GovTechs e gamificação: quando empresas de jogos podem solucionar problemas dos cidadãos

Na Headscon ES, especialista propõe que estúdios criem tecnologias gamificadas para melhorar serviços públicos
Antonio Isidro da Silva Filho
Antonio Isidro da Silva Filho na Headscon ES 2025. Foto: Bruna Damin, Agência Collab

Da Agência Collab na Headscon Espírito Santo 2025

O que são GovTechs? De acordo com o site do Governo Federal, “são empresas focadas em tecnologia, processos de trabalho e soluções ágeis, com o propósito de gerar inovação para a gestão pública e auxiliar na economia de recursos públicos”.

Com este tema a Headscon deu início à primeira passagem por Espírito Santo na sexta-feira (8). Com a palestra “Govtechs e o futuro da gestão pública”, o professor Antonio Isidro da Silva Filho abriu a programação do dia 1, no palco principal do CEET Vasco Coutinho, em Vila Velha.

Isidro, que é Doutor e Mestre em Administração pela Universidade de Brasília (UnB), apresentou dados para demonstrar como a tecnologia pode modernizar, dar mais eficiência e promover a transparência nos serviços públicos. “Nos últimos cinco anos, temos observado essa agenda de transformação do Estado a partir da tecnologia se tornar uma das prioridades nacionais”, explicou, emendando com uma provocação:

“Este é um dado do relatório do Fórum Econômico Mundial: há uma previsão de que, até 2034, exista algo em torno de US$ 9 trilhões em oportunidades para o segmento Govtech.”

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“Existe uma agenda global de transformação pública a partir da tecnologia, e uma agenda crescente de investimento”, completou, “não só de fundos públicos, mas também no investimento privado, para acelerar negócios digitais, games e soluções de tecnologia para serviços com interação com o cidadão.”

Em resumo, as GoveTechs desempenham papel crucial na modernização da administração pública, utilizando tecnologias inovadoras para aumentar a eficiência, transparência e engajamento dos cidadãos nos serviços públicos. E o Brasil, em especial, é um país que poderia explorar a área de Govtechs por conta de suas características únicas.

Setor público e oportunidades. Foto: Bruan Damin, Agência Collab

“É um mercado que tem crescimento contínuo, uma vez que as demandas públicas sempre estão crescentes, e a sociedade, cada vez mais complexa”, explicou Isidro. “Os problemas que temos de enfrentar em um país tão heterogêneo como o nosso, há sempre demanda pública que pode ser resolvida com tecnologia. Isso significa que é um segmento importante e bastante aberto para novas oportunidades de negócio, novas tecnologias serem desenvolvidas”.

Para exemplificar, Isidro trouxe mais um big number: somente em 2024, o País gastou R$ 237 bilhões com compras de tecnologias. “E a estimativa é que possa chegar a R$ 1 trilhão  até 2030”, disse.

Games e GovTechs?

E o que os videogames têm a ver com tudo isso? Para o especialista, trata-se do “segmento que tem maior chance de rapidamente gerar o engajamento do cidadão”. Em outras palavras, “os games fazem isso de forma instantânea, com mecanismos constantes de engajamento, de presença nas plataformas, de construção de comunidades e de maior protagonismo das pessoas”.

Provocando os desenvolvedores de jogos na plateia da Headscon ES, Isidro deu exemplos de como sistemas gamificados podem ajudar a resolver problemas diversos de políticas públicas, saúde, educação, segurança e saneamento: “Imagine como se poderia reduzir o consumo de energia em um município ao gamificar o gasto e a relação que as pessoas têm com o pagamento da conta? Ou gamificar o processo de diminuição da evasão escolar, o aumento da cobertura vacinal, ou o processo de redução de fila de consultas e exames…”

Por fim, Isidro deu sua dica: “[Govtech] é um mercado que vocês podem olhar com mais carinho e atenção: como o seu jogo, a sua plataforma, ou a sua tecnologia poderiam efetivamente solucionar um problema público da sua região?”.


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