Team Liquid e Visa apostam em comunidade e presença online em parceria de longa data

Em conversa exclusiva com o TGE durante a BGS, Camila ‘Miah’ Campos e Mariana Dinis falam de estratégia de expansão e do apoio ao cenário inclusivo de Valorant
camila campos, team liquid, mariana diniz, visa
Camila ‘Miah’ Campos, do Team Liquid, e Mariana Dinis dos Santos, da Visa. Foto: Montagem sobre imagens de divulgação

A Team Liquid é uma das organizações de esportes eletrônicos mais tradicionais no Ocidente. Foi fundada em 2000 pelo jogador neerlandês Victor ‘Nazgul’ Goossens como um clã de StarCraft, e cresceu a partir de uma comunidade dedicada ao jogo. Desde então se tornou uma organização internacional de eSports, com equipes em mais de 15 modalidades competitivas e uma estrutura que inclui uma base de treinamento em São Paulo, capital.

Essa trajetória ajuda a explicar a presença da organização na Brasil Game Show de 2026, na qual buscou se aproximar do público brasileiro e da comunidade que acompanha suas equipes no País.

Por aqui, a Liquid atua em modalidades como Rainbow Six: Siege, Valorant e Crossfire. Além do desempenho competitivo, a instituição usa a construção de comunidade para além do universo online como um de seus principais pilares, o que gera mais identificação por parte de seus torcedores e do público que não a conhece ainda.

ENTREVISTA: Falamos com Bruno Niro, da Gamers Brawl, que quer ter mais 10 títulos no ecossistema até 2027

Em entrevista exclusiva ao The Gaming Era durante a BGS, Camila ‘Miah’ Campos, General Manager Brasil da Team Liquid, e Mariana Dinis dos Santos, diretora de marketing da Visa, detalharam como funciona a parceria da marca de cartões de crédito com a Team Liquid e como essa união impacta diretamente o cenário de esporte eletrônico.

Além disso, ambas falaram do processo de apresentação de resultados para o grupo de patrocinadores e investidores, os aprendizados decorrentes de erros ao longo do caminho, como funciona o diálogo da operação brasileira com a estrutura internacional da Team Liquid e quais os critérios de decisão para participar de uma modalidade. Confira, a seguir, a entrevista completa:

The Gaming Era: Uma coisa que impressiona na Team Liquid é que é uma organização considerada referência no processo de construção de comunidade. O que faz esse pilar ser tão bem estabelecido dentro da organização?

Camila ‘Miah’ CamposTeam Liquid: Ao longo da nossa história, aprendemos muito com nossos próprios erros sobre como entrar em determinadas conversas e modalidades. Não existe uma fórmula única que replicamos para tudo; cada jogo tem sua nuance. Quando entramos no EA Sports FC, por exemplo, percebemos que o público consumia vídeos curtos em um formato muito diferente do habitual na Liquid, o que nos exigiu estruturar uma equipe dedicada a essa produção.

Toda vez que entramos em um novo ambiente, buscamos entender os hábitos de consumo para falar adequadamente com aquela comunidade. Foi assim também no cenário do Game Changers no Brasil: entendemos que a comunidade precisava de fomento e criamos, em parceria com a Visa, o torneio Resenha das Minas para viabilizar competições no cenário inclusivo de Valorant.

TGE: Como funciona o diálogo da operação brasileira com a estrutura internacional da Team Liquid?

Camila: Trabalhamos sob a filosofia de “Liquid One Wave”. Trata-se de uma operação verdadeiramente integrada e genuinamente global. Nossos profissionais no Brasil não atuam apenas para o mercado local, mas contribuem para projetos globais.

A organização divide suas forças entre Holanda, Estados Unidos, Brasil e, mais recentemente, na Ásia (Filipinas e Indonésia no Mobile Legends: Bang Bang). Mesmo em fusos horários totalmente distintos, mantemos o mesmo idioma de trabalho e alinhamento cultural.

TGE: O que a Liquid analisa previamente para decidir em qual modalidade vale a pena se inserir?

Camila : O primeiro fator é a competitividade: entramos em qualquer modalidade para sermos campeões e buscamos entender o potencial de título a curto, médio e longo prazo para estruturar a contratação de comissão técnica, atletas e influenciadores.

O segundo aspecto é a viabilidade econômica, avaliando se o ecossistema oferece remuneração por digital goods (como skins do jogo) e flexibilidade para criarmos nossas próprias propriedades de torneio, a exemplo do Race to the World First no World of Warcraft. Por fim, analisamos o potencial da comunidade para expandir nosso fandom.

TGE: Mariana, há quanto tempo existe a parceria entre a Visa e a Team Liquid e quais são os objetivos de manter esse apoio nos cenários nacional e internacional?

