Cibercriminosos miram gamers brasileiros usando GTA VI e jogos online populares

Pré-venda de GTA VI vira isca para roubo de dados e golpes financeiros. Golpistas também atraem jogadores de games populares
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Imagem: Canva

Duas diferentes empresas de segurança da informação alertaram os gamers nos últimos dias a respeito de golpes e ataques cibernéticos envolvendo jogos digitais. Enquanto a Kaspersky diz ter identificado campanhas maliciosas que utilizam a expectativa em torno de Grand Theft Auto VI e sua pré-venda em golpes, a DMK3 alertou para o uso de falsos mods e chats online por cibercriminosos para roubar dados. O Brasil é alvo em ambos os casos.

Primeiro GTA VI: segundo a Kaspersky, a badalada pré-venda do jogo da Rockstar Games está sendo usada para aplicar golpes no Brasil. São pelo menos três táticas: sites falsos que simulam lojas oficiais, downloads de versões de teste (beta) infectadas com programa malicioso e falsas ofertas de criptomoedas. O objetivo é roubar dinheiro e dados pessoais das vítimas para aplicar futuros golpes.

O principal golpe, segundo a empresa, é a imitação do site do PlayStation, da Sony, em português e idêntica à plataforma oficial. As páginas trazem preço de pré-venda, classificação etária oficial e até avaliações e comentários forjados. O esquema também utiliza trailers genuínos e artes promocionais da pré-venda do jogo.

Ao clicar no botão de compra, o usuário é induzido a preencher um formulário detalhado que solicita nome completo, endereço de e-mail, telefone, CPF e outras informações pessoais. Os dados passam a integrar uma base de dados para golpes. Após a coleta dos dados, a vítima é direcionada para a etapa de pagamento, e uma vez concluída a transação o dinheiro vai para a conta dos criminosos. O jogo nunca será entregue.

Além das falsas lojas online, os pesquisadores da Kaspersky identificaram a distribuição de um suposto arquivo de testes (beta) do jogo, apresentado como vazamento. O esquema é promovido em plataformas de vídeo e redes sociais. Contas falsas afirmam nos comentários que o download contém uma versão real do jogo. Uma vez executado, no entanto, o arquivo instala um programa malicioso que rouba senhas, dados de redes sociais e acessos a contas bancárias do usuário.

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Donos de criptomoedas também estão na mira. Em um dos casos identificados, uma página promovia uma criptomoeda com um nome muito semelhante ao do jogo. Ao tentar comprar a moeda digital falsa, o usuário é induzido a conectar sua carteira digital ao site, o que permite que os golpistas acessem a conta e roubem todos os criptoativos.

Mods as a bait

Outra empresa que fez alertas essa semana foi a DMK3, integradora especialista em cibersegurança. Segundo os especialistas, cibercriminosos estão mirando jogadores online usando chats de grandes plataformas. Eles aproveitam a falsa ilusão de propósito compartilhado, ou a imaturidade dos jogadores, muitos deles bem jovens, para aplicar golpes.

Disfarçados como “gamers comuns”, os hackers buscam conquistar a confiança de outros jogadores em conversas e partidas online de jogos populares, como Valorant, League of Legends ou Minecraft. Depois de algumas interações, eles enviam, via chat, links convidando a vítima para supostos jogos, servidores, plataformas ou modificadores que, na verdade, servem para aplicar golpes.

“Em termos simples, o phishing consiste no uso de conteúdos muito parecidos ou até idênticos às comunicações legítimas, que permitem a entrada do invasor no sistema. Já um malware é um tipo de software malicioso criado para invadir, danificar ou obter acesso indevido a sistemas e dados, podendo atuar de diferentes formas, indo desde o roubo de informações até o bloqueio de arquivos e a espionagem digital”, explica Mirella Kurata, CEO da DMK3.

A executiva cita o relato de uma vítima, que preferiu não se identificar. Um grupo a convidou para jogar Minecraft pelo Discord usando mods. Ao aceitar, os cibercriminosos enviaram um link para um programa de instalação automática. Ao clicar, a vítima percebeu atividades e funcionamento incomuns do sistema, como tocar áudios sem que desse play e sobrecarga de processamento.

Em poucos minutos, os cibercriminosos entraram em contato avisando sobre a invasão, que tinham roubado dados, fotos, arquivos e estavam buscando acesso de várias contas. Na ocasião, a intenção era a solicitação de resgate, porém, como alguém do mundo do TI, a vítima conseguiu agir a tempo e resolver a situação, mas o susto e preocupação foram inevitáveis.

“O tempo de resposta é determinante e esse caso foi uma prova disso. Por sorte, o usuário era alguém com conhecimentos, mas uma pessoa comum ou até uma criança talvez não tivesse a mesma sorte”, diz Mirella.

A especialista em segurança digital recomenda não abrir anexos, atalhos ou links de desconhecidos, usar ferramentas de proteção e manter sistemas, navegadores e antivírus sempre atualizados. Também sempre usar a autenticação em múltiplos fatores de todas as contas possíveis, evitar redes Wi-Fi públicas e se certificar que sites acessados são seguros por meio de selos de segurança.

Em caso de infecção, Mirella orienta a desconectar o dispositivo da internet, fazer uma varredura completa com antivírus, alterar senhas de acesso (começando por e-mail e contas financeiras) e avisar contatos mais frequentes. Também a fazer um boletim de ocorrência digital, principalmente se houver indícios de vazamento de dados ou prejuízo financeiro.

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