasil é dos maiores mercados na região.