Mariana Dinis: Estamos no nosso terceiro ano de parceria. A Visa já possui uma tradição histórica de apoio ao esporte tradicional – como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos – e, a partir de 2022, passou a olhar com mais força para o setor de games e eSports. Encontramos na Team Liquid um alinhamento perfeito, unindo duas marcas com forte presença global e relevância local.

Essa aliança nos permite conectar de forma autêntica com as novas gerações (Z e Alfa), que em breve serão os principais motores da economia, atingindo nossos objetivos de negócio e fortalecendo a percepção de marca da Visa.

TGE: Por que a escolha específica pela Team Liquid para essa aliança?

Mariana: Além de ser uma das principais organizações do mundo, vimos a oportunidade de patrocinar diretamente o time inclusivo de Valorant. A missão da Visa é ser uma marca inclusiva que dá acesso e ajuda pessoas a prosperarem. Patrocinar a line feminina/inclusiva une perfeitamente nosso propósito de marca ao impacto social de gerar visibilidade para essas atletas, e o retorno tem sido extraordinário com os títulos e conquistas frequentes que elas trazem dentro do servidor.

TGE: Pesquisas indicam que as mulheres representam a maioria dos jogadores no Brasil, mas ainda há pouca representatividade em cargos de liderança no setor. Qual a importância de ocuparem essa posição de viabilizar projetos e o que planejam para o futuro?

Mariana: Para a Visa, a inclusão é uma prioridade em todos os territórios em que atuamos. Ter a Camila como General Manager liderando a operação da Liquid reforça essa troca positiva entre as marcas.

Em termos de projetos, além de apoiar o Valorant, expandimos para o Fortnite este ano com a Copa do Zentão. A intenção para os próximos anos é continuar identificando territórios estratégicos para construir comunidades e deixar um legado sustentável.

TGE: E por que estar em grandes eventos presenciais como a Brasil Game Show ?

Camila: Para a Liquid, eventos presenciais são o pilar de transição do online para o offline , permitindo aproximar os torcedores dos atletas e criadores. Na BGS, viabilizamos também coleções exclusivas com descontos especiais para clientes Visa, integrando os benefícios da parceria à experiência do fã.

Mariana: Complementando, é a oportunidade de sair do ambiente estritamente digital e construir relacionamentos mais profundos com o público. Estar na BGS, um dos maiores eventos de games da América Latina, nos permite criar ativações presenciais marcantes que depois se transformam em pauta de conteúdo amplificada pelos nossos influenciadores digitais.

TGE: A Liquid tem investido em linhas de produtos lifestyle e colaborações com franquias de animes e filmes. Por que adotar essa estratégia?

Camila: É uma estratégia de ampliação de território. Já estamos consolidados na parte competitiva dos games. Ao desenvolver coleções de vestuário com grandes franquias de animes ou filmes, passamos a conversar com um público que talvez não acompanhe os eSports diariamente, mas é impactado pelo estilo de vida da marca e passa a torcer pela Liquid.

TGE: Em relação aos planos futuros, a Liquid avalia entrar em novas modalidades competitivas?

Camila : Atualmente estamos desenhando nosso planejamento estratégico global. No início do ano passado, por exemplo, entramos no xadrez ao lado do Magnus Carlsen [mestre enxadrista norueguês e duas vezes campeão mundial]. A Liquid é oficialmente a organização de eSports mais vitoriosa da história no Guinness World Records, e mantemos essa busca contínua por modalidades e regiões onde possamos entrar para disputar títulos.

TGE: O investimento financeiro para estar presente na BGS continua valendo a pena?

Camila: Vale sim. Avaliamos os eventos presenciais sob indicadores de desempenho (KPIs) próprios, que vêm evoluindo a cada edição. O contato direto nos dá uma leitura de feedback do público que não conseguimos captar totalmente no ambiente digital.

Mariana: Com certeza. As pesquisas de percepção que realizamos nos eventos mostram um impacto muito positivo para a marca Visa, além de gerar uma rica pauta de conteúdo multiplataforma que se estende do presencial ao digital.

TGE: A Team Liquid é frequentemente elogiada por sua capacidade de reportar e apresentar resultados concretos a patrocinadores e investidores. A que se deve a eficiência desse modelo?

Camila: Aprendemos muito com a gestão de esportes tradicionais. A Liquid conta com o grupo de investimento aXiomatic, que possui participações em franquias da NBA e do futebol americano. Incorporamos essas melhores práticas no nosso dia a dia, apoiados por um departamento próprio de Business Intelligence (BI) que mensura e audita todas as nossas operações.

Nosso foco é manter uma relação ganha-ganha transparente, entregando ao parceiro o maior retorno possível.

Assine nossa newsletter

receba todas nossas atualizações por email.

Obrigado pela sua assinatura! Ops! Algo deu errado... Tente novamente!