‘A indústria de games está me matando’, diz gamedev em novo relatório da GDC

Um a cada 10 desenvolvedores de jogos foi demitido em 2024, indica estudo divulgado pela GDC e pela Omdia
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Imagem: Canva

Mais de um em cada dez (11%) criadores de jogos eletrônicos foi demitido ao longo de 2024, e 29% tiveram colegas desligados em layoffs. Outros 4% fizeram parte de um estúdio que foi fechado nos últimos 12 meses. É o que revela um estudo divulgado pela Game Developers Conference (GDC) nessa terça-feira (21), o State of the Gaming Industry 2025.

A maioria dos profissionais demitidos no período trabalhavam com narrativa (19%), produção e gestão de times (16%) ou artes visuais (16%). Programadores (12%), game designers (9%) e profissionais de negócios e finanças (6%) foram menos afetados. Cerca de 16% dos demitidos decidiram trabalhar sozinhos depois de serem atingidos por um layoff.

Reestruturações (22%), queda de receita (18%) e mudanças na indústria e no mercado global de games (15%) foram as três principais razões apontadas por empregadores para as demissões, segundo os próprios trabalhadores. O relatório também indica que 19% não deram justificativa alguma após a demissão.

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Todos esses fatores têm gerado intensa frustração nos trabalhadores de games ouvidos pela Omdia. “A indústria de games está me matando” e “Tenho que conseguir um emprego em outra indústria” foram algumas das frases ouvidas pelos pesquisadores e que estão no relatório.

O estudo feito em parceria com a Omdia, que assim como a GDC pertence ao grupo britânico Informa, ouviu principalmente desenvolvedores dos EUA (58%), mas há também britânicos (7%), canadenses (6%), australianos (3%) e brasileiros (1,6%). A maioria absoluta é homem (66%), com idades entre 25 e 44 anos (69%).

Mulheres são apenas 25%, e pessoas não-binárias (6%). No que diz respeito à raça, 59% são brancos, 16% asiáticos, 10% latinos e apenas 3% negros. A maioria é desenvolvedor independente (32%) e trabalha sozinho (21%) ou em estúdios pequenos que tem entre 2 e 5 pessoas (14%). Outras grandes parcelas atuam em estúdios AAA (15%) ou AA (10%).

Apesar da preocupação com os layoffs continuar elevada (58% dizem ter algum nível de preocupação), quase um terço (30%) dizem não estar preocupados com o assunto – número menor que os 35% registrados um ano antes.

Uso de IA generativa

Outro aspecto abordado pelo estudo é o uso da inteligência artificial generativa (GenAI) na produção de jogos. A maioria dos entrevistados (36%) diz usar a tecnologia, ou ter colegas que usam (16%), enquanto parcela menor (27%) diz não fazê-lo. Quase um décimo (9%) diz não usar, mas tem interesse.

Trabalhadores da área de negócio e finanças (51%) são os que mais empregam IA generativa no trabalho, seguidos pelos líderes de equipe e produção (41%) e comunicação e marketing (39%). Um dado curioso é que os desenvolvedores mais velhos são mais propensos a usar GenAI do que os mais jovens.

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Quase dois terços (64%) dos desenvolvedores dizem que trabalham em empresas com alguma política interna para uso de IA generativa, frente aos 51% registrados ano passado, ou seja, houve aumento de interesse das empresas sobre o assunto. O número aumenta para 78% para desenvolvedores em grandes estúdios AAA.

A impressão que os trabalhadores da indústria de games têm sobre a IA generativa também piorou. A maioria (30%) acha que o impacto da tecnologia sobre a indústria será negativo (eram 18% em 2023), enquanto os que acham que o impacto será positivo caíram (eram 21% em 2023 e agora são 13%).

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