Lótus HUB lança guia de segurança digital para mulheres em meio ao avanço das denúncias online

Gratuito e anônimo, o +segura reúne orientações sobre preservação de provas e canais de denúncia em diferentes ambientes online
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Imagem: Reprodução, Lótus HUB

A Lótus HUB lançou agora em setembro o +segura, plataforma interativa e gratuita criada para orientar mulheres sobre como agir e onde denunciar situações de violência e crimes no ambiente digital. A ferramenta organiza informações jurídicas, cuidados relacionados à preservação de provas e caminhos de apoio sem exigir cadastro, login ou dados de identificação.

O projeto amplia uma frente de atuação da Lótus HUB ligada à segurança digital, mas não se restringe ao universo dos games. As orientações foram pensadas para situações que podem ocorrer em redes sociais, aplicativos de mensagens, plataformas de relacionamento, ambientes profissionais, jogos online e outros espaços digitais.

Segundo a Lótus HUB, a iniciativa é pioneira ao reunir esse tipo de orientação em uma experiência interativa voltada especificamente a mulheres. A proposta surgiu da dificuldade de encontrar, em um único lugar, informações práticas sobre o que fazer após uma situação de violência online.

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A plataforma chega em um momento de aumento expressivo dos registros de violência digital contra mulheres no Brasil. Dados da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos da SaferNet mostram que as denúncias relacionadas à misoginia, violência ou discriminação contra mulheres passaram de 2.686, em 2024, para 8.728 em 2025, um crescimento de 224,9%.

Os registros do Ligue 180 também avançaram. Entre janeiro e maio de 2026, o canal recebeu 16.725 ocorrências de violência contra mulheres em ambiente digital, ante 5.795 no mesmo período de 2025, alta de 188,6%.

O crescimento dos registros também pode refletir maior conhecimento e utilização dos canais de denúncia; por isso, não significa necessariamente que os episódios de violência tenham aumentado na mesma proporção.

Como funciona o +segura

O +segura pode ser acessado diretamente pelo site da Lótus HUB e conduz a usuária por diferentes etapas para ajudá-la a entender a situação que enfrenta e encontrar formas adequadas de buscar ajuda. A plataforma orienta sobre a identificação do tipo de violência ou risco digital, apresenta informações sobre preservação de provas e indica canais e possibilidades de denúncia de acordo com cada caso.

Entre os recursos disponíveis está um botão de “Sair rápido”, que fecha imediatamente todo o conteúdo relacionado ao +segura e oferece mais discrição para pessoas que acessam a plataforma em situação de risco.

A preservação de evidências é especialmente importante em casos de violência digital. Prints, links, mensagens, nomes de perfis, datas e outros registros podem ser úteis em denúncias e investigações posteriores, principalmente quando conteúdos são apagados ou contas deixam de existir.

Amanda Abreu, a AMD22K, fundadora e CEO da Lótus HUB e idealizadora do +segura, diz que a plataforma nasceu justamente da dificuldade enfrentada por mulheres que precisam entender quais providências tomar após uma situação de violência.

“Por muito tempo, vimos mulheres enfrentando situações de violência digital sem saber exatamente o que fazer, como preservar provas ou onde denunciar. O +segura nasce para tornar esse caminho mais claro, acessível e menos solitário. Porque, depois de passar por uma situação de violência, você não deveria precisar descobrir sozinha qual é o próximo passo”, explica a executiva.

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Amanda Abreu, a AMD22K. Foto: Divulgação

O desenvolvimento contou ainda com participação jurídica. Isadora Bündchen, consultora jurídica da Lótus HUB e desenvolvedora do +segura, participou da elaboração das orientações disponibilizadas na plataforma.

“A pergunta que mais ouvimos das vítimas é ‘e agora, o que eu faço?’. Existe delegacia virtual, existe canal de denúncia, existe lei, mas ninguém mostrava esse caminho. A violência digital não avisa antes de acontecer, e quem sofre não tem tempo, nem cabeça, para virar bacharel em Direito da noite para o dia.”

Maior que os games

A Lótus HUB nasceu no ecossistema de games e tecnologia, setores nos quais a violência digital contra mulheres também é recorrente. O +segura, porém, parte dessa experiência para tratar de um problema que atravessa praticamente toda a vida online.

No universo dos jogos, pesquisas internacionais já documentaram casos de assédio, ameaças e perseguição contra jogadoras. Um levantamento encomendado pela Sky Broadband em 2023, realizado com 4 mil mulheres que jogavam online no Reino Unido, apontou que 49% das participantes já haviam sofrido abuso ou assédio enquanto jogavam ou transmitiam partidas. Entre mulheres de 18 a 24 anos, o percentual era de 75%.

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Os dados são britânicos e não podem ser utilizados como retrato direto da realidade brasileira, mas ajudam a mostrar como os games fazem parte de uma discussão mais ampla sobre segurança no ambiente digital.

Esse também é um ponto importante para entender o +segura. Uma ameaça pode começar dentro de uma partida e continuar em uma rede social. Um ataque pode surgir após uma publicação, em uma mensagem privada ou em um aplicativo de relacionamento. Em outros casos, envolve exposição de dados pessoais, divulgação de imagens sem consentimento, perseguição ou outras formas de intimidação.

Por isso, o funcionamento da plataforma não parte do local onde a violência ocorreu, mas da situação enfrentada e das alternativas disponíveis para quem precisa buscar ajuda.

Poder público

A criação do +segura também dá continuidade a iniciativas anteriores da Lótus HUB relacionadas à segurança de mulheres no ambiente digital. Em 2024, Amanda Abreu articulou, ao lado de mulheres do cenário de games no Rio de Janeiro, uma mobilização para levar ao poder público o debate sobre respeito, assédio e violência contra mulheres nos jogos e nos eSports.

A articulação resultou em uma audiência pública na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e, posteriormente, na aprovação da Lei nº 8.506/2024, que incluiu a campanha “Meu Game Meu Nome” no calendário oficial da cidade.

Agora, o +segura leva essa discussão para além do mercado de jogos. A plataforma reúne informações úteis para mulheres que enfrentam violência em diferentes partes da internet e busca resolver uma questão bastante prática: entender qual é o próximo passo depois que algo acontece online.

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