Os acionistas da Ubisoft estão analisando formas de fechar o capital, ou seja, promover uma compra integral de ações para tirar a empresa francesa da bolsa de valores. Uma das formas seria com apoio da chinesa Tencent, hoje dona de cerca de 10% da Ubisoft, e outros investidores, de modo a manter o controle a família Guillemot, fundadora e maior acionista com cerca de 15% das ações.
A notícia foi publicada nessa sexta-feira (6) pela agência de notícias Reuters, citando duas fontes próximas da negociação. A empresa com sede em Montreuil é a maior empresa de videogames da Europa, com faturamento estimado em 1,81 bilhão de euros em 2023.
A notícia fez as ações da Ubisoft subirem mais de 13% na bolsa de valores de Paris no fim do pregão dessa sexta.
As fontes da Reuters dizem que a família Guillemot faz questão de manter o controle da empresa, mas que a Tencent, já a segunda maior acionista da Ubisoft e detentora das ações de muitas outras empresas de videogame – incluindo cerca ade 93% da norte-americana Riot, ainda não decidiu se participará do negócio.
A empresa chinesa quer ter maior poder de decisão no conselho da companhia. Isso incluiria distribuição de lucros e sobre os investimentos em games, diz a fonte da agência de notícias. Os chineses também querem evitar uma “aquisição hostil” da Ubisoft por outros investidores – no jargão financeiro, isso significa fazer uma oferta direta aos acionistas da empresa comprada sem aprovação formal de um conselho de administração.
Tanto a Tencent como a família Guillemot não responderam aos pedidos de entrevista da Reuters. Já a Ubisoft, por meio de porta-voz, se limitou a responder que a empresa “está revisando todas as suas opções estratégicas”.
Crise na Ubisoft
Os pedidos de uma mudança drástica nos rumos (e na estrutura) da Ubisoft vem desde o lançamento de Star Wars Outlaws, game desenvolvido pela sueca Massive Entertainment e lançado no fim de agosto sob uma chuva de críticas e com baixas vendas. À época, alguns acionistas da empresa pediram publicamente que a empresa saísse da bolsa para escapar dos altos e baixos.
Foi uma das várias notícias negativas sobre a Ubisoft ao longo do ano – a empresa adiou seu principal lançamento para esse ano, Assassin’s Creed Shadows, para 2025, diluiu a equipe responsável pelo elogiado Prince of Persia: The Lost Crown e descontinuou sua última aposta de jogo como serviço, XDefiant, além de demitir quase 300 pessoas em São Francisco e Osaka, para ficar em três exemplos.
As ações da empresa caíram para o preço mais baixo da última década em setembro, depois do adiamento do próximo Assassin’s Creed.
* com informações da agência de notícias Reuters