O tema inteligência artificial tomou conta das agendas e discussões em toda a indústria criativa nas últimas semanas. Com o lançamento de plataformas como o Veo 3, do Google, a sensação — se é que ainda restava alguma dúvida — é de que estamos na linha de frente entre os setores que serão mais rapidamente impactados pelas “super IAs”.
Não estamos falando apenas de empregos ameaçados, mas do próprio modelo de negócios de muitas empresas.
Organizações cuja atividade central é a prestação de serviços tendem a sofrer uma forte redução no volume de trabalho, à medida que o custo de desenvolvimento, o acesso a ferramentas e a dependência de grandes equipes para viabilizar projetos criativos diminuem drasticamente com a ascensão das inteligências artificiais.
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No caso específico da indústria de jogos, somam-se ainda os efeitos do período pós-pandemia, que já vinha impondo uma espécie de ressaca econômica, com demissões em massa e redução de investimentos em diversos estúdios ao redor do mundo. Diante desse cenário, a pergunta que paira no ar é inevitável:
O que será da nossa indústria? Existirá vida no pós-IA?
Compartilho aqui com vocês algumas reflexões — sempre com meu viés otimista e não apocalíptico. Afinal, ser empreendedor no Brasil exige um espírito permanentemente motivado e a capacidade de enxergar oportunidades onde muitos só veem dificuldades.
Minha grande aposta para o futuro dos estúdios de jogos — e, por extensão, para toda a indústria criativa — está na construção de propriedades intelectuais (IPs) fortes, capazes de capturar a atenção e o investimento direto do consumidor final.
O público continuará consumindo séries, filmes, jogos. Continuará sendo fã de franquias, personagens e universos bem construídos. O dinheiro dos fãs continuará existindo — e, com ele, o mercado de IPs seguirá pulsante.
Já o capital B2B, esse que movimenta a indústria de serviços terceirizados, tende a se tornar cada vez mais escasso e disputado. Se eu pudesse dar um único conselho aos empresários da indústria de jogos no Brasil seria:
Dobrem as apostas em suas IPs. Elas continuarão existindo no mundo pós-IA.



