Diego Dzodan, experiente executivo conhecido pelo período em que liderou o Facebook (hoje Meta) no Brasil, foi anunciado nessa sexta-feira (24) como general manager para a América Latina de Roblox. Ele terá, na função recém-criada pela empresa, a missão de “fortalecer a presença na região, fomentar parcerias, apoiar o ecossistema de criadores e alinhar as necessidades dos mercados locais às prioridades globais de produto e negócios”.
“Estou animado em me juntar à Roblox neste momento tão importante para acelerar nosso crescimento na América Latina, enquanto continuamos a avançar em uma plataforma segura, confiável e cada vez mais relevante para criadores, jogadores e famílias”, diz Dzodan, em comunicado enviado ao The Gaming Era.
O executivo atuará como “representante sênior” e líder de mercado da Roblox na América Latina, “supervisionando a execução do dia a dia da estratégia da Roblox na região junto com nossas equipes e parceiros locais”, complementa Zhen Fang, vice-presidente de internacional da Roblox.
Um foco central de sua atuação será impulsionar desenvolvedores e criadores de experiências da América Latina, e ajudar estúdios locais a utilizarem as ferramentas de criação de Roblox para ganhar escala. A região, o Brasil em especial, é um dos maiores mercados de criadores e de jogadores da plataforma, o que impulsionou no ano passado o lançamento de um data center em São Paulo.
Segundo os dados mais recentes, a base de usuários ativos diários (DAU) de Roblox no Brasil cresceu 181% entre o quarto trimestre de 2020 e o final de 2024, com forte aceleração em 2025. No mundo, em março de 2026, foram 144 milhões de DAU globalmente, com pico recorde de 151 milhões no 3º trimestre de 2025.
No que se refere aos criadores, o número dos elegíveis a receber pagamentos pelas experiências que criaram cresceu a uma taxa anual composta (CAGR) de 92% entre o 3º trimestre de 2020 e o 2º trimestre de 2025. Durante o primeiro semestre de 2025, mais de 1.100 criadores brasileiros foram elegíveis.
Durante o período em que foi vice-presidente do Facebook para a América Latina, Diego Dzodan é às vezes lembrado pelo dia que passou na cadeia em março de 2016. A prisão foi motivada por suposto descumprimento de ordens judiciais emitidas pela Vara Criminal de Lagarto, em Sergipe, que exigia que o Facebook (proprietário do WhatsApp) liberasse conversas do aplicativo para auxiliar em uma investigação sobre o crime organizado.
Depois de sair do Facebook em 2018, Dzodan ajudou a fundar a empresa de tecnologia Facily (plataforma de social commerce), que liderou por quase oito anos. O executivo é formado em contabilidade pela Universidad de Belgrano, na Espanha, e possui MBA pela Harvard Business School. Tem mais de 20 anos de experiência em empresas de tecnologia – também passou longo período na alemã SAP.
Segundo a assessoria de imprensa de Roblox, Dzodan participará da próxima Gamescom Latam – que começa na quarta-feira que vem – já como executivo de Roblox, mas não deve conceder entrevistas por enquanto. Sim, o TGE já tentou.
Desafios e novidades
A vida de Diego Dzodan promete não ser fácil. Roblox, que tem todas as características de uma rede social, e não necessariamente de um jogo, tem estado centro das atenções no noticiário nos últimos anos, e não necessariamente pelas melhores razões. Tem sido reiteradamente acusada de não agir a contento para proteger seus usuários em ambientes online, a maioria crianças e adolescentes, contra predadores sexuais e outros tipos de ameaças.
Recentemente a plataforma anunciou novas contas baseadas em idade para os usuários mais jovens – a Roblox Kids, para aqueles entre 5 e 8 anos, e Roblox Select, para os entre 9 e 15 anos. Elas passam a valer no começo de junho. Antes disso, a empresa já havia anunciado recursos de restrição de diálogos entre usuários das mesmas faixas etárias, o que gerou protestos entre os principais afetados.
Também passou a exigir verificação de idade facial para acessar o bate-papo. Segundo Roblox, mais de 50% dos usuários ativos diários globais concluíram a verificação de idade. O processo é um dos requisitos do ECA Digital, lei recentemente em vigor no Brasil que protege crianças e adolescentes em ambientes digitais, e que tem colocado Roblox sob pressão. Além disso, surgiram novos projetos de lei tentando impor restrições à plataforma.
Em entrevista coletiva concedida no fim de 2025, e no qual o The Gaming Era estava presente, a principal executiva de segurança de Roblox, Laura Higgins, disse que a empresa tem feito “um trabalho fantástico” nos últimos anos na área de defesa da infância. “Temos criado ferramentas e políticas para manter as crianças seguras por padrão. Foram mais de 100 novas ferramentas desde 2024”, disse ela aos jornalistas.

Segundo Higgins, são quatro os pilares de segurança adotados por Roblox nessa seara: parcerias, políticas e aplicação de regras, produtos e inovação, e transparência. A participação em fóruns da indústria e esforços de moderação que combinam inteligência artificial com o trabalho de humanos fazem parte desses esforços, disse, também citando a verificação de identidade posteriormente em vigor.
“Nós sabemos que os pais têm preocupações, que eles veem coisas na mídia, mas temos esse compromisso com a proteção”, ponderou. Apesar disso, mesmo depois dessa entrevista, novas denúncias surgiram. O Núcleo Jornalismo, por exemplo, apontou problemas no sistema de verificação de identidade da plataforma.
A empresa diz estar estabelecendo “um processo de seleção contínuo” para as experiências disponíveis aos usuários menores de 16 anos. Ainda este ano, a empresa diz que começará uma transição para a estrutura da Coalizão Internacional de Classificação Indicativa (IARC), método padrão globalmente para atribuir classificações etárias de conteúdo para jogos e aplicativos digitais.



