Adeus aos discos? A Sony acaba de mudar o futuro do PlayStation

Decisão de encerrar lançamentos em disco reacende debates sobre preservação, propriedade digital e os impactos sobre os consumidores
PS5, PlayStation 5, PlayStation 5 Pro
Imagem: Divulgação

A partir de janeiro de 2028 os videogames PlayStation não vão mais receber jogos em disco, a chamada mídia física. De acordo com o comunicado oficial, divulgado na manhã desta quarta-feira (1º), trata-se de “uma direção natural para a Sony Interactive Entertainment para se adaptar às tendências dos consumidores e a preferência geral pela mídia digital ultrapassando de forma significativa os discos físicos”.

Mais fácil colocar na conta de um consumidor genérico e global do que assumir qualquer responsabilidade por querer diminuir ainda mais os custos de produção, em um momento de crise profunda pelo qual a indústria de games não passa há mais de 40 anos.

Acho ruim tirar opções dos consumidores e de outras publishers. O texto do comunicado dá a entender que simplesmente não haverá mais jogos em mídia física para PlayStation, impossibilitando, por exemplo, uma editora de lançar uma versão especial para o console.

Inevitável imaginar que isso já prepara o terreno para que o PlayStation 6 e as gerações futuras venham sem drive de disco. E aí como fica a retrocompatibilidade por meio de mídia física? Será que teremos a opção de comprar um drive de disco externo para o PS6, como já acontece hoje em dia com modelos do PS5? Infelizmente, no momento, mais dúvidas do que respostas.

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E isso que nem entramos na questão de preservação histórica, tão debatida e usada como argumento de venda quando convém, mas na prática muito mal tratada pela indústria como um todo. Problema, aliás, já prenunciado pelo iminente blockbuster Grand Theft Auto VI.

Há de se argumentar que isso pode resultar em jogos mais baratos, que a economia feita com o fim da logística de produção e distribuição de mídia física pode ser repassada para o consumidor… mas alguém realmente acredita nisso? Parece o mesmo papo de que passagens aéreas poderiam ficar mais baratas com as novas regras de bagagem, mas o que se viu na prática foi um encarecimento dos preços.

E dá para voltar ao argumento de que a Nintendo fez isso recentemente, passando a oferecer preços menores para jogos em versão digital em comparação ao mesmo game em mídia física, no cartucho. Uma iniciativa que a própria da Nintendo comunicou ativamente ao público.

No caso da Sony, se realmente fosse algo em mente, provavelmente estaria no polêmico comunicado, para tentar adoçar um pouco a mensagem. Gosto de pensar que o precedente da Nintendo pode estimular pressão pública de fãs e consumidores para que a Sony de fato ofereça preços menores em comparação à mídia física.

Para complementar toda a polêmica, a Sony também emitiu outro comunicado sobre o fechamento das lojas digitais do PS3 e do portátil PS Vita. Até julho de 2027 as lojas serão fechadas no mundo todo. Jogos ainda poderão ser baixados no ‘futuro previsível’, segundo a Sony, mas sabe-se lá exatamente quanto tempo isso vai ser.

Eu entendo que, desde o início, o que se compra em uma loja digital de games não é o jogo em si, mas sim a licença para uso dele. É assim em todas as plataformas disponíveis hoje em dia – e justamente por isso já existem opções mais amigáveis para o consumidor que a Sony parece ignorar.

O Steam, por exemplo, permite fazer cópias de segurança de jogos, para instalar a partir de dispositivos físicos de armazenamento. Por sua vez, o GOG vai além e garante que um jogo nunca vai deixar sua biblioteca, mesmo que ele saia da loja por questões de licenciamento.

Infelizmente, exemplos recentes da Sony sugerem uma abordagem muito menos amistosa: no final de junho, a empresa notificou usuários que cerca de 550 filmes digitais comprados pela PlayStation Store seriam removidos por conta do fim do contrato de licenciamento com a empresa StudioCanal.

Não apenas removidos das lojas, mas também removidos das bibliotecas digitais de quem comprou esses filmes. E sim, imagino que alguma linha fina no extenso contrato exibido antes de finalizar a compra indica que isso poderia acontecer, mas convenhamos que é algo ainda incomum e que soa como grande desrespeito ao consumidor.

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