Indústria global de games termina 2025 com 9 mil demissões, acima do esperado

Número, no entanto, é menor que os 15,6 mil demitidos de 2024, diz Amir Satvat. Confira os lay-offs de maior destaque do ano passado
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Foto: Canva

A indústria global de jogos eletrônicos terminou 2025 com cerca de 9 mil demissões contabilizadas, um número expressivamente menor que as 15,6 mil registradas no ano anterior – mas também maior do que as 7,5 mil até então esperadas. Os dados são de Amir Satvat, fundador e líder da Always Supporting the Games Community (ASGC), que divulgou os números acima em publicação recente no LinkedIn.

Resumindo: o ano passado foi pior do que o esperado para os trabalhadores da indústria, mas menos grave que o histórico 2024. Satvat espera ainda que 2026 termine com cerca de 8 mil demissões – em janeiro, aliás, até a data da publicação do ativista, 115 demissões já haviam ocorrido.

“Caso esses números se confirmem, o total de demissões na indústria de jogos entre 2022 e 2026, considerando dados reais e projeções, chegará a 51.709”, escreve ele. “Como sempre, espero sinceramente estar enganado e que o número final se aproxime o máximo possível de zero.”

Satvat é atualmente executivo de desenvolvimento de negócios da Tencent na América do Norte, com passagens por Amazon Games, AWS e outras. Ficou conhecido pela iniciativa sem fins lucrativos ASGC, que ajuda desenvolvedores demitidos a encontrar empregos usando redes sociais – por ela, recebeu um troféu durante o The Game Awards de 2024. Diz ter ajudado mais de 4 mil pessoas a serem contratadas.

As previsões de Satvat, além de uma plataforma que ajuda profissionais da indústria a encontrarem trabalho, podem ser vistas no site da ASGC.

Lay-offs de destaque

No ano passado, a indústria continuou surfando a nefasta onda de demissões iniciada em 2023, após o boom da pandemia de covid-19. Grandes publishers e estúdios anunciaram cortes profundos, muitas vezes justificados por reestruturações, com cancelamento de projetos e apostas em inteligência artificial.

Em julho, a Microsoft anunciou uma nova rodada de demissões que atingiu mais de 9 mil funcionários em todo o mundo, muitos nas divisões de games, correspondendo a cerca de 4% da força de trabalho global. A empresa afirmou que as demissões fazem parte de ajustes organizacionais para melhor posicionar a companhia.

Na divisão de jogos, os cortes impactaram estúdios como Rare, Raven Software, Sledgehammer Games, Avalanche Studios e Turn 10, além de afetar equipes de suporte e corporativas. Houve o cancelamento de grandes projetos, como o revival de Perfect Dark (desenvolvido pela The Initiative, que foi fechada) e o jogo de mundo aberto Everwild.

Outra que demitiu foi a Ubisoft. Também em reestruturação após um momento de crise, a empresa mandou embora mais de 700 funcionários após 31 de março, segundo relatório financeiro. Esses cortes fazem parte de um programa mais amplo de redução de custos que, no total, já havia eliminado cerca de 1,5 mil vagas nos últimos 12 meses. Já em 2026, anunciou o fechamento de um estúdio no Canadá após os funcionários anunciarem a formação de um sindicato.

Outro grande estúdio que anunciou cortes, e dessa vez com bastante escândalo envolvido, foi a Rockstar Games, que mandou embora uma equipe inteira de desenvolvedores. O caso ganhou grande destaque por ter sido associado à tentativa de sindicalização dos funcionários – o que a própria Rockstar nega, acusando os funcionários de terem vazado informações sensíveis. O caso gerou protestos e até investigações governamentais.

A japonesa Square Enix também anunciou em 2025 uma reestruturação de sua operação de publicação no exterior, que incluiu o fechamento de escritórios na Europa e na América do Norte – e mais de 100 demissões. O objetivo da companhia é concentrar esforços no Japão. Os fechamentos impactaram inclusive parte da capacidade de localização e suporte em mercados ocidentais.

A Crystal Dynamics, desenvolvedora da franquia Tomb Raider, passou por uma terceira rodada de demissões em 2025, em mais um capítulo da crise enfrentada pelo estúdio desde a aquisição pelo grupo Embracer em 2022. Em novembro, o estúdio confirmou que demitiu cerca de 30 funcionários como parte de uma reestruturação.

A Supermassive Games, conhecida por Until Dawn, também fez demissões em massa no segundo semestre de 2025, alegando necessidade de “adaptar a estrutura da equipe”. Os cortes atingiram diversos desenvolvedores e tiveram impacto direto em seus projetos em andamento.

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