Electronic Arts é vendida por US$ 55 bi para consórcio de investidores

Venda integral em dinheiro foi fechada com três dos maiores fundos do mundo: PIF, Silver Lake e Affinity Partners
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Imagem: Reprodução

A Electronic Arts, publisher americana dona de franquias como EA Sports FC, Battlefield, The Sims, Dragon Age e Mass Effect, entre tantas outras, anunciou nessa segunda-feira (30) que firmou acordo para ser adquirida por um consórcio de investidores composto pela PIF (fundo de investimento público da Arábia Saudita),pela Silver Lake e pela Affinity Partners. O valor da transação em dinheiro é de aproximadamente US$ 55 bilhões (cerca de R$ 290 bilhões, na cotação da data de publicação dessa matéria).

Segundo a própria empresa, o negócio coloca a EA em posição de “acelerar a inovação e o crescimento para construir o futuro do entretenimento”. O comunicado sobre o acordo foi publicado na página de relacionamento com investidores da empresa. Segundo a EA, trata-se do “maior investimento de capital fechado totalmente em dinheiro da história”.

Os atuais acionistas da EA receberão US$ 210 por ação, um prêmio de 25% sobre o preço de US$ 168,32, registrado em 25 de setembro último. A empresa havia fechado o ano fiscal de 2025 com receita líquida de US$ 7,4 bilhões, e caixa líquido de US$ 2,07 bilhões, crescimento de 1% na comparação como o ano anterior. E já vinha promovendo a recompra de ações ao longo do último ano fiscal, tendo gastado US$ 1,37 bilhão em 9,8 milhões de ações.

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Andrew Wilson, CEO da EA. Foto: Divulgação

“Olhando para o futuro, continuaremos a expandir os limites do entretenimento, esportes e tecnologia, desbloqueando novas oportunidades. Juntamente com nossos parceiros, criaremos experiências transformadoras para inspirar as gerações futuras”, diz em comunicado Andrew Wilson, presidente e CEO da Electronic Arts.

Luis Ubiñas, diretor do conselho de administração da empresa, diz no mesmo comunicado que o negócio vai gerar “valor em dinheiro imediato e garantido aos nossos acionistas”, e também fortalecer “a capacidade da EA de continuar construindo as comunidades e experiências que definem o futuro do entretenimento”.

A transação aprovada pelo conselho da EA deve ser concluída no primeiro trimestre fiscal de 2027, ou seja, a partir do segundo semestre do ano-calendário de 2026. Mas a operação ainda depende de aprovações regulatórias e dos acionistas. Se tudo isso acontecer, as ações ordinárias da EA passam a não estar mais listadas em bolsa – o que o mercado costuma chamar de “fechamento de capital”.

Após a conclusão, a EA permanecerá sediada em Redwood City, Califórnia, e continuará sendo liderada por Andrew Wilson.

Quem são os investidores?

O Public Investment Fund (PIF), ou Fundo de Investimento Público, é o fundo soberano da Arábia Saudita e um dos maiores do mundo. Seu objetivo é investir recursos em nome do governo saudita, e busca reduzir a dependência do país da exportação de petróleo.

É dono da Savvy Games Group, cujo último grande investimento foi a compra da operação de games da Niantic – criadora de Pokémon GO – por US$ 3,85 bilhões em março desse ano, e também da ESL Faceit Group (organizadora de torneios de eSports), com participações minoritárias em publishers como Nintendo, Take-Two e Capcom, entre várias outras.

Nos últimos anos, o país árabe tem investido fortemente em games, tendo inclusive criado um distrito na capital Riad chamado Qiddiya. A Arábia Saudita é sede da Esports World Cup (EWC), torneio anual organizado pela Esports World Cup Foundation, financiado pelo mesmo PIF.

ENTENDA: Venda de Pokémon Go para a Scopely aumentaria papel da Arábia Saudita no mundo dos games

Já o americano Silver Lake é um velho conhecido do setor de tecnologia e inovação. É um dos maiores e mais influentes empresas globais de private equity (capital privado), conhecida pelos investimentos de grande escala em empresas como Dell, Waymo e Airbnb – e, no mundo dos games, na criadora do motor gráfico Unity. Tem mais de US$ 100 bilhões em ativos e capital sob gestão.

Por último, a Affinity Partners é uma empresa de gestão de capital privado fundada por Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump. Investe em games, entretenimento e esportes, principalmente em empresas americanas e israelenses, mas também no Oriente Médio. Não surpreendentemente também tem o PIF como um dos seus principais financiadores.

Não é exatamente uma surpresa que a EA estivesse a venda, uma vez que rumores anteriores já aviltavam essa possibilidade. Mas a aquisição por fundos privados, sim, surpreende, especialmente considerado o alto volume de dívidas envolvidas. Isso explicaria o dinheiro em espécie injetado: dos US$ 55 bilhões gastos pelos três fundos, com pelo menos US$ 20 bilhões por meio de dívida contraída com o megabanco americano JP Morgan.

Por conta disso, segundo especialistas ouvidos pelo The Gaming Era, é bem provável que a necessidade de pagar essa dívida, além do apetite por recuperar os investimentos por parte dos fundos, acabe causando drásticas reestruturações na EA no futuro – o que, muito provavelmente, pode incluir demissões, os famigerados lay-offs.

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