Na mesma semana em que a Dell anunciou novos modelos de notebooks gamers da marca Alienware no Brasil, dessa vez explorando nichos de mercado de menor poder aquisitivo, a fabricante de origem taiwanesa Gigabyte também fez um movimento inédito: lançou oficialmente o A16, primeiro notebook gamer da marca no País. A máquina vem equipada com a GPU RTX 5060, da Nvidia, e custa R$ 9 mil, faixa de preço considerada intermediária nesse segmento.
O valor é o mesmo do Alienware 16 Aurora com a placa de vídeo RTX 5050, ou seja, um pouco menos poderosa do que o correlato da Gigabyte. A intenção da empresa, até então mais conhecida no Brasil pelo hardware para PCs, é de fato competir em um cada vez mais aquecido mercado brasileiro de computadores portáteis, conforme apurou o editor Pablo Miyazawa, durante evento de lançamento realizado em São Paulo na quarta-feira (3).
E, para isso, a Gigabyte promoveu grandes mudanças em sua estrutura brasileira. É o que os seus porta-vozes chamam de “reposicionamento”, após um lançamento local da marca ocorrido em 2021 e calcado sobretudo em monitores.
“O legal do A16 é que traz uma evolução não só para o mercado em si, mas para a própria Gigabyte. (…) agora, viemos de forma agressiva com notebooks e monitores também. Nossa intenção, pelo menos para esse nicho de notebooks para gamers, criadores de conteúdo e o pessoal do audiovisual, é nos tornarmos uma das grandes referências”, disse ao The Gaming Era o designer chefe da Gigabyte para a América Latina, Matheus Barbosa.

O equipamento é divulgado pela marca como tendo “preço competitivo” e uso duplo, ou seja, serve tanto para jogar como para trabalhar (o que o jargão do segmento chama de “produtividade”). Disponível para venda com exclusividade no varejista Kabum, o modelo tem outras especificações atrativas, como processador Intel Core i7, bateria de 76Wh com autonomia de até 12 horas (não jogando), tela panorâmica UXGA (1920X1200) de 165Hz e áudio Dolby Atmos.
“No Brasil, entendemos que nosso público tende para o ‘high end’, mas também para o mercado mais ‘de entrada’. (…) É uma janela em que estamos apostando muito, para atingir justamente não só o gamer, mas o público tradicional, profissional”, ponderou Talinna Cândido, gerente de marketing da Gigabyte.
A empresa também pretende lançar por aqui modelos de notebook com as GPUs RTX 5070 e 5090, embora ainda não haja data ou preços, confirmou a executiva ao The Gaming Era.
A expectativa da Gigabyte, confirmou Talinna, é que os notebooks gamers estejam cada vez mais presentes no portfólio da marca, tanto pelo interesse dos gamers quanto dos usuários com intenções profissionais. Esse movimento, aliás, teria relação com a crescente necessidade de economizar espaço físico por parte do consumidor atual.
“Acredito que isso irá coincidir com a evolução das tecnologias: conforme cada placa de vídeo, cada componente que tem dentro do notebook diminuir de tamanho, eu acho que [esse mercado] irá acompanhar isso.”
Batalha dos notebooks gamers
A briga na qual a Gigabyte está entrando no Brasil tem competidores de peso. Além da Dell/Alienware, há por exemplo a também taiwanesa Asus, que aposta em equipamentos cada vez mais high end e se aproveita da reputação de sempre trazer primeiro ao País as versões mais recentes das placas de vídeo da Nvidia para notebooks. (Não por acaso, a Asus e suas marcas ROG e Strix são competidoras diretas da Gigabyte/Aorus também no segmento de hardware).
Outra que está na disputa pelos gamers e profissionais com a intenção de ser a mais rápida importadora local de tecnologias da Nvidia é a brasileira Avell, que também voltou recentemente a se dedicar com mais ênfase aos gamers. Há ainda players multinacionais respeitáveis, como a Lenovo, com a marca Legion; a Acer com as linhas Nitro e Predator; e a brasileira Daten, com a marca NAVE, entre várias outras com foco cada vez maior nos jogadores. E não só neles.
“Cerca de 30% dos compradores de notebooks gamer nunca abriram um jogo. Tem muita gente que compra computador gamer porque precisa do alto desempenho para outras tarefas, para trabalhar com edição de vídeo, com modelagem 3D, com arquitetura”, explicou Alexandre Ziebert, gerente de marketing técnico da Nvidia para a América Latina, que também conversou com o TGE durante o evento da Gigabyte.

Segundo o executivo da fabricante de GPUs, é interessante que cada vez mais empresas apostem em notebooks com placas de vídeo dedicadas no Brasil. Nesse sentido, a Gigabyte estaria “muito bem posicionada”, e alinhada com a Nvidia na estratégia de “conseguir trazer, no menor tempo possível, um produto que está em uma faixa de preço ótima, com uma configuração bacana”.
“O gamer procura uma GeForce com final 60 porque sabe que vai entregar o desempenho que ele precisa, para ter uma excelente experiência em praticamente qualquer jogo, a um custo bacana. E isso se aplica tanto em desktops quanto em notebooks”, declarou Ziebert, salientando que ainda há muita oportunidade para fabricantes desses equipamentos no Brasil.
“Globalmente, o notebook gamer já conquistou um espaço importante em muitos países. Até dentro da própria América Latina, há países em que se vende mais notebooks do que desktops. No Brasil ainda não, o que por outro lado é uma oportunidade de crescimento importante”, finalizou.
* Apuração e edição: Pablo Miyazawa



