COP30 e a indústria de jogos da Amazônia: o potencial que o mundo ignora

Falta debate sobre papel da indústria criativa na preservação e no desenvolvimento sustentável, escreve Olímpio Neto
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Vista de Belém do Pará a partir do Rio Guamá, que banha a cidade. Foto: Tânia Rêgo, Agência Brasil

A indústria de games talvez seja o maior potencial econômico ainda negligenciado quando o assunto é Amazônia. A COP30 – 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas –, que acontecerá em novembro de 2025 no Pará, reunirá chefes de Estado, ministros, diplomatas, cientistas, especialistas do clima e representantes de mais de 198 países. O objetivo do encontro é discutir a preservação da floresta amazônica, os impactos das mudanças climáticas, o fortalecimento da bioeconomia e outros temas urgentes.

No entanto, chama a atenção a ausência de um debate sobre o papel da indústria criativa — em especial, a de desenvolvimento de jogos — como vetor de preservação e desenvolvimento sustentável. Esse silêncio reflete uma visão ainda arcaica da Amazônia, frequentemente reduzida apenas à sua fauna e flora, ignorando as pessoas que vivem aqui e suas capacidades criativas e produtivas.

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Trata-se de um equívoco que mistura desconhecimento com falta de visão estratégica.

A indústria de jogos é global, escalável e multibilionária. A região amazônica, por sua vez, é um celeiro de talentos criativos. Jogos desenvolvidos na Amazônia poderiam conquistar o mundo, gerando riquezas, empregos qualificados e remuneração acima da média de muitos outros setores.

Para se ter uma ideia da dimensão desse mercado, blockbusters como Fortnite, Genshin Impact ou Call of Duty Mobile ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão de faturamento, em alguns casos em menos de 12 meses. Esse valor é superior ao orçamento anual da cidade de Belém — sede da COP30 — estimado em R$ 5,6 bilhões para 2025.

Um jogo produzido na Amazônia não é apenas um produto cultural e tecnológico. É também parte da bioeconomia amazônica, pois mantém o morador na região, gera riqueza local e, consequentemente, contribui para a preservação da floresta em pé.

Se a comunidade internacional deseja, de fato, assegurar uma Amazônia sustentável para as próximas gerações, é urgente deixar de negligenciar o potencial transformador da indústria criativa e dos jogos digitais na região.

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