Como diferentes gerações se conectam com o universo dos games?

Dos baby boomers aos ‘gen alpha’, cada geração tem suas particularidades – que precisam ser entendidas pelas marcas
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Imagem: Canva

O universo dos games deixou de ser um nicho restrito a jovens para se tornar um dos maiores fenômenos culturais e econômicos do mundo. Se antes a ideia era associar os jogos apenas à infância e adolescência, hoje eles estão na vida de pessoas de todas as idades, do estudante que joga no celular no intervalo da aula até o executivo que relaxa com partidas rápidas no fim do dia.

Essa diversidade vem me mostrando algo essencial: cada geração se relaciona com os games de um jeito próprio, mas que, em muitos aspectos, pode se assemelhar. Entender esses comportamentos tem se tornado fundamental para marcas, desenvolvedores e toda a cadeia de entretenimento que se conecta com o público gamer.

Tive a oportunidade de crescer jogando e vou te contar um pouco:

Baby Boomers e geração X: entretenimento tardio

Nascidos entre 1946 e 1964. Embora não sejam nativos digitais, essa geração se aproximou dos jogos por meio da convivência com filhos e netos, transformando o videogame em uma oportunidade de interação entre gerações.

Para esse público, acredito que os games funcionam mais como um espaço de conexão afetiva e lazer compartilhado do que como um hábito individual ou competitivo.

Para eles, vejo ser comum se interessem por títulos casuais, como quebra-cabeças digitais ou versões simplificadas em consoles e dispositivos móveis, que oferecem desafios rápidos e intuitivos sem exigir grande conhecimento tecnológico. Mas, muito além do entretenimento, vejo também essas pessoas encontrando nos jogos uma forma de estimular a memória. Exercitar o raciocínio lógico e se manterem inseridos em um universo cultural cada vez mais digitalizado, com a cabeça trabalhando a seu favor, e reforçando a ideia de que os games podem cumprir um papel social e cognitivo.

É a geração do meu pai, que me levava nos fliperamas e me deixava brincar no seu MSX.

Geração X

Nascidos entre 1965 e 1980, viveram a transição entre o mundo analógico e o digital. Por isso, acredito que tenha uma relação particular com os games. Foram os primeiros a acompanhar a chegada dos videogames domésticos, como o Atari e Nintendo, além dos fliperamas que marcaram os anos 1980.

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Para muitos, os jogos representaram o início do contato com a tecnologia e o entretenimento digital, mesmo que com a cultura gamer ainda não consolidada. Ainda assim, vejo que parte desse público mantém o hábito ao longo dos anos como hobby e, hoje, ganha espaço tanto entre consumidores nostálgicos de títulos clássicos, quanto em comunidades que enxergam nos games uma forma de lazer, conexão familiar e até preservação de memórias.

É a geração da minha mãe, que diz que não é gamer mas joga joga Candy Crush e já cuidou da fazendinha no Facebook.

Millennials: a geração que consolidou a cultura gamer (ou geração Y)

Nascidos entre 1981 e 1996, cresceram em meio à popularização da internet e das lan houses, acompanhando a transição dos jogos de cartucho para os online. Eu mesmo faço parte desse grupo: tenho 38 anos e lembro das minhas primeiras partidas em lan houses de bairro, onde passava horas jogando Counter-Strike com amigos.

O ponto mais legal do jogo não era sobre vencer ou perder, mas criar amizade, conexão e identidade. Essa vivência me acompanha até hoje onde continuo jogando ativamente CS, agora em um cenário muito mais sofisticado, mas que mantém a essência de comunidade e diversão.

Essa é a minha geração, que cresceu junto a revolução da internet e se digitalizou nas lan houses espalhadas Brasil afora.

Geração Z: nativos digitais e sociais

Nascidos entre 1997 e 2010, os jovens da geração Z nasceram em um contexto de hiperconexão. Na minha experiência, no qual estou em contato direto com esse público diariamente, acredito que o jogar, para eles, é também uma grande forma de socializar, seja no discord, no chat das plataformas de streaming ou dentro dos próprios games.

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São consumidores de experiências coletivas e interativas, valorizando marcas e comunidades que oferecem autenticidade e diálogo. Na Gamers Club, percebo como esse público está menos preocupado com o jogo em si e mais na experiência, seja ela no PC, no celular ou no console.

Meus sobrinhos fazem parte dessa geração.

Geração Alpha: o futuro em construção

Nascidos a partir de 2011. A mais nova das gerações já começa a ter contato com os jogos desde muito cedo, em tablets, celulares e dispositivos de realidade aumentada.

É cedo para prever como essa relação vai se consolidar, mas já vejo em meu filho, de 10 anos, a curiosidade e a naturalidade com que ele interage com a tecnologia. Smartphones e tablets são extensões naturais do seu corpo.

Independentemente da geração, há um elo que conecta todos: a comunidade. Na Gamers Club, vemos diariamente como o jogo ultrapassa a tela e se transforma em ponto de encontro, seja para competir, aprender ou simplesmente se divertir.

Minha própria experiência mostra que, mais do que gráficos ou resultados, o que realmente permanece são as conexões criadas dentro do jogo. A experiência gamer é coletiva, e é essa força que mantém todas as gerações ligadas a esse universo.

Entender como cada geração se conecta com esse universo é essencial para criar experiências mais inclusivas e relevantes. Principalmente para marcas que desejam criar maior afinidade com o público – afinal, no mundo gamer, não existe idade para jogar, apenas vontade de fazer parte.

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