O mercado alemão de jogos eletrônicos registrou uma queda de receita gerada, passando de € 9,96 bilhões em 2023 para € 9,4 bilhões em 2024, redução de 6%. Houve diminuição tanto da renda gerada pela venda de jogos (-6%, chegando a € 5,5 bilhões) quanto pela venda de hardware (-10%, para € 2,93 bilhões). No entanto, os gastos com jogos em nuvem e assinaturas cresceram 12%, para € 965 milhões.
Na comparação com 2019, ou seja, antes da pandemia, o mercado alemão observou uma alta expressiva de 58% – a receita total era de € 5,95 bilhões seis anos atrás, e agora é de € 9,4 bilhões. O segmento que mais cresceu também foi o de serviços e jogos em nuvem, com 109% de aumento acumulado, revelando adesão crescente a esse modelo de negócios na maior economia da Europa.
O número de estúdios de desenvolvimento e publishers no país também caiu. Eram 948 mapeados em 2024 e 910 em 2025, ou redução de 4%. O número é bem maior que os 622 registrados em 2019 (alta acumulada de quase 50% no período), mas a crise também parece ter feito suas vítimas entre os estúdios e editoras da Alemanha.
O número de pessoas empregadas também caiu 2%, e atualmente é de 12.134.
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Apesar de ser a maior economia do continente europeu, no mercado de games a Alemanha ainda fica bem atrás do britânico (2.150 empresas e 24,4 mil empregados) e do francês (1.200 empresas e 32 mil empregados).
Os dados fazem parte de um estudo da Game, a associação alemã de desenvolvedores de jogos, lançados às vésperas da Gamescom – uma das maiores e mais tradicionais feiras de games do mundo, que começa oficialmente na noite dessa terça-feira (19). O relatório pode ser visto gratuitamente, em formato PDF e língua inglesa, nesse link, e revela um momento turbulento não só para um dos principais e mais maduros mercados da Europa, mas de todo o mundo.
“Da perspectiva da indústria de jogos alemã, 2024 pode certamente ser descrito como um ano turbulento. Embora a onda de consolidação no setor internacional de jogos tenha desacelerado no ano passado, projetos continuaram sendo cancelados, funcionários demitidos e estúdios fechados em todo o mundo”, escreve no começo do estudo o diretor geral da associação, Felix Falk. “Esses desenvolvimentos representam um desafio para a indústria de jogos alemã em particular, dominada por estúdios de pequeno e médio porte que dependem em grande medida de editoras e parceiros internacionais para realizar projetos.”
Mercado maduro
A maturidade do mercado alemão aparece no estudo. A idade média dos jogadores é de 39,5 anos, com 79% deles tendo mais de 18 anos (e apenas 24% com menos de 20 anos de idade). Menos da metade dos alemães se declaram jogadores, segundo o estudo – 37,5 milhões de pessoas jogam em uma população de 83,5 milhões.
A maioria absoluta das pessoas joga em celulares (22,9 milhões de pessoas), seguida por consoles (20,5 milhões) e pelo PC (13,1 milhões). O maior crescimento registrado desde 2023 foi o segmento de consoles, que saltou quase 10% entre um ano e outro.
Os jogos mais vendidos na Alemanha para PC e consoles foram, na ordem, EA Sports FC 25, da Electronic Arts, Call of Duty: Black Ops 6, da Activision Blizzard, e Helldivers 2, da Sony. No celular, dominaram, nessa ordem, Block Blast Adventure Master, da Hungry Studio, Brawl Stars, da Supercell, e Roblox, da Roblox Inc.



