A Alienware, marca gamer da fabricante de computadores Dell, quer atrair públicos mais diversos no Brasil com notebooks mais baratos, mas sem perder a identidade “premium” que lhe é característica. A empresa, que anuncia novos aparelhos das séries Aurora e Area-51 nessa terça-feira (2), ambos fabricados localmente, está mirando faixas de preço inéditas.
Com condições especiais de lançamento, os novos notebooks de 16 polegadas estarão no site da Dell a partir de 9 de setembro com o Aurora por preços começando em R$ 5.800 – na configuração com placa de vídeo Nvidia RTX 3050, processador Intel Core 5, 16 GB de RAM e Linux instalado. As diversas variações de configurações estarão disponíveis no site da Dell a partir do lançamento, e podem chegar a R$ 9.500.
Já o Area-51, topo de linha produzido pela primeira vez no País, tem preços a partir de R$ 17.000.

Alcançar preços mais baixos, segundo os porta-vozes da Dell disponíveis durante coletiva de imprensa virtual na semana passada, exigiu um trabalho de engenharia que conciliasse configurações e preços – o que, na prática, acabou resultando em especificações mais modestas do que as que normalmente se espera encontrar em um notebook com a logomarca de alienígena na tampa.
Pergunto aos executivos se a meta de alcançar públicos de menor poder aquisitivo não coloca em risco a reputação da marca, geralmente lembrada pelos dispositivos “super premium”. E lembro que o movimento parece o oposto daquele feito por empresas como a Asus, por exemplo, que tem lançado oficialmente no Brasil computadores cada vez mais caros.
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“Foi uma das grandes discussões que tivemos [durante o desenvolvimento dos produtos], e não vemos riscos. Quando construímos o portfólio Aurora, ele teve um projeto desenhado de ponta a ponta para ter essa proposta premium da Alienware dentro de faixas de preços mais amplas”, explicou o gerente de produtos para gaming da Dell no Brasil, Tomás Berny.
O executivo garante que o produto, mesmo na faixa de preço mais baixa, é “muito robusto, com inovações importantes de design”. É o que marca chama de proposta híbrida entre alto desempenho, qualidade de construção. E que o conjunto de tecnologias nos produtos “sustenta o premium da marca, se expandindo para mais clientes; estamos bem empolgados com essa expansão.”
Super premium
Isso não significa que a Alienware tenha abandonado o segmento “super premium”, garante Berny, que observa uma “competição acirrada” no segmento. Nele a Alienware briga com o Area-51, que tem configurações bem mais “parrudas” – processador Intel Core Ultra 9 275HX, Nvidia RTX 5070 e até 64 GB de RAM DDR5. No entanto, elementos estéticos presentes na versão americana do notebook não estão na brasileira, de olho na redução de custos.

“Não estamos trazendo esse produto só para ter no portfólio, mas para realmente participar do mercado”, diz Berny, salientando que o objetivo com o dispositivo é, claro, vender, por isso é preciso um portfólio tropicalizado.
“Claro, isso não quer dizer que nada vá mudar [no futuro] se existir algum apetite nesse sentido [de produtos mais caros], mas hoje preferimos um portfólio com produção local (…) e que traga questões importantes como suporte técnico mais veloz e tempo de entrega, entre as várias vantagens que envolvem produzir no Brasil”, salienta o executivo.
Expectativas e mercados
Seja como for, os executivos da Dell parecem empolgados com a nova proposta de mercado da Alienware no Brasil. Segundo Mathias Simon, consultor de comunicação da Dell na América Latina para PCs e infraestrutura, são produtos com alto potencial de conquistar profissionais autônomos e liberais brasileiros, além de encontrarem também espaço nos grandes escritórios – afinal, segundo pesquisas de mercado diversas, no Brasil todos são gamers.
“Estamos entregando uma solução [para esse público] até melhor do que era a G15 e outras linhas anteriores”, diz Simon.
Berny completa: “Há apetite de alguns tipos de clientes para esse uso híbrido. (…) A linha Aurora tem um design que mantém a identidade da Alienware, mas que também tem capacidade de se misturar melhor [com equipamentos de uso geral] do que modelos da linha G ou notebooks gamers usuais do mercado. Esse uso híbrido é um dos nossos focos.”



